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ANTES DE MORRER: ASSISTA!

MULHER MARAVILHA 1984

JÁ DIZIA DO DITADO: “TEM QUE LACRAR PARA LUCRAR”

Foto: Divulgação/Internet


Coluna por Nathan Scano

Em 2017 foi lançado o primeiro filme live-action da maior heroína da DC comics, e talvez de todas as heroínas existentes mesmo nos concorrentes, como a Marvel. Mulher Maravilha (2017) surgiu na já consolidada “Era dos filmes e séries de heróis”, mas com um diferencial: era o primeiro filme solo de uma super-heroína desde que essa Era tinha entrado em curso com o Universo Expandido Marvel.

Desse modo, o filme de 2017 tinha uma responsabilidade absurda, além de um papel chave no que tange a representação feminina nos filmes de heróis. Assim, o primeiro Mulher Maravilha por sua importância foi deveras “passado pano”, pela crítica e público, nos inúmeros defeitos do que se propunha e do peso que carregava em comparação com o que foi apresentado. Entretanto, no caso da sequência que, por sua vez, demorou três anos para chegar ao público, o “pano” já está “desgastado” demais para ser passado.

Mulher Maravilha 1984 (2020) está em cartaz nos cinemas e traz novamente Patty Jenkins na Direção e Gal Gadot como estrela do Longa. O segundo filme ocorre quatro décadas após os acontecimentos do primeiro, ou seja, um salto da segunda guerra mundial para a Década de 80. O que tem uma certa positividade, já que se comparar ambos os filmes, fica perceptível a mudança de tom, fotografia e ritmo na Direção da ação e do filme em si. Nem ao menos a trilha sonora de quando Diana entrava em ação, composta pela guitarra que dava o ar badass e se tornou uma marca registrada da personagem no cinema. Mas não se engane os dois filmes não são completos opostos, é mais complexo.

Patty Jenkins já demonstrou a muito tempo que é uma excelente diretora, vide Monster (2003) que rendeu um Oscar a Charlize Theron. Porém no primeiro filme da heroína da DC, é claramente marcado por uma mistura do estilo da diretora com o de Zack Snyder (que inclusive dirigiu algumas cenas de ação do filme na época). O exagero de câmera lenta, a fotografia escura e o tom mais sério e sombrio são marcantes no primeiro Mulher Maravilha, ao menos antes de se tornar Dragon Ball Z no último ato.

Foto: Divulgação/Internet

Já em MM84, vemos uma certa emancipação de Jenkins em relação ao estilo de Snyder, justamente nos pontos já citados: fotografia e design de produção extremamente vibrantes e coloridos que servem para compor o clima dos anos 80, além da direção de ação que agora dosa melhor o uso de slow motion e deixa mais ritmado e frenético quando necessário.  Porém ainda existe exagero, para ser bem curto e grosso: o filme inteiro é uma hipérbole.

Tirando a ação bem dirigida na maioria das vezes, o roteiro é fraco, tem uma história genérica e um vilão principal na mesma medida, a protagonista tem carisma, mas seus dilemas se resumem novamente a um homem que está apaixonada, no caso, o mesmo homem do primeiro filme que retorna convenientemente dos mortos através de uma facilitação narrativa.  Talvez o único ponto realmente grandioso do filme é a personagem da Kristen Wiig, que tem o melhor desenvolvimento, construção e motivação, além é claro, de uma maravilhosa interpretação da atriz, que faz milagre em um roteiro tão pobre. Todavia, a mulher leopardo, personagem de Wiig, só realmente entra em ação após 90 min de filme, ou seja, a melhor peça do filme é deixada de lado e só realmente aproveitada quando já é tarde.

Mulher Maravilha 1984 é um filme bem abaixo da média, tem seus pontos positivos, mas que não dão conseguem suplantar a grande quantidade de problemas que ele apresenta. A obra tinha tudo para ser um excelente filme, mas a busca pelo lucro e o pedantismo falam mais alto, o que, por sua vez, resultou em filosofia barata em diálogos que poderiam ser escritos por crianças de 6 anos e uma protagonista com carisma, todavia que tem como único traço humano ou profundidade, sua relação com o seu par romântico.

Basicamente é um filme, como muitos outros feitos para lucrar em cima de representatividade, assunto sério e que merece atenção, no entanto ao ser capitalizado tende a apresentar esse tipo de abordagem chula. Assim sendo só vá ao cinema se realmente for muito fã da personagem e achar ser necessário para você, agora aos que não forem “tietes” ou “Dczetes”, espere sair em algum streaming, ou então nem assista.

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