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A influência das redes sociais na música: um breve resumo do Myspace ao Tik Tok

Montagem: Josué Diniz

Por Luiz Filho

Desde o surgimento das redes sociais na internet, elas têm sido plataformas de diálogos e debates. Mas também uma espécie de vitrine, principalmente para artistas do meio musical. Que começaram a ter uma maior liberdade de criação e divulgação das músicas. 

Por exemplo, considerado uma das primeiras grandes redes sociais, o MySpace foi justamente uma dessas vitrines, que não só tinha espaço para as conversas, fotos, recados e etc, mas também teve um papel fundamental na indústria da música nos anos 2000. Lily Allen, só conseguiu lançar seu primeiro álbum, depois que uma gravadora descobriu sua música LDN na plataforma. Mallu Magalhães divulgou quatro músicas no MySpace em 2007, em 2008 ela já estava lançando seu primeiro álbum e participando de festivais. 

Um amigo de Adele divulgou uma demo dela cantando e foi assim que a gravadora assinou contrato com a cantora. A banda Arctic Monkeys, só obteve o sucesso que tem hoje, após um fã criar uma conta e divulgar suas músicas por lá. Essa lista de artistas é imensa, dava para preencher diversas laudas e ainda seria pouco. 

Nas últimas décadas, foi inevitável, a música caminhou junto com a internet. De acordo com que novas redes sociais foram sendo criadas, cada vez mais foi sendo possível criar mais músicas de forma independente e divulgá-las sem precisar necessariamente de gravadoras, rádios ou TVs.

YouTube também foi, e é, uma plataforma que influencia diretamente na indústria musical. Não podemos esquecer que artistas como Justin Bieber, Chloe X Halle, Alessia Cara, Anavitória, foram descobertos graças ao site de vídeos. 

Lana Del Rey, por exemplo, divulgou um vídeo da música Video Games, que ela gravou de forma caseira, na sua conta da plataforma VEVO, mas foi no Tumblr, que ela conseguiu, de fato, grande repercussão. Trechos do seu vídeo estavam por todos os lados na rede social, em formato gif, fotos, links para ouvir a canção e se tornou viral em 2011. Lana não só lançou uma música, como toda uma estética vintage e retrô, que acabou dominando uma época, influenciando gadgets, filtros de fotografias, aplicativos e até mesmo a moda. 

Logo, alguns sites de hospedagens, como SoundCloud e 4shared, foram surgindo e democratizando ainda mais a produção, divulgação e os downloads das músicas. Muitos artistas, inclusive a própria Lana Del Rey. Divulgava demos, músicas, singles oficiais, para downloads de forma gratuita. Esses sites acabaram também se tornando uma forma de cantores de “vazarem” suas próprias canções, quando as gravadoras não queriam lançá-las. 

Com o tempo, redes sociais e sites voltados para músicas e vídeos, foram perdendo espaço, e fotos e textos se tornaram o principal meio de utilizar essas plataformas. Deixando tudo bem segmentado, YouTube para os vídeo clipes, Instagram e Facebook para ensaios fotográficos, capa do álbum, ou pequenos teaser, Twitter para diálogos com os fãs. E aí cada artista se virava para ser o mais criativo, desde Madonna lançando o clipe no Snapchat, e divulgando álbum no Grindr, até Hilary Duff criando uma conta no Tinder para divulgar sua música Sparks. 

Até que chega o app do momento, Tik Tok. A rede social já era uma febre entre os mais novos, de 12 a 15 anos, mas com a chegada da pandemia e o isolamento social, as opções de lazer diminuíram, e o app se tornou o mais popular e o mais baixado. De acordo com uma pesquisa da Nikkei, desde 2018 o app mais baixado era sempre o Facebook.

Porém o Tik Tok trouxe algo, que até então era uma novidade. Além de apresentar novos cantores e músicas, o app também foi responsável por resgatar canções e artistas do passado, os colocando de volta nas paradas de músicas. 

Doja Cat, é uma das artistas que mais lucram de forma espontânea com Tik Tok. Suas músicas naturalmente se tornam virais por lá. A primeira foi Say So, canção do seu segundo álbum de estúdio, nunca esteve nem mesmo cotada para ser single comercial, mas enquanto a cantora divulgava outra canção do álbum, Say So se tornou a música mais executada nas plataformas de streaming, ao ponto de começar a ser pedida nas rádios, inclusive no Brasil. 

Não tinha para onde correr. A música se tornou single, foi uma das músicas mais tocadas no ano de 2019 e 2020, foi indicada ao Grammy, ganhou diversos prêmios. E não parou por aí, quando foi escolher o último single do então álbum, uma outra música já era viral no Tik Tok. E mais uma vez o app decidiu o novo single, a música inclusive foi lançada com o remix de acordo com desafio que acontecia lá no aplicativo, recebendo o nome de Streets (Silhouette Remix). Atualmente em seu terceiro álbum de estúdio, Doja já conta com três músicas que são temas de trends no app.

Bella Porch, era uma só uma usuária do Tik Tok, logo se tornou a terceira conta com mais seguidores da rede social. Isso rendeu a ela contrato com uma gravadora, e sua música de estreia Build a B*tch, se tornou uma das mais tocadas no app, mas também foi parar nas paradas de charts de todo o mundo. O clipe da música se tornou o mais visto em 24 horas, batendo o recorde que pertencia a good 4 u, de Olivia Rodrigo. 

Mas não é só de novos cantores que o Tik Tok se nutre. Recentemente o app trouxe de volta para as paradas de charts e também das plataformas de streaming músicas como Bills, Bills, Bills, do grupo Destiny’s Child, lançada em 1999. Runaway da cantora Aurora, lançada em 2015, Unlock It da Charli XCX, lançada em 2017, Nelly Furtado teve três canções do seu álbum Loose de 2006, que se tornaram virais, inclusive um mashups, da canção Motive de Ariana Grande e Doja Cat, com Promiscuous. 

O poder de influência do Tik Tok. na indústria musical é inevitável. Não tem como negar a forma que o app dita o que será as novas tendências musicais, ao mesmo tempo que isso democratiza o acesso a música, possibilitando que qualquer um possa ter uma grande música de sucesso. Por outro lado, cria-se o costume de produzir canções para serem viralizadas, tornando as novas músicas cada vez mais superficiais. Mas como podemos observar, existem os prós e os contras e também não é como se esse movimento fosse recente.

Abaixo você pode acompanhar um infográfico com artistas que surgiram e/ou foram popularizados por conta das redes sociais.

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