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Desenvolvedores da Sputnik V afirmam que vão processar Anvisa por difamação após compra da vacina ter sido negada no Brasil; Entenda o caso

Imagem: Dado Ruvic/Reuters

Por João Pedro Gomes

Após o pedido de importação da vacina russa Sputnik V ter sido negado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última segunda-feira (26), os desenvolvedores do imunizante afirmaram que vão processar a organização fiscalizadora brasileira por difamação, afirmando que o órgão disseminou informações falsas sem realizar testes com o imunizante.

“Após o reconhecimento do regulador brasileiro Anvisa de que não testou a vacina Sputnik V, a Sputnik V está tomando uma ação legal por difamação no Brasil contra a Anvisa por deliberadamente disseminar informações falsas e imprecisas”, afirma uma publicação na conta oficial da Sputnik V no Twitter.

Na última terça-feira (27), o diretor do fundo que financiou o desenvolvimento da Sputnik V, Kirill Dmitriev, afirmou em uma coletiva de imprensa que a rejeição à importação da vacina russa contra a Covid-19 pela Anvisa era o resultado de uma possível pressão política feita pelos Estados Unidos para “não deixar a Sputnik entrar no Brasil”. “A intervenção externa é um dos elementos desse comportamento [da Anvisa]”, declarou. 

Além disso, o diretor chamou a Agência de Vigilância Sanitária de antiprofissional e mentirosa por divulgar o que ele chama de “informações falsas sobre a Sputnik V”. “É muita injustiça e falta de profissionalismo da Anvisa lançar luz de incertezas contra o trabalho de outras 62 agências regulatórias que aprovaram nossa vacina”, afirmou, falando sobre os 62 países que aceitaram a imunizante. Denis Logunov, diretor de pesquisa científica do Instituto Gamaleya, produtor da vacina russa, afirma: “Não iríamos colocar no organismo humano não purificado”. Dentre outras respostas ao órgão brasileiro.

“Negada por precaução”

Do outro lado da moeda, Gustavo Mendes, gerente geral de medicamentos da Anvisa, afirmou na última quarta-feira, 28, que a decisão de negar a permissão de importação da vacina foi pelo “princípio da precaução”. A diretoria do órgão, que se reuniu na última segunda-feira (26), decidiu, por unanimidade, barrar a Sputnik V. “A vacina tem potencial de gerar um adenovírus geneticamente modificado, o qual não conhecemos suas reações no corpo humano e nem seus potenciais riscos”, avaliou.

Após a reunião que impediu a importação, Mendes declarou: “Analisamos dados que recebemos da Rússia e não vimos estudos que mostrem a segurança da vacina. O princípio da precaução foi o que nos levou a não recomendar”. Ele também afirmou que estudos sobre como o adenovírus replicante se comportaria no corpo humano e possíveis danos não foram informados. Em entrevista, ele alegou também que não houve pressão política.

Afirmações da Anvisa

A Anvisa afirmou, ao negar a compra da vacina pelo Conselho de Administração do Consórcio Brasil Central (BrC), que os relatórios técnicos que comprovariam os padrões de qualidade entregues não foram suficientes. Além disso, atentou também ao risco do imunizante trazer outras doenças.

O órgão disse ainda que a maioria dos países que autorizaram a aplicação da vacina russa não têm tradição na análise de imunizantes, e reiterou seu argumento afirmando que, em 23 países com contrato, a vacinação ainda não teve início. Para finalizar, a Gerência de Inspeção e Fiscalização pontuou também que os técnicos da Anvisa não puderam visitar todos os locais da fabricação da vacina, na Rússia; de sete pontos, conseguiram visitar apenas três. Dentre outras argumentos utilizados para justificar a finalização 

Situação dos pedidos de compra da Sputnik V

Ainda que a vacina não tenha sido autorizada para utilização emergencial no Brasil, previamente, 14 Estados e 2 municípios pediram autorização para importar e comprar a vacina. Destes, 10 pedidos estavam no limite do prazo.

Os pedidos de Acre, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Sergipe foram negados na reunião da Anvisa de segunda-feira, 26. Todavia, as solicitações de Alagoas, Amapá, Pará e Tocantins, e das cidades Maricá e Niterói serão analisadas dentro do prazo, e podem ser autorizadas, caso novos dados da vacina sejam apresentados à Anvisa.

Revisão por Ivan Trindade

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