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100 anos de Clarice Lispector – a escritora brasileira mais traduzida no mundo

Foto: Divulgação Internet


Coluna por Francisca Laylla


Eu tive contato com Clarice Lispector por volta dos meus 15 anos, um amigo da família entregou um livro dela na minha mão e disse que eu precisava lê-la. A leitura de “Um aprendizado ou o livro dos prazeres” não fez muito sentido na época, contudo, desde então as suas palavras me vestem. 

Cresci em um ambiente onde os sentimentos eram algo a se ocultar, raramente conversado. Talvez tenha sido essa falta que me atraiu pelos excessos de Clarice. As suas personagens são inacabadas, por vezes incompletas, mas que bastam em si mesmas. 

“Não escrevo para fora, escrevo para dentro”

Em dezembro de 2020 comemorou-se o Centenário de Clarice Lispector, uma das escritoras mais notáveis e singular da literatura brasileira. Clarice escreveu romances, contos, crônica e também livros infantis. (FOTO 1)

A escritora nasceu na Ucrânia em 1920, mas mudou-se para o Brasil com apenas 2 anos de idade junto com a sua família judaica que fugia do extremismo da Primeira Guerra Mundial. Nascida Haya Pinkhasovna Lispector, passou a se chamar Clarice quando veio morar no Brasil. 

Clarice também foi jornalista e tradutora e, além do íidiche (idioma falado em casa) e do português, falava inglês e francês. A escritora pertenceu à terceira fase do Modernismo e a sua literatura é intimista, utiliza a sondagem psicológica e introspectiva. A obra de Clarice é um mergulho na própria condição humana. 

“Não me posso resumir porque não se pode somar uma cadeira e duas maçãs. Eu sou uma cadeira e duas maçãs. Não me somo”. 

Segundo levantamento da UNESCO de 2012, Clarice é a escritora brasileira mais traduzida do mundo: 113 traduções. Apesar da escrita ter sido a sua principal fonte de reconhecimento externo, Clarice tinha predileção pelas artes plásticas e chegou a pintar muitos quadros.

“Escrever não me trouxe o que eu queria, isto é, paz […] É relaxante e ao mesmo tempo excitante mexer com cores e formas, sem compromisso com coisa alguma. É a coisa mais pura que faço”.

 (FOTO 2) Para aqueles que tiverem curiosidade para lê-la, a minha sugestão é começar pelos seus livros de contos, como “Felicidade Clandestina” ou “Laços de Família”. Após se aventurar pela linguagem e profundidade dos seus contos, o romance “A hora da estrela” é o próximo passo que sugiro, pois é um livro curto, mas não menos profundo. Esse livro foi adaptado para o cinema e conquistou os maiores prêmios do festival de cinema de Brasília. “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres” é o próximo da lista que eu indico. A partir daqui, deixo o leitor exercitar a livre escolha.

“É pena que não possa dar o que se sente, porque eu gostaria de dar a vocês o que eu sinto como flor”.A escrita de Clarice é constantemente descrita como “difícil”. Na minha visão, nós é que somos o mistério, acredito que uma das chaves para entender a sua obra é ser curiosa de si mesma, pois quanto mais mergulho em mim, mais entendo Clarice.

Francisca Laylla. Foto: Acervo Pessoal


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