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A coluna da autocrítica e essa “Nova MPB”

Divulgação

Por Phelipe Ramos

Desde quando começou a pandemia tenho analisado bastante sobre meu consumo musical. Acabei descobrindo que estava me tornando quem eu mais criticava: uma versão do roqueiro cabeça quadrada que acha o rock o único estilo que presta. E a partir daí passei a fazer uma autocrítica sobre meu trabalho como jornalista musical iniciante. Vou explicar melhor…

Eu faço a cobertura, principalmente, da cena independente brasileira, que também é chamada de “NOVA MPB” ou “NOVA MÚSICA BRASILEIRA”. Acompanho festivais, pesquiso novidades e passo o dia inteiro ouvindo artistas dessa vertente. Se encaixam aí Duda Beat, BaianaSystem, Céu, Tulipa Ruiz… frequento festivais como Bananada, COMA, COALA… Acho que citando esses artistas e eventos vocês conseguem sacar sobre que tipo de música eu estou descrevendo. 

Pois bem. Não é que eu fiquei bitolado nessa panelinha da música brasileira? Eu digo panelinha, pois festivais, artistas e crítica especializada começaram a se fechar numa “rodinha”. Como se essa música, feita nessa bolha, fosse a “verdadeira música brasileira”, e tudo que é feito fora dela fosse descartável. Um pensamento mesquinho semelhante ao do roqueiro tradicional.

A partir daí parei pra analisar que artistas da periferia estão de fora dessa panelinha. Encontramos exemplos ali e acolá. Mas os festivais, principalmente, ainda são inundados de bandas “mais do mesmo”, enquanto artistas da periferia ficam de fora. Artistas inovadores, que criam ritmos como funk, bregafunk, pagodão. Estilos vanguardistas, feitos com poucos recursos, mas com muita criatividade, e que acabam ganhando o mundo.

Esses mesmos ritmos alimentam a NOVA MPB. Essa NOVA MPB faz o “som pra agradar branco sudestino que se amarra em coisa da periferia”. Eles acabam levando grandes créditos, como se fossem os criativos, quando estão apenas se apropriando do som da periferia e ganhando dinheiro.

Enquanto isso, a periferia fica a ver navios. Muita gente acha que porque o funk está nas paradas de sucesso todos os funkeiros estão nadando em dinheiro. Mas tem muito funkeiro bom que poderia sim estar recebendo mais oportunidades na mídia e nos festivais independentes. 

A partir disso, comecei a refletir mais sobre meu próprio trabalho. Estou numa autocrítica interminável (risos) para aperfeiçoar minha cobertura de música brasileira, pois o Brasil, em suas periferias, que na verdade são os centros, têm muita riqueza cultural a ser explorada pelo jornalismo. 

Isso pode mudar muito meus hábitos de consumo no pós-pandemia. Será que aquele festival que eu amava é isso tudo mesmo? Será que shows de artistas de ritmos que antes eu ignorava não trazem uma experiência muito melhor? Vem logo, vacina, pra gente descobrir como vai ser essa retomada da cultura.

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