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A contraditória volta às aulas presenciais

Foto: Marcio Vieira/ Gov. Tocantins

Por Luiz Filho

A volta às aulas presenciais é um dos assuntos mais discutidos e cobrados atualmente durante a pandemia. Isso em virtude de que, enquanto um grande grupo da população pede que as aulas voltem, o outro lado, um grupo formado por profissionais da educação, da saúde e também de pais, não querem de forma alguma o retorno das aulas de forma presencial. 

Mas para além dessa discussão, ainda tem outro fator primordial na volta ou não volta das aulas presenciais, os governantes e os planos de retorno. Por exemplo, o Governo do Tocantins, há mais de um ano ensaia um retorno de volta às aulas presenciais, porém eles ainda não conseguiram colocar em prática.

As aulas presenciais, no modo híbrido, iriam começar em 3 de agosto em escolas estaduais, mas o Governo Estadual voltou atrás e cancelou o retorno. Já no Município, o plano era que isso acontecesse já em 31 de maio, mas a prefeita Cinthia Ribeiro, em suas redes sociais, informou que não ocorreria mais o retorno. 

“Preferimos redobrar os cuidados e garantir um retorno mais seguro. Nossa expectativa é de iniciarmos o 2º semestre em 2 de agosto, caso os índices estejam estáveis. A decisão leva em conta, antes de tudo, a segurança dos alunos, pais, professores e toda comunidade escolar”, publicou a prefeita em sua conta oficial no Twitter.

Mas nesse quesito, não dá nem para responsabilizar o governo Estadual e Municipal, pelo menos não como um todo. Mas é que cada vez fica mais explícito que o retorno às aulas de forma presencial, sem uma grande parcela da população já vacinada, vai gerar uma terceira, quarta, ou quem sabe quantas ondas mais da Covid-19. 

Uma professora da rede estadual, que não quis se identificar com receio de represálias, informou que embora as aulas não tenham voltado, os professores e profissionais estão tendo que cumprir horário na escola. “Não temos contato presencial com os alunos, mas isso acaba sendo indiferente visto que temos que vir para escola e ficar em contato com outros professores, que em sua grande maioria respeitam e entendem a gravidade do atual cenário nacional, mas existem outros completamente negacionistas, que aglomeram, viajam, não usam máscaras e nem mesmo usam álcool em gel. Isso sem levar em consideração que alguns professores nem mesmo tem veículo próprio para vir trabalhar, precisam pegar ônibus. Estamos expostos da mesma forma”. 

Ainda segundo a professora, é inviável voltar a trabalhar sem um plano de fato para imunização dos profissionais da educação. “Eu queria que alguém me explicasse como podem estar cogitando a volta das aulas presenciais, sem um plano de imunização efetivo para os profissionais da educação. E digo efetivo, visto que nem mesmo doses de vacina estamos tendo”. 

Uma funcionária pública, que é mãe e não quis se identificar, foi categórica ao dizer que não permitirá que os filhos voltem às aulas presenciais. “O meu [filho] mais velho, está no ensino médio, estuda em uma escola particular. Quando saiu a notícia que as aulas voltariam, informei a escola que ele não retornaria, que continuassem a mandar o material para ele estudar de casa ou tiraria ele da escola. Me disseram que é crime proibir acesso à educação, mas crime é eu colocar meu filho em uma sala cheia de aluno, que sabe Deus o que andam fazendo, com notícias mostrando cada vez mais que jovens estão sendo hospitalizados e vindo óbito”. 

E provavelmente a tendência é piorar muito o cenário, já que as doses de vacinas estão cada vez mais escassas, tanto para produção por falta de matéria prima vindoura de outros países, como as próprias doses que chegam de laboratórios internacionais. Isso em virtude do grande mal estar gerado pelo governo federal com outros países produtores de vacinas e matéria prima. 

Então mesmo que ainda existam datas para uma possível volta presencial, não dá nem para levar elas tão a sério, pois, principalmente com a abertura de bares, é possível que esperar que os números de casos, assim como os de leitos ocupados em hospitais, voltem a subir. 

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