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A montanha russa do desemprego no Brasil

Divulgação/Internet

Por Luiz Filho

A taxa de desemprego no Brasil nos últimos dois anos tem sido um verdadeiro sobe e desce. E por conta da pandemia causada pela COVID-19, as quedas foram mais presentes que as subidas.

Em 2020, por exemplo, a taxa de desemprego no país bateu o recorde. Foram 13,4 milhões de pessoas atingidas. Essa é a primeira vez, desde que começou a realizar a pesquisa, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra tamanho número de desempregos por ano.

As consequências da falta de emprego atingiu o aumento de um outro dado. Cresceu o número de desalentos, que é como são chamados aqueles que desistem de buscar emprego pelo IBGE, ao todo foram 5,5 milhões de pessoas.

Vitória Junqueira de 27 anos, foi uma das que entraram para estatísticas de desalentos, após tanto procurar um emprego, desistiu e focou em estudar. “Pandemia, obviamente, pegou todos de susto, e durou mais do que imaginamos. Fiquei durante um tempo recebendo menos, depois a empresa decidiu suspender o contrato, com promessa de volta, até que veio a demissão. Isso tudo em um prazo de quatro meses. Depois eu me vi em uma busca incansável que durou mais de cinco meses”.

Bom, mas se no ano anterior, foi de grandes quedas, em 2021 os números de vagas emprego tem crescido cada vez mais. Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) no último dia primeiro, foram criadas 280.666 novas vagas de trabalho formal no país no mês de maio. No período, foram 1.548.715 admissões e 1.268.049 desligamentos.

Proprietário de uma loja de cosméticos em Palmas, Henrique Gomes, começa a ver melhora no mercado. “Nós começamos com o número bem abaixo do comum do nosso quadro de funcionários. Tivemos algumas demissões que foram necessárias, mas agora já repomos a quantidade de pessoas. Até conseguimos contratar pessoas que foram demitidas ano passado”.

De acordo com o ministério da Economia, foram 38,2% a mais de admissões que demissões no período entre janeiro e maio de 2021 em comparação com o ano passado. Em maio de 2020, o país fechou 373.888 vagas com carteira assinada.

No Tocantins, por exemplo, entre os meses de abril e maio deste ano, foram realizadas 2.543 contratações de empregos formais só na área da construção civil, contra 1.687 demissões. Comparando com os números referentes a 2020, foram 1.361 admissões contra 1.495 demissões. Só no mês de junho, o Sistema Nacional de Emprego (SINE) ofertou mais de 500 vagas em todo o estado do Tocantins.

Cristina Fernandes, foi uma das tocantinenses que conseguiu emprego nos últimos meses. “Eu estava já no ponto de não saber mais o que fazer. Estava até pensando em pegar um dinheiro guardado e começar a fazer marmita para vender. Porém acabei conseguindo uma vaga para balconista em uma farmácia em Taquaralto, e agora só alegria, pois é carteira assinada”.

Porém, em contrapartida aos aumentos das vagas de empregos, um dado que preocupa é a grande queda de trabalhos com carteira assinada no setor privado, segundo a CAGED. E embora o emprego informal tenha tido uma queda em 2020, isso não significa que as pessoas estavam em vagas formais, mas por falta de vagas de fato. 

Caroline Antunes se viu em uma situação difícil para poder continuar a trabalhar. “No auge da pandemia em 2020, veio a informação que seríamos todos demitidos para sermos contratados sem carteira assinada. Isso foi acontecendo aos poucos, imagino que para conseguirem pagar todos os direitos. Hoje trabalho sem carteira assinada. Foi uma forma de garantir nossos empregos, e embora tenhamos tido a promessa que após tudo se normalizar, teremos nossas carteiras assinadas novamente, não acredito que isso vá acontecer. O Governo Federal deu muita liberdade para as empresas lidarem com nossos empregos”.

Antes de conseguir o atual emprego, Cristina Fernandes apontou situações diferentes, das quais já estava acostumada a procurar empregos. “Antes de conseguir esse emprego, tive situações que, particularmente, desconhecia e nunca passei. Por exemplo: em uma ocasião de entrevista queriam negociar o salário, se assinasse a carteira, receberia uma quantia, mas se fosse contrato de gaveta eu receberia uma quantia maior, porém não teria nenhuma segurança. Em outra situação, o recrutador me perguntou se eu tinha interesse em vender minhas horas de almoço”. 

O cenário que o Brasil está vivendo agora, seria de uma “pós-pandemia”, os empregos crescendo, o comércio voltando a movimentar a economia, bares voltando a encher, as pessoas começando a se aglomerar, porém ainda estamos em meio de uma pandemia. Embora seja muito positivo o aumento dos números de vagas de empregos formais e contratados, a situação é insegura para o trabalhador. 

Para poder garantir o emprego, os empregados estão precisando aceitar situações e cláusulas prejudiciais. Tirando alguns direitos básicos que os asseguram justamente em cenários de pandemia, como estamos vivendo atualmente. Direitos como hora de almoço, férias, décimo terceiro, vale alimentação, vale transporte, e até mesmo estrutura sanitária segura de trabalho.

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