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Como o Tocantins se manteve durante a montanha-russa da crise de empregos e fechamento de empresas no primeiro semestre de 2021?

Imagem: Estadão

Por João Pedro Gomes

Em média, 377 pessoas perderam seus empregos por hora no período de um ano. Os dados assustadores foram divulgados pela consultoria IDados com base nas informações de abril deste ano, os últimos à disposição pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. No total, 3,3 milhões de indivíduos ficaram desempregados neste período, e o pico recorde de desocupação foi no início deste ano.

Desde o começo da pandemia de Covid-19 ainda no início do último ano, famílias brasileiras têm vivido crises emocionais causadas pelo medo de serem atingidas por essa doença: seja por algum ente querido morrendo ou pela perda do emprego durante a situação caótica em que o país se encontra, principalmente com a alta do preço de gasolina, alimentos, gás de cozinha, energia elétrica e outras coisas essenciais para o ser humano. 

O analista da consultoria IDados e responsável pelo levantamento, Bruno Ottoni, explicou ao G1 que “A partir de abril, maio e junho (de 2020), houve uma retração muito grande do emprego, o que mostra que a pandemia afetou fortemente o mercado de trabalho […] A partir de agora, o que a gente vai ver provavelmente é esse número ficando cada vez menos negativo e, em algum momento, ele deve passar para o terreno positivo”, previu. 

Mas, no meio disso tudo, como o Tocantins esteve? O desemprego aumentou? As empresas fecharam as portas? É o que a PMW Digital procura responder.

Geração de emprego no Tocantins

Desde o caos pandêmico que teve início ainda no último ano, o mercado de trabalho tem vivenciado uma verdadeira montanha-russa. Ainda em 2020, o país atingiu a assombrosa marca de 13,4 milhões de desempregados, sendo o maior número registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde o início das pesquisas realizadas pela instituição. Além disso, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) informou que, no setor privado, houve grande queda no número de vagas de emprego com carteira assinada, dando margem ao aumento de vagas informais e também à falta de empregos, no geral.

Apesar de toda essa lamentável inconstância no país, o Tocantins conseguiu se manter positivo neste espaço de tempo. Um levantamento do Novo Caged, da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, apontou informações dos primeiros quatro meses deste ano, e registrou 4.995 admissões e 3.877 desligamentos, finalizando o período com um saldo positivo de 1.118 empregos formais gerados no setor de serviços, em Palmas.

Na capital tocantinense, o setor da construção civil foi o mais desenvolvido: 8,25% de crescimento neste período, um aumento otimista, visto que o setor citado fechou o último ano com saldo negativo de 2,08%. Em seguida, o agrupamento indústria se destaca com variação relativa de 4,6%, seguida pelo comércio, com 3,58%. Por fim, vem a agropecuária, que desligou 17 trabalhadores da área e admitiu 26 novos, terminando o período com 2,46% de índice de geração de trabalho. Os números foram decisivos para que Palmas conseguisse se estabelecer como a segunda melhor capital do país no período, com 3,27% de variação relativa na geração de empregos.

Já os meses de maio, junho e julho deste ano também apresentaram números positivos para o comércio no Tocantins. Em maio, apesar de 1.760 desligamentos, o Estado registrou 2.187 admissões, resultando em 427 vagas geradas. Em junho, o saldo continua positivo, fechando o período com 403 novas oportunidades de trabalho. Já em Julho, último mês registrado, o quantitativo também se manteve otimista: 581 novas ocupações formais.

A Secretaria do Trabalho e da Assistência Social afirmou, por meio de nota, que este ano tem sido positivo na geração de empregos para os tocantinenses, apesar dos pesares: “Conforme declaração da gerente do Observatório do Trabalho do Tocantins, Willany Bezerra, o Tocantins foi fortemente impactado pela Pandemia nos meses de maio e junho de 2020, mas nos meses subsequentes foi reagindo e durante todo esse ano apresentou saldos positivos na geração de novos postos de trabalho no setor de comércio”, finalizou.

Abertura de empresas durante a pandemia

E como é o cenário na abertura de empresas durante o ano? O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) apontou que de janeiro a julho de 2021, houve um crescimento de 9,37% na abertura de Pequenos Negócios, o que engloba as 13.372 novas empresas que abriram. Já as Microempresas aumentaram em 4,05% com 2.891 novas empresas de pequeno porte. O número de Microempreendedores Individuais (MEIs) também aumentou: 10.481 pessoas criaram seus CNPJs, o que resulta em 14,68% de crescimento. Isso é um reflexo de que, num cenário caótico, o Brasil já esteve pior. 

Imagem: SEBRAE

Dentre os setores que tiveram uma evolução neste ano, o melhor resultado foi o de Serviços, que disparou com 45.89% dos CNPJs abertos durante os sete primeiros meses do ano, o que engloba 6.136 empresas. Em seguida vem o Comércio, com 4.898 novas aberturas, o que contempla 36,63% dos casos. Construção Civil, Indústria e Agropecuária são os seguintes, com 8,21%, 7,84% e 1,43% das aberturas, respectivamente. Confira abaixo os 10 segmentos com maior abertura por Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) Principal: 

Imagem: SEBRAE

Em nota, o SEBRAE informou que dentre as cidades tocantinenses com maior número de empresas abertas, Palmas ocupa disparadamente o primeiro lugar, com 4.608 (34,46%) novos CNPJs; seguida por Araguaína, com 1.717 (12,84%) casos. Gurupi completa o pódio em terceiro lugar, com 826 (6,18%) novas empresas. Porto Nacional (4,86%), Paraíso do Tocantins (3,89%), Colinas do Tocantins (2,51%), Guaraí (1,38%), Dianópolis (1,14%), Formoso do Araguaia (1,14%) e Miracema do Tocantins (1,14%) completaram o top 10 do ranking, o que, no quadro geral do Tocantins, representa 69,53% das novas Pequenas Empresas, com um total de 9.298.

Fechamento de empresas durante a pandemia

A outra moeda do jogo: segundo o SEBRAE, no período em questão, 0,395%, o que engloba 562 Pequenos Negócios, fecharam as portas. O número também não é tão grande no caso das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte: apenas 57 encerraram suas atividades, o que representa 0,08% dos casos. Os Microempreendedores Individuais representaram 0,71% dos encerramentos, com 505 MEIs fechados. Segundo o Sebrae, esses números foram os menores no intervalo de Janeiro a Julho em 11 anos, mesmo com a pandemia.

Imagem: SEBRAE

Já entre os setores que tiveram seu fechamento neste ano, o maior número foi o de Serviços, que despencou com 52,67% dos CNPJs fechados durante os sete primeiros meses do ano, o que engloba 296 empresas. Em seguida vem o Comércio, com 185 novos encerramentos de atividades, o que contempla 32,92% dos casos. Indústria, Construção Civil e Agropecuária são os seguintes, com 6,58%, 6,41% e 1,42% das finalizações, respectivamente. Confira abaixo os 10 segmentos com maior fechamento por Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) Principal: 

Imagem: SEBRAE

Dentre as cidades tocantinenses com maior número de empresas que fecharam as portas, Palmas ocupa disparadamente a primeira posição, com 235 (41,81%) casos; seguida por Araguaína, com 82 (14,59%) casos. Gurupi completa o pódio em terceiro lugar, com 50 (8,90%) novas empresas. Paraíso do Tocantins (3,91%), Porto Nacional (3,56%), Araguatins (1,96%), Colinas do Tocantins (1,96%), Dianópolis (1,96%), Miracema do Tocantins (1,96%) e Guaraí (1,25%) completaram o top 10 do ranking, o que, no quadro geral do Tocantins, representa 81,85% do encerramento das novas Pequenas Empresas, com um total de 460.

É possível concluir que, apesar do grande momento de crise e instabilidade em que o país se encontra por conta da pandemia de Covid-19, o Tocantins lidou bem com as crises. Apesar dos pesares, os índices são positivos em sua maioria, o que traz esperança para os trabalhadores e empresários brasileiros. 

Revisão por Ivan Trindade

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