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Cresce o número de casos de Câncer de mama no mundo e no Brasil

Por Luiz Filho 

Durante anos o câncer de pulmão era o mais diagnosticado em todo mundo, porém em 2020 o câncer de mama ultrapassou, se tornando o mais comum. Ao todo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram mais de 2,2 milhões casos de câncer de mama, representando 11,7% dos casos da doença no mundo. 

O aumento está associado a alguns fatores como, por exemplo, ao crescimento no número de diagnósticos pelas técnicas de triagem populacional, que é o caso dos exames preventivos, um fator positivo. Mas segundo o mastologista Roberto Gripp, a mudança na incidência está associada a fatores sociais. “A mudança de padrão de vida das mulheres que têm hábitos reprodutivos diferentes nos dias atuais, em que a mulher engravida após os 30 anos e tem um número menor de filhos, consequentemente, tem uma quantidade de ciclos menstruais (hormonais) muito maior ao longo de sua vida. Isto tem um impacto sobre a mama com um aumento da incidência da doença.”.

“Muitos outros fatores como alimentação em pior qualidade, talvez maior quantidade, maior uso de produtos industrializados na alimentação, além de vida sedentária e outros hábitos de vida, tem sido estudado e correlacionado com este aumento da incidência” ressalta Roberto Gripp. 

Ainda de acordo com a OMS, os números estão crescendo ainda mais na América do Sul, África e Ásia, regiões onde tradicionalmente era mais baixa os números de diagnósticos. O fator social nesse caso é uma das principais razões e está diretamente associado à rotina da mulher, tanto profissionalmente quanto pessoal.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados para cada ano do triênio de 2020-2022, 66.280 novos casos de câncer de mama feminino no Brasil. Há um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres. Vale ressaltar, que apesar da grande maioria dos casos serem em mulheres e que o próprio INCA, não dispõe de dados a respeito, estima-se que 1% dos casos são em homens. 

Porém, apesar dos números assustarem, os casos de óbitos pelo câncer de mama ainda é o quinto entre a doença, atrás do de pulmão, colorretal, fígado e estômago. Além disso, ainda tem o fato animador de que a sobrevida ao quadro tem aumentado cada vez mais. 

Segundo uma pesquisa do hospital paulista A.C. Camargo, que acompanhou mais de cinco mil mulheres em diferentes estágios de câncer de mama, mostrou que quando diagnosticado no estágio inicial, o sucesso de combater o tumor chegou a 100%. Em casos mais graves, em situações quando a doença se espalha da mama para outros órgãos, a possibilidade de um tratamento bem-sucedido passou de 20% para 40%. 

Quando se trata de câncer, a prevenção é fundamental. Quanto mais cedo for diagnosticado o tumor, maiores são as chances de combatê-lo. No caso do câncer de mama, uma das principais responsáveis pelo aumento no diagnóstico é a campanha do Outubro Rosa, que tem divulgado a causa e informando ainda mais as mulheres a respeito da importância de realizar os exames. 

De acordo com o mastologista Rodrigo Gripp, a campanha do Outubro Rosa tem sido uma importante ferramenta para a conscientização do tratamento precoce. “Durante estas campanhas temos visto de forma surpreendente quantas mulheres ainda não tinham consciência da necessidade da prevenção, para o diagnóstico precoce e de que isto faz toda a diferença para o sucesso no tratamento. As campanhas com muitas mulheres sendo submetidas aos exames de prevenção nos leva a muitos diagnósticos precoces e consequentemente muitas vidas salvas”. 

O auto exame, bem como a mamografia são os grandes responsáveis para o tratamento e cura da doença. Porém a principal forma de detecção precoce do câncer de mama, para mulheres após os 40 anos, até o momento, continua sendo a mamografia. Já o autoexame, segundo o mastologista, deve ser executado sempre após o término da menstruação. 

Porém o câncer de mama, além de atingir diretamente a saúde física dos pacientes, ainda afeta a saúde emocional, deixando muitas mulheres em quadros de depressão. Segundo profissionais da psicologia, a ocorrência da depressão nesses casos é comum, apesar de não ser frequentemente diagnosticada, uma vez que é um desafio diferenciar o que caracteriza um quadro de depressão de uma tristeza causado pelo impacto da notícia positiva para o câncer de mama.

Além disso, ainda tem o fator de imagem, quando o tratamento causa a queda de cabelo e em alguns casos é necessário a retirada da mama. Neste cenário é comum relatos de mulheres que ficam com a autoestima completamente abalada. É o caso da professora Andréia Guimarães de 47 anos, que venceu o câncer e, que segundo ela, precisou se amar de novo. “Sobreviver ao câncer te dá uma felicidade e uma vontade de viver muito grande, porém deixa marcas, principalmente no departamento do amor próprio. Meu cabelo cresceu, mas não como antes. Eu fiquei muito magra e aos poucos tento voltar a ter corpo com curvas. Tudo isso afetou minha autoestima”. 

“Parece que nós [pacientes de câncer de mama] estamos fadadas a pensar só no câncer e viver, e qualquer outra coisa é futilidade. Mas eu queria estar bonita, pensava no meu marido me vendo careca. Na formatura da minha filha eu estava sem cabelo. Até hoje não me sinto confortável em tirar fotos. Infelizmente não é só a doença, são vários outros fatores que precisam ser cuidados enquanto se é paciente de câncer, se não, você vence o câncer, mas não vence outras batalhas que vem junto”. Ressalta Andréia Guimarães. 

Com grandes medos da doença, muitas mulheres com caso de câncer na família, mesmo não sendo de mama, têm buscado pela retirada da mama, como um meio de prevenir a doença. Mas Rodrigo Gripp alerta que às vezes realizar esse procedimento pode ser um problema maior que uma solução. “É necessário que seja feito um aconselhamento genético adequado para cada situação e sair retirando as mamas de forma preventiva”.

Por um lado, essa crescente nos números de casos de câncer de mama é positiva, visto que é motivado pelo diagnóstico. Isso significa que mais mulheres estão tendo acesso aos exames, e quanto antes for feito o diagnóstico, maiores são as chances de vencer a doença. Porém esses dados mostram que cada vez mais aumenta o número de mulheres com a doença, se tornando quase certo que todas em algum momento da vida terão câncer de mama.

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