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É FOGO NO PARQUINHO! DE OLHO NA CASA MAIS VIGIADA DO BRASIL

COMENTÁRIOS SEMANAIS SOBRE O BIG BROTHER BRASIL 21
EGOS, “DRAMINHAS” E GRITARIA: O BBB COMEÇOU!

Participantes da vigésima primeira edição do Big Brother Brasil. Foto: Divulgação/Internet

Coluna por Nathan Scano

O ano de 2020 foi um ano difícil para todos. Praticamente todos os setores da economia mundial foram afetados pela crise, assim como a vida cotidiana e profissional de todos que se depararam com o choque advindo da necessidade do distanciamento social, para não falar dos óbitos e do luto dos prejudicados pela pandemia. Entretanto, foi o completo oposto no que tange os Realities Shows. O ano passado trouxe duas edições históricas de dois dos Realities mais populares da história do Brasil: BBB e a Fazenda.

O Big Brother Brasil em 2020 chegou à sua vigésima edição, um feito considerável, afinal quem imaginaria nos primórdios que o programa iria durar duas décadas e não somente isso, alcançar seu ápice nesse momento. O diretor do Reality, José Bonifácio Brasil de Oliveira, ou Boninho para os mais íntimos, teve que revigorar o programa em meio à crise de uma edição fracassada (BBB19), baixo patrocínio e de um formato que precisava ser revitalizado. Contudo, deu certo. Boninho e companhia conseguiram o que desejavam e fizeram uma edição histórica do programa ao trazer um elenco de peso que misturava subcelebridades e com anônimos em busca do prêmio de um milhão e meio.

Em paralelo, a décima segunda edição do Reality Show da emissora concorrente, A fazenda, obteve o seu auge no mesmo ano. Rodrigo Carelli, o diretor da atração reuniu um elenco ainda mais diverso e promissor que o do Big Brother, afinal a pressão era grande e o programa da Record precisava bater de frente com o da Globo, se não o superar. De uma certa forma, foi exatamente o que aconteceu. A fazenda 12, ao menos em seu começo, demonstrou a cada semana estar no mesmo nível do BBB20, isso se não o superasse. Os números falam por si só, afinal a emissora do Bispo Macêdo pela primeira vez ficou em primeiro lugar e superou a emissora gigante dos irmãos Marinho.

Agora é a vez da Vigésima Primeira edição do Big Brother dar suas caras. É hora de vermos se Boninho e a Rede Globo irão dar conta de superar o BBB20 e a Fazenda 12, o que não será tarefa fácil. Como já demonstramos, as edições anteriores foram as maiores de ambos os realities, então como realizar uma ainda mais marcante? Ao que parece este é o objetivo e a propaganda do Reality este ano: O Big dos Bigs.

O ÍNICIO DE UM SONHO: A PRIMEIRA SEMANA DO REALITY

No dia 25 de Janeiro estreou o BBB21, novamente com recorde de audiência e um engajamento nas mídias digitais digno de inveja. Antes mesmo da entrada dos brothers no programa, a repercussão já estava em andamento, as expectativas que já se tinham foram elevadas ao extremo, o elenco apresentado e uma votação para imunizar 6 participantes se deu. O jogo começou antes do play, como o próprio apresentador da atração, Tiago Leifert deixou bem claro.

A emissora e o diretor do reality deixaram bem evidente nível de comprometimento e o quanto estão apostando na busca do já citado “big dos bigs”. Boninho e a Globo estão em busca do sucesso e de entrar para a história mais uma vez. A estreia e a primeira semana deixaram bem claro que é possível, que o queijo e a faca estão na mão dos produtores, porém a faca é de dois gumes.

UM ELENCO DE PESO E UMA FACA DE DOIS GUMES

Ao mesmo tempo que vemos que aqueles que estão nos bastidores estão engajados e dispostos a batalhar pelo programa, em contrapartida o elenco parece ao mesmo tempo carregar consigo um potencial para o caos, no bom e no mal sentido. No primeiro caso, o carisma, a personalidade e o fascínio que os participantes da vigésima edição do Big Brother causaram no público antes mesmo de aparecerem diante das câmeras da casa, falam por si só. Todavia, de tão bem composto e cheio de personalidade, o elenco representa também o maior perigo para a edição.
A produção parece finalmente ter entendido com a última edição, mesmo ainda deficiente, que diversidade é um elemento importante para produção de conflito. Ter sujeitos de locais, crenças e raças diferentes potencializam a divergência, e com ela a discórdia. Prova disso é a quantidade de desentendimentos apresentados em apenas uma semana de programa.

A globo acertou com os participantes, trouxe, é claro, os clones/padrões, como em todas as edições anteriores. Entretanto, também tivemos o maior número de participantes negros e LGBTQI+, sujeitos de diversos locais e com diferentes corpos, sotaques, religiões e ideais, que, como já dito anteriormente, são extremamente interessantes. Temos nesta edição desde os crossfiteiros (Arthur e Arcrebiano) à advogada (Juliete) que atua como maquiadora enquanto tenta se tornar delegada, da funkeira (Pocah), com música escutada pelas kardashians, ao doutorando de economia, homossexual e religioso (Gilberto), e também a cota especial dos “caloteiros” assumidos e expostos na internet (Caio e Kerline), cantores de renome (Projota e Karol Conká), atores (Fiuk, Carla Diaz e Lucas Penteado) e influencers com certa popularidade (Camila de Lucas e Viih Tube), entre outros.

Contudo, nem tudo são flores. O elenco tem sua positividade, porém também representam um risco ao entretenimento, uma vez que tanta individualidade vem demonstrando também egos e uma ânsia por holofotes que estão tornando o jogo cansativo, isso tendo em vista que estamos nos primórdios do programa.

Cada um dos 20 participantes selecionados para o programa apresentam histórias de vida e perfis intrigantes. Antes mesmo de entrarem na casa mais vigiada do Brasil, as redes sociais já ficaram ovacionadas com tal elenco, ao ponto de ter uma votação acirrada para seleção da já citada imunidade na primeira semana. Todavia deve-se considerar o número expressivo de sujeitos na casa, o que, por sua vez, geram uma disputa ainda maior por atenção, estão todos desesperados por aparecerem, se mostrarem e serem aclamados.
O coitadismo e os egos estão falando mais alto e tornando cada vez mais tedioso e cansativo a assistência do programa. A cada conversa simples, a cada interação dos participantes temos alguém querendo contar sua história de vida da forma mais dramática possível, e em meio a “palestrinha” de um, surge outro participante que tenta disputar quem é o mais sofrido. Em uma semana de programa estamos vendo mais palestras, choros e exageros em dramas pessoais do que uma entrega verdadeira dos personagens do reality.
Se os participantes não compreenderem que as ações dizem mais sobre eles do que as palavras, que a perfeição e o sensatíssimo são ilusórios, e que a entrega e a autenticidade é o que definem bons participantes de realities shows, a tendência nas próximas semanas é de o jogo esfriar e a atração se tornar um tutorial de militância de redes sociais e não o verdadeiro objetivo do programa: trazer a quadro a vida como ela é.

EU NÃO ACREDITO EM FADAS

O jornalista e especialista em realities shows, Chico Barney, apontou antes mesmo do início do programa, que a maior ameaça ao sucesso deste era o fada-sensatismo, isto é, a tentativa de reproduzir o sucesso militante que quase afundou a edição anterior. Os temores de Barney se concretizaram, tanto a chamada da nova temporada do reality, quanto a atuação dos participantes da atração estavam pautados no sucesso de seu antecessor, o BBB20 e com ele a busca dos participantes de serem as fadas sensatas aclamadas pela internet.

O grande êxito e consagração dos personagens da edição anterior do programa fizeram com que os participantes se preparassem baseados em marketings e discursos presentes no BBB20. Sem se aterem para a importância da espontaneidade que fez com que as questões sociais fossem postas em pauta na temporada passada, a vigésima primeira edição do programa teve em sua primeira semana a imposição de temas importantes que não se encaixavam nas situações pontuadas e/ou que precisavam ser debatidos, no entanto não da forma que foram conduzidos.

A busca pela sensatez é tão demasiada que deturpa e banaliza não apenas questões sociológicas complexas, como deixa cansativo e pesado a assistência da atração: Um fora se torna tema para um debate racial importante de maneira débil e sem conexão real com a situação; Uma dinâmica que deveria ser apenas uma descontração inocente, trouxe uma discussão extremamente válida sobre a questão trans, mas repleta de autoritarismos, verticalidades e abordada a um ponto que ficou perceptível a busca apenas por uma narrativa de jogo; Participantes com discursos prontos que em meio a conversar simples abordam sobre questões sociais complexas com um enorme pedantismo e uma procura por holofotes que só colabora para empobrecer o entretenimento.

Se os participantes não começarem a se soltar mais, entenderem que o público assiste realities shows para ver pessoas reais, com seus defeitos, dramas e contradições, que o fada-sensatismo é apenas uma roupagem, uma ilusão, uma propaganda irreal e uma busca enfadonha por uma perfeição hipócrita, o programa tenderá a ter seu potencial desperdiçado.
Nossas únicas esperanças em nome do entretenimento, estão nas mãos de Boninho e produção. Torçamos para que eles continuem a movimentar as peças através das dinâmicas da semana para criar os conflitos interessantes e retirar alguns participantes da inércia. Aguardemos ansiosos para que o big dos bigs não seja apenas discurso, as expectativas sejam atendidas e que o “pau coma solto”, afinal é Big Brother Brasil. Se alguém quiser ver paz, amor, palestrinhas e draminhas adolescentes vá ver um filme, nós queremos é entretenimento, e entretenimento é Fogo no Parquinho!

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