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Agências de comunicação de Palmas: crescimento vs. desafios em meio a pandemia

Por Luiz Filho

A pandemia causada pela Covid-19 afetou todos os setores, gerando uma crise financeira e de saúde em todo o mundo. Na área da comunicação não foi diferente, foi preciso se adaptar. Logo no início da pandemia, por volta de março/abril, grandes grupos de agências de comunicação, que atuam nos Estados Unidos, França e Brasil, tiveram que realizar demissão em massa, suspender temporariamente os contratos e reduzir o salário, para poderem continuar ativas.

Mas, hoje, enquanto alguns setores ainda sofrem com a pandemia, a área da comunicação sentiu, possivelmente, só o primeiro impacto da crise, uma vez que as marcas e empresas precisaram remodelar seus formatos de vendas e divulgação, necessitando diretamente dos profissionais de comunicação para realizar ações que gerem o aumento de vendas e a presença. 

Para Vanessa Monteiro, sócia-proprietária da agência Cajuí Propaganda, o início da pandemia foi mais difícil, mas depois foi possível se estabilizar. “No início da pandemia tudo ficou muito incerto, portanto tivemos uma queda de clientes considerável, mas três meses depois conseguimos reverter esse cenário e hoje temos uma carteira de clientes sólida visando 90% em estratégias digitais”.

Este cenário resultou em uma aceleração de ‘novos’ modelos de trabalho e ações de agências de comunicação de um modo geral, quer seja internamente ou externamente, como forma de oferta de serviços. De acordo com a jornalista Graziela Guardiola, hoje CEO da agência Precisa Assessoria de Comunicação e Clipping, o cenário potencializou o modo de trabalho do setor da comunicação. “As empresas começaram a dar mais atenção a comunicação e a divulgação. A concorrência passou a ser global e não mais local. Aquelas empresas que apostaram em marketing de diferenciação, em novas formas de comunicar e inovaram, essas, com certeza, tiveram bons resultados”.

Para os profissionais da área, vários desses modelos de ações já eram uma realidade e até mesmo ofertados, porém quem precisou entender e aceitar, de forma rápida foi o cliente. O e-commerce e a presença digital passou a ser de extrema importância, para marcas e empresários, e até aqueles comerciantes locais, mais resistentes, tiveram que se adequar, para poder manter sua empresa lucrando de alguma forma, durante a pandemia.

Para Diego Avelino, CEO da agência AZ+, a pandemia acabou fazendo com que empresários e marcas entrassem de vez na “Era Social Digital”. Segundo o CEO, nos próximos 10 anos, todos os olhares estarão voltados para o marketing digital. Exemplo disso já é as novas adequações nas principais plataformas (facebook e instagram) voltado para vendas, na retomada dos sites não só os institucionais, mas os e-commerces e marketplaces e na integração de outros veículos de comunicação”.

Um levantamento realizado pela NZN, criadora de verticais no Brasil, com 1,7 mil entrevistados, apontou que 71% dos entrevistados, afirmam que pretendem aumentar o volume de compras online. Além disso, 69% dos entrevistados acreditam que a chegada do vírus vai mudar seus hábitos rotineiros de modo geral.

Embora algumas agências tenham precisado fechar as portas, outras abriram em meio a pandemia, como é o caso da ELEVE Marketing Digital e Propaganda. Segundo Priscilla Calaça, CEO da agência, o cenário de pandemia criou certa insegurança, mas ela viu ali uma oportunidade. “Cheguei a conclusão que agora mais do que nunca o Marketing Digital e as ações publicitárias ganharam força, ou seja, empresas que não priorizavam a tecnologia e a internet, se viram sem saída para continuar de portas abertas”.

Porém, ainda que se faça necessário neste momento, o setor da comunicação ainda passa por período de aprovação, se assim podemos chamar. De acordo com Vanessa Monteiro, um dos principais desafios das agências em Palmas, é fazer com que seu trabalho seja valorizado pelos clientes. “A maioria dos empresários locais começaram a enxergar a comunicação digital como essencial agora, porém, na contramão disso, não conseguem enxergar o valor desse trabalho”.

Ainda de acordo com a sócia-proprietária da agência Cajuí Propaganda, parte dessa desvalorização pode vir justamente dos profissionais da área. “Muitos colegas da área praticam essa política de não valorizar o seu próprio trabalho, praticando valores irrisórios e insustentáveis para uma concorrência saudável, não levando em consideração a valorização da equipe e das ferramentas de apoio em uma empresa de publicidade”.

Segundo Sarah Mary Pires de Souza, gestora da agência Kiw Assessoria de Comunicação, falta a valorização do mercado, mas também dos próprios profissionais. “É necessário mesmo o público valorizar o prestador de serviço e pagar o preço de mercado, e por sua vez o prestador de serviço se valorizar e exigir um valor digno e razoável pela prestação do serviço”.

A valorização do profissional, influencia diretamente no mercado da comunicação, principalmente em Palmas, que ainda é um setor, relativamente, pouco explorado. De acordo com Priscilla Calaça, as empresas estão percebendo que a hora de aparecer é agora. “Desde que abri a agência eu tenho tido um contato estreito com proprietários de outras agências, e nessa troca de experiências pude perceber que há espaço para todos e ainda sobra, já que Palmas só cresce a cada dia e com ela o número de empresas que precisam de profissionais de comunicação”.

O espaço para crescimento da comunicação em Palmas é grande e necessário. “Muitos empresários ainda se comunicam como na década passada e estão perdendo boas oportunidades de crescimento. E os profissionais da comunicação ainda não ocuparam espaços que, na minha opinião, deveriam ser ocupados por eles”, ressalta Graziela Guardiola.

Mas as adaptações não ficaram só por conta dos clientes, internamente, foi preciso rever o modo de trabalho. O home office se tornou uma realidade para a área, de acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de cibersegurança Fortinet, 30% das empresas devem seguir trabalhando de forma remota pós-pandemia.

Segundo Sarah Mary, o trabalho remoto tem tido um desempenho positivo. “O home office está funcionando muito bem, apesar de gostar muito do contato face a face, talvez seja um ponto para ser revisto ao final dessa pandemia, levando em consideração a economia com aluguel, água, luz, entre outras”. Ainda de acordo com a gestora, a pandemia gerou mais responsabilidade, fazendo com o que os funcionários tenham se tornado muito mais proativos com as demandas internas.  

O formato home office, ou remoto, antes mesmo da pandemia causada pelo coronavírus, tem sido visto como o modelo do futuro, e com o regime de distanciamento social, acabou pegando empresas e funcionários de surpresa, embora, no início, tenha sido dificultoso, o regime já tem sido visto com bons olhos.

Além do modelo de trabalho, as reuniões presenciais precisaram passar por adaptações. De acordo com Diego Avelino, reuniões por videoconferência, era uma realidade já na agência, mas agora foi aperfeiçoado, para que pudesse ter um ótimo resultado. “Adotamos videoconferência para o dia a dia da agência. Estas reuniões facilitam bastante o andamento e a agilidade de toda a tramitação junto ao nosso atendimento, produção e aprovação dos serviços”.

Mas para a CEO da Precisa Assessoria de Comunicação e Clipping, Graziela Guardiola, ainda é cedo para fazer avaliações a respeito de medidas utilizadas durante a pandemia, para o pós-pandemia. “A mudança para o home office não afetou nossa produtividade e entrega, em contrapartida, os eventos e as ações presenciais praticamente não existem mais. Então, somente com o retorno das atividades presenciais teremos condições de avaliar o que poderá ser mantido”.

Dentre tantas adversidades causadas pela pandemia, o setor da comunicação obteve a oportunidade para ser reconhecido, mesmo que em um cenário negativo. Neste aspecto, estamos falando de um reconhecimento global, e não somente de grandes centros em que a área de comunicação é valorizada.

Cabe agora aos profissionais valorizarem suas profissões e trabalhos, de forma que o mercado, saiba reconhecer e valorizar a profissão, para desta forma, seja também valorizada financeiramente. Além disso, é fundamental que os próprios profissionais, que atualmente ocupam a posição de chefes e proprietários de empresas de comunicação, saibam remunerar e capacitar seus funcionários de forma justa, adequada, e inovar para que o mercado local possa sair da mesmice. 

Para Palmas, isso é muito importante, não só para o crescimento do setor de comunicação, mas também para o desenvolvimento do comércio local. Uma vez que as empresas de comunicação e profissionais da área começam receber o devido reconhecimento para o mercado, mais e mais comerciantes conseguem sair do amadorismo, e colocar suas marcas e empresas bem posicionadas, não só aqui, mas para todo país, quiçá ofertar produtos e serviços para fora do Brasil.

Se você já é um profissional de comunicação e está pensando em abrir um negócio, ou ainda está fazendo/vai ingressar em algum curso de comunicação, abaixo os cinco profissionais entrevistados para esta matéria deram algumas dicas:

Vanessa Monteiro Silva – Sócia-Proprietária da Agência Cajuí Propaganda

Assim como em outras profissões, na área da comunicação apenas o diploma da universidade não é suficiente, trata-se de um mercado de atualização constante e isso precisa fazer parte do objetivo de um comunicólogo. Cursos online, livros, networking com outros profissionais da área, tudo isso contribui;

A faculdade não vai te ensinar tudo da comunicação. A prática e cada cliente têm as suas particularidades, você vai aprender mais ainda no dia a dia. Esteja com o olhar sempre atento e observe o comportamento das pessoas, afinal comunicação é feita de pessoas para pessoas;

Ter um olhar 360º enxergando a comunicação para além do digital. Muitas pessoas gostam de dizer por aí que o marketing tradicional acabou, mas não acredito que seja verdade. O marketing tradicional e o digital se complementam se pensados como uma boa estratégia.

Graziela Guardiola – CEO da Agência Precisa Assessoria de Comunicação e Clipping

Faça faculdade, antes de tudo. Durante a faculdade, faça estágio em todas as áreas que conseguir, conquiste o máximo de experiência. Nas férias da faculdade, faça cursos on-line que existem aos montes, inclusive de graça na internet. Experimente as várias áreas da comunicação e decida pela que mais te agrada. No último ano da faculdade, faça cursos e estágios mais voltados para essa área e não pare de estudar nunca.

Priscilla Calaça – CEO da Agência ELEVE Marketing Digital e Propaganda

Vá fundo, estude, pois a base teórica é fundamental, procure não ficar só em um nicho já que a comunicação possibilita que o profissional atue em vários setores, aprenda a fazer de tudo um pouco dentro da profissão e não tenha medo de desafios.

Sarah Mary Pires de Souza – Gestora da Agência Kiw Assessoria de Comunicação

Comece! Pois muitos ficam uma vida pensando e planejando e nunca executam. É preciso não ter medo e ao mesmo tempo ter cautela. E mais, quer empreender? Procure antes o Sebrae e faça o Empretec.

Diego Avelino – CEO da Agência AZ+ 

Mergulhe nessa profissão, pois ela é a mais procurada hoje e daqui os próximos 10 anos com certeza! Estude todos os dias pra você não ‘passar’, como eu costumo dizer, “fulano passou, empresa passou, agência passou”, se atualize e procure sempre entregar mais do que as pessoas esperam, assim, mesmo às vezes você não sendo, já ouviu aquela expressão “O cara” você vai fazer a sua parte e surpreender quem precisou do seu serviço. Estamos aqui para solucionar problemas e não para criar mais problemas para eles, então o básico é um bom começo. Entregue sempre no prazo.

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