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Calendário de 2021: retomada e atraso para alguns setores

Foto: Divulgação/Internet

Por Luiz Filho

O calendário de 2020 prometia ser um dos melhores, nos aspecto de feriados prolongados, seriam, ao todo, nove oportunidades de ficar três, quatro ou até cinco dias sem ter que ir trabalhar ou estudar. O que ninguém esperava é que uma pandemia assolasse o globo todo.

Não restam dúvidas que a pandemia afetou todos os setores, alguns já conseguem se recuperar, como é o caso da área de comunicação. Porém setores de turismo e de comércio, ainda estão engatinhando a passos lentos e inseguros.

Em relação a 2021, não será muito diferente, feriados que caíram em uma sexta ou quinta-feira no ano passado, se repetiram neste ano, devido ao fato de que 2020 foi ano bissexto, e por isso será menos um dia. Para este ano, o calendário prevê 11 datas de feriados nacionais, contando com Carnaval e Corpus Christi, que são datas extraoficiais.

Quatro datas caem em uma terça ou quinta-feira, segundas e sextas-feiras. Além disso, mais duas datas de feriado estadual e municipal, para Palmas, caem em dias de semana, favorecendo a prática de “emendar”, que é quando o feriado cai em uma quinta-feira, e aí por consequência, a sexta-feira, acaba virando um dia vago, aumentando ainda mais os dias de feriado.

Para o comércio local a quantidade de feriados não é visto como algo bom. De acordo com Silvan Portilho, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Palmas (CDL Palmas), essa quantidade de feriados não é positiva, uma vez que são mais dias que as lojas ficarão fechadas. “Sabemos que uma grande quantidade de feriados prolongados tem um impacto negativo sobre o comércio, pois são dias em que a empresa deixa de trabalhar”.

E se o planejamento para 2020 caiu por conta da pandemia, o comerciante agora terá que se planejar com antecedência para este ano, visando o cenário de que ainda estamos em uma pandemia e sem projeções para o fim. “O empresário precisa se programar bem, fazer um bom planejamento, para assim minimizar os prejuízos”, ressalta Silvan Portilho.

Porém o comerciante e empresário, não crê que seja o feriado o real problema para vendas locais, mas outro fator. De acordo com Senhor Antônio Nascimento, que tem um ponto comercial na Avenida JK, a razão é falta de investimento e planejamento. “Hoje nós temos duas avenidas principais na cidade, a Teotônio Segurado e a JK. A Teotônio faz ligação de um extremo ao outro de Palmas, e a JK é o nosso ponto comercial, que só funciona de segunda a sexta em horário de comércio e no sábado até meio dia, nos outros dias isso aqui morre”.

Para o comerciante é preciso um plano que faça o centro da cidade existir para além do horário comercial. “Chega a noite, por exemplo, isso aqui fica deserto, a avenida mais movimentada de Palmas, se ‘apaga’, tudo fecha, final de semana a mesma coisa. Eu que trabalho aqui durante a semana vendendo minha comida, não consigo abrir no final de semana ou feriado, pois aqui não tem nada. Mas poderíamos ter programações aqui, que seriam legais. Ano passado fui em São Paulo visitar minha filha, e ela me levou numa avenida lá [Avenida Paulista], que fica fechada para carro passar no domingo, e as pessoas vão andar de bicicleta, tem ambulantes e barraquinhas, as famílias vão juntas, isso é uma ideia legal. Pensa se aqui isso acontece [Avenida JK], eu poderia vir abrir e aumentar minhas vendas”.

Por outro lado, para o setor de turismo, essas datas são essenciais para uma possível recuperação da área. Um levantamento realizado pela Fecomércio, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, durante a pandemia, o turismo no Brasil sofreu uma queda no faturamento de 33,6%, entre os meses de janeiro a agosto, comparado ao ano de 2019.

O que motivou essa queda foi a diminuição nas viagens aéreas, uma retração de 68,8% e pelos serviços de hospedagem e alimentação, que teve uma retração de 43,2%. Outro fator que impactou diretamente a queda foi o cancelamento ou adiamento de atividades culturais, recreativas e esportivas, além do fechamento para visitação em parques nacionais, arquipélagos, ilhas e praias em todo o país.

Segundo Carol Duarte, que trabalha em um hostel em Palmas, feriados prolongados tem suas vantagens e desvantagens para o setor do turismo local. “O que ocorre com feriados longos, é que as pessoas tendem a sair da cidade, se os próprios moradores saem daqui, nós já perdemos aí uma parcela de possíveis turistas, já que parte deles vem para Palmas por conta de parentes ou amigos que aqui residem. Porém nós temos a vantagem de ter um outro grupo de pessoas que são as que vem para a capital por conta do turismo de aventura ou natureza, neste aspecto, os feriados prolongados proporciona que essa demanda de turistas consigam ficar mais dias, ainda que eles cheguem em Palmas e fiquem apenas dois dias hospedado para depois partir para destinos como o Jalapão. Naturalmente eles fazem uma divulgação espontânea dos nossos serviços, e em tempo de pandemia, duas diárias, já é uma ingestão de capital na renda mensal”.

A falta de uma campanha eficiente que fomente o turismo na capital, ou no estado de um modo geral, seria uma das razões para que o turismo ainda seja pouco explorado em Palmas. Ainda de acordo com Carol, falta incentivo e atrações. “Por exemplo, para ir até o Jalapão, para sim ou não, o turista ele precisa passar por Palmas, o que faz com que ele fique pelo menos um dia hospedado, porém nós não conseguimos fazer com que essa viagem seja estendida, já que não contamos com atrativos turísticos de fato na capital. Outro fator são as opções de lazer aqui. Quem quer ficar numa cidade em que os bares costumam fechar meia noite? Que você liga para pedir uma comida, mas não fazem entrega? É preciso um plano total, pois são serviços que se complementam. Se temos um comércio alinhado com o setor de turismo, mais um plus de atrativos, temos chances de fazer com que os turistas não venham à Palmas, só para ir até o Jalapão, mas que fiquem aqui e gastem aqui”.

“Outra coisa que é necessário ter em mente e com urgência em Palmas, é que datas comemorativas precisam ser comemoradas! Carnaval é época de festa, Réveillon também é, e assim por diante. Eu já fui turista de Palmas por causa do carnaval, foi assim que conheci meu marido e mudei para cá. Saía de Florianópolis para vir no carnaval daqui. Hoje em dia, carnaval aqui é motivo de briga. Acho válido o carnaval da fé, mas tão válido quanto, carnaval de folia, trio, festas. Atrai turistas, cresce o número de compras no mercado interno da cidade, além de criar uma tradição que proporciona que as pessoas possam se organizar com antecedência, como comprar passagens e reservar hospedagem”, ressalta Carol Duarte.

Mas muito ainda pode acontecer, como por exemplo, as datas do carnaval, comemorado tradicionalmente em fevereiro, sofreram alterações e as festas ocorrerão somente na segunda metade deste ano em três capitais com maiores movimentações nesta época, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Neste aspecto, as datas do ferido podem ser transferidas, extraordinariamente, junto com as comemorações.

Outro fator que pode atingir as datas são alguns projetos de lei apresentados por deputados federais, em que pedem a suspensão de feriados no período pós-pandemia, como uma forma de recuperação do setor econômico do país. Vários desses projetos pediam a validação ainda em 2020, porém nenhum chegou a ser aprovado, e alguns foram anexados a outro projeto de lei apresentado em 2016 e que já estava na Câmara dos Deputados desde 2019.

A autoria do projeto é do senador Dário Berger (MDB/SC). O PL 3797/19 propõe que sejam comemorados por antecipação, na segunda-feira da mesma semana, os feriados que caírem nos demais dias da semana. O texto prevê que algumas exceções são necessárias, como por exemplo, os feriados que caírem nos sábados e domingos. Outras datas nacionais também estão previstas exceções como: Confraternização Universal; Carnaval; Sexta-Feira Santa; Dia do Trabalho; Corpus Christi; Dia da Independência; Nossa Senhora Aparecida; Padroeira do Brasil e Natal. Além disso, ressalva as datas reservadas para o disciplinamento pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios.

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