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Contraditória Copa América de 2020 em 2021

Divulgação/Internet

Por Luiz Filho

No último dia 10 de julho, no Rio de Janeiro, no estádio do Maracanã, foi realizada a final da Copa América 2020, marcando a vitória da seleção Argentina contra a seleção Brasileira, com um placar de 1×0. Mas até chegar a final, essa edição da Copa América é, sem dúvidas, a mais polêmica e contraditória, que já ocorreu em todos os tempos.  

Em meio a pandemia causada pela COVID-19, enquanto todos os países da América do Sul seguem um protocolo de não aglomeração, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu dar aval para Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) em sediar a Copa América no Brasil. 

Na época, o Brasil não era nem mesmo cogitado para receber a competição. A Colômbia, que inicialmente sediaria, deixou de realizar o evento devido a questões sociais do país e também por grande pressão da população, que rejeitaram a ideia de ter um evento de tamanha proporção nesse período. Já na Argentina, segunda opção de sede, a recusa veio por conta da complicada situação sanitária em virtude da pandemia da COVID-19. 

E é neste cenário que a competição foi confirmada no Brasil. Com jogos acontecendo então em Brasília, Rio de Janeiro, Goiânia, Cuiabá e Vitória. Porém, foi só o começo de uma série de polêmicas que cercaram a edição de 2020 da Copa América, que somente em 2021 pode ser realizada, ainda que contra indicações de segurança. 

Supremo Tribunal Federal 

Após a confirmação do Brasil como sede, o Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou uma sessão de emergência para decidir a possibilidade de permitir a realização ou não do evento. Porém os votos foram a favor da realização da competição no país. 

População não aprovou

Assim como na Colômbia, a grande parte da população também não aprovou a realização da competição no Brasil. Especialistas da área da saúde e cientistas, também se mostraram contra, principalmente pelo receio da possível terceira onda de contaminação, pela falta de segurança sanitária e falta de leitos hospitalares em todo país, além, claro, das novas cepas que já tinham sido identificadas dentro e fora do país.

Importantes comentaristas e jornalistas esportivos, como Milton Neves e Luís Roberto, foram direto e se posicionaram contra a realização do evento, apontando não só a situação de uma pandemia não controlada pelo país, mas também pela saúde das pessoas que estariam envolvidas na realização da competição.

Participar ou não? Eis a questão 

Os capitães das dez seleções participantes, chegaram a organizar um manifesto, mostrando a insatisfação em disputar a competição. Porém com passar dos dias, possivelmente, por pressão interna das confederações, o manifesto perdeu forças. 

Enquanto isso no Brasil, muito se especulava sobre um possível boicote da seleção brasileira. De fato, a seleção utilizou as redes sociais onde publicou “somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à seleção brasileira”. E assim todos participaram.

Em outro trecho do manifesto diz “é importante frisar que em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política”. O posicionamento da seleção foi duramente criticado, principalmente pelo fato de que a fala em nenhum momento cita a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ou o atual presidente, Jair Bolsonaro.

Divulgação

Profissionais contaminados 

Em menos de um dia após o início da competição, quatro das dez seleções participantes tiveram confirmação positiva de contaminação. Segundo o Ministério da Saúde foram confirmados 52 casos positivos, sendo 33 entre jogadores e membros das delegações e 19 prestadores de serviços.

Outro fator importante a ser levado em consideração é que jogadores das seleções da Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru, vieram para a competição de países onde existem ao menos 6 variantes do coronavírus. 

Um dos casos mais notórios, foi o da delegação da Venezuela que teve 13 membros contaminados, com a variante gama, de Manaus. A delegação estava em Brasília quando foram diagnosticados, e precisaram ficar em isolamento na capital federal, até passar o período de quarentena. Além dos venezuelanos, dez terceirizados que trabalhavam no Estádio Nacional Mané Garrincha, três funcionários de hotel onde a equipe estava hospedada e um integrante da equipe da Conmebol foram infectados. 

Mas não para por aí, pesquisadores apontaram que  tanto a Conmebol quanto o Ministério da Saúde falharam na transparência nas informações de infectados pela covid-19 durante a competição. Ou seja, nem mesmo a quantidade exata de contaminadas, podem ser tidas como certas. 

Número 24? Aqui não!

Após uma breve observação, foi notado que apesar de ter convocado 24 jogadores, a numeração das camisas pula justamente o número, saindo do 23 e indo para a camisa 25 do jogador Douglas Luiz. 

A entidade Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, entrou então com uma ação contra a CBF, para que a entidade explicasse por que nenhum atleta usa o número 24 na seleção. 

O juiz Ricardo Cyfer, em poder de suas ações, concedeu a liminar favorável ao Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, determinando que a confederação teria até 48 horas para responder cinco questionamentos feitos pelo grupo. O não cumprimento da medida acarretaria em multas diárias de R$ 800. 

Em resposta, a CBF informou que: 

1. A não inclusão do número 24 no uniforme oficial nas competições constitui uma política deliberada da interpelada? 

Resposta: Não. 

2. Em caso negativo, qual o motivo da não inclusão do número 24 no uniforme oficial da interpelada? 

Resposta: O Regulamento inicial da Conmebol Copa América 2021 (“Competição”) determinava que apenas 23 jogadores poderiam ser inscritos. Essa quantidade de atletas é a tradicionalmente observada em competições internacionais da Conmebol e da Fifa. A numeração utilizada pelos atletas tem relação com questões desportivas apenas. No momento inicial, a organização da competição estabeleceu a utilização dos números 1 a 23 de forma sequencial, o que foi feito pela seleção brasileira ao inscrever 23 atletas. No entanto, posteriormente, o Regulamento da Competição foi alterado e foram concedidas 5 vagas adicionais, em razão da possibilidade de troca de jogadores por conta de eventual contaminação por COVID-19. Apesar de tal faculdade, que foi utilizada por outras seleções para convocar mais 5 atletas, como a CBF vem cumprindo rigorosamente os protocolos sanitários e não apresentou casos de contaminação, a comissão técnica sentiu-se confortável em convocar apenas mais um jogador, além dos 23 inicialmente inscritos, e, para esse jogador, em razão de sua posição (meio-campo) e por mera liberalidade, optou-se pelo número 25. Como poderia ter sido 24, 26, 27 ou 28, a depender da posição desportiva do jogador convocado: em regra, numeração mais baixa para os defensores, mediana para volantes e meio-campo, e mais alta para os atacantes. 

3. Qual o departamento dentro da interpelada, que é responsável pela deliberação dos números no uniforme oficial da seleção? 

Resposta: Nesse caso, a comissão técnica da seleção brasileira de futebol 

4. Quais as pessoas e funcionários da Interpelada, que integram este departamento que delibera sobre a definição de números no uniforme oficial? 

Resposta: O responsável pelo departamento é o coordenador Sr. Oswaldo Giroldo Júnior (“Juninho Paulista”). 

5. Existe alguma orientação da Fifa ou da Conmebol sobre o registro de jogadores com o número 24 na camisa? 

Resposta: Não é de conhecimento da CBF nenhuma orientação sobre o tema.

O saldo de sediar o evento em si, possivelmente nunca saberemos de fato, tão pouco saberemos se são negativos ou positivos. Uma vez que foi apontada falta de transparência nas informações acerca dos dados que envolvem o evento como um todo, não somente de contaminados.

Porém fica evidente que tudo se tratou de uma ação de politicagem. É válido lembrar que a transmissão televisiva da competição foi de exclusividade do SBT, que diferente de edições anteriores, eram da TV Globo. Coincidentemente, o presidente Jair Bolsonaro, responsável pelo aval de sediar os jogos no país, tem um longo histórico de desafeto com a emissora Globo, diferentemente do SBT, no qual, inclusive, já participou do programa de Silvio Santos, proprietário da emissora.

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