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Após anos sem aumento, Taxa de Juros Selic sobe de 2% para 2,75% ao ano

Foto: Divulgação/Internet

Por Ivan Trindade

Após seis anos com apenas diminuições na taxa básica de juros (Selic) no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu aumentar em 0,75 ponto percentual, de 2% para 2,75% ao ano.  O número, apesar de parecer pequeno, representa uma grande mudança para o futuro da economia brasileira, principalmente se utilizarmos como recorte a atuação conjuntura na qual vivemos hoje, durante uma pandemia global.

A curto prazo, para a população em geral seja visto como pequeno, contudo, economistas hoje já afirmam que no longo prazo, a tendência de alta da Selic vai ter efeitos importantes no câmbio (ou seja, no valor do real perante o dólar) e na economia, com respingos na política brasileira, hoje polemizada em razão à algumas determinações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

 Muitos não sabem, mas a Taxa Selic impacta a rotina dos brasileiros de diversas formas. Selic é uma abreviação para Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Ora influenciando a taxa de juros praticadas em empréstimos ou financiamentos, a rentabilidade de investimentos ou mesmo o avanço ou a retração da economia.

 Na prática, a Selic serve como base para os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e outros produtos bancários. São diversos os objetivos que a taxa possui na economia nacional. Entre os principais deles estão: regular a inflação e garantir o controle da emissão, da compra e da venda de títulos públicos.

Raimundo Casé, economista que possui atuação no Tocantins reforçou em entrevista para  PMW Digital que a Selic meta é definida de forma colegiada pelo COPOM, sendo o Órgão do Banco Central responsável por estabelecer as diretrizes da taxa de juros e acompanhar a política monetária do país. “Suas decisões são colegiadas, em que participam o Presidente do Bacen e seus Diretores, a cada 45 dias”, disse.

Ainda conforme Casé, os principais aspectos considerados na definição da taxa Selic são o nível da atividade econômica, desempenho do PIB (Produto Interno Bruto), as projeções inflacionárias, a economia internacional e até mesmo o cenário político.

O economista analisou que os principais motivadores para o aumento da taxa base, foram o cenário externo e as políticas de incentivos das principais economias mundiais, comprometendo a atratividade dos títulos públicos; inflação com níveis acima do cumprimento da meta estabelecido pelo Bacen e, contínua elevação dos preços das commodities, tornando a pressão inflacionária persistente.

É tradição que após a definição da taxa Selic, o Bacen realize suas operações em mercado aberto (Open Market), ou seja, a compra e a venda dos títulos públicos da União. O objetivo disso, de acordo com o economista, é estabelecer o alinhamento da taxa de juros próxima ao valor definido nas reuniões do COPOM, a Selic meta. A taxa de juros Selic, portanto, referencia os demais juros da economia.

“A última elevação da taxa Selic, acontecera na reunião do COPOM de 29/07/2015 que aumentou a taxa de 13,75% para 14,25%, em 19/10/2016 começa a trajetória declinante até os 2%, o menor patamar histórico”, relembra Raimundo Casé sobre a data da última alta que a taxa teve. 

Possíveis novas alterações

Contudo, ainda conforme Casé, a expectativa de mercado antes da reunião dos últimos dias 16 e 17 de março/2021, sinalizava majoritariamente para uma elevação de 0,50% e a elevação de 0,75% de uma certa forma surpreendeu analistas de mercado. “Conforme sinalização na própria Ata do COPOM novas elevações podem acontecer ao longo dos meses de 2021e 2022”, disse.


Considerações finais sobre a Taxa de Juros Selic, por Raimundo Casé:

Considerando a fragilidade da economia nacional, a agudização da pandemia, a maior restrição ao número de beneficiários e queda do valor no auxílio emergencial, uma elevação menor da taxa sinalizaria para uma política monetária menos restritiva a retomada do crescimento econômico, a elevação da Selic deveria ser um  “meio do caminho” entre a necessidade da retomada do crescimento e o controle inflacionário. Devemos destacar, que a retomada do crescimento econômico, não dar-se-á tão somente pela variação da taxa de juros, mas um custo maior do crédito, não contribui para o aumento do nível de investimento e o consumo dos agentes econômicos.

Como a taxa Selic impacta diretamente no custo do dinheiro, nesse caso com a elevação, tornando-o mais caro, o efeito inicial pode sinalizar para um desestímulo ao processo de investimento e restrição maior ao crédito para o consumo, seja de bens duráveis ou não-duráveis, por outro lado, demonstra uma preocupação relevante da autoridade monetária com a persistente aceleração inflacionária, com efeitos deletérios principalmente nas famílias de baixa de renda.

Sendo a Selic a taxa base do mercado, seus impactos são abrangentes e influenciam os financiamentos de uma ampla gama de setores, de imóveis, aos automóveis, as máquinas, os equipamentos, etc. e até o retorno dos investimentos financeiros. Portanto, com o aumento da taxa referencial, os juros cobrados em financiamentos, empréstimos e aplicações são reajustados, cabendo aos agentes econômicos uma análise mais rigorosa dos custos e benefícios das suas decisões.

Material também publicado na 13ª Edição da Revista PMW Digital

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