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É FOGO NO PARQUINHO! DE OLHO NA CASA MAIS VIGIADA DO BRASIL

COMENTÁRIOS SEMANAIS SOBRE O BIG BROTHER BRASIL 21

RANÇOS SÃO ETERNOS E MASCARAS FORAM FEITAS PARA SEREM TIRADAS: TRÊS SEMANAS DO BBB21 E UM ESGOTAMENTO EM VISTA

Foto: Divulgação/Internet


Coluna Por Nathan Scano

O BBB21 agitou cada canto do país ao longo de suas duas primeiras semanas: chocou, emocionou, gerou revolta e principalmente memes. Essa nova edição histórica e ousada, trouxe alguns dos personagens mais interessantes dos últimos tempos, bem como alguns dos mais detestáveis dentre todos os participantes que já passaram pela casa mais vigiada do Brasil.

Reunindo um Casting de peso, Boninho investiu intensamente, se comprometeu e trouxe nos primeiros episódios os records, a audiência e a popularidade que tanto ansiava. Todavia, isso a um custo alto e através de polêmicas que começaram a levantar o debate sobre os limites do entretenimento e o cuidado da produção em relação a saúde mental de seus participantes.

Pressionada contra a parede a produção do maior reality show do país não teve outra alternativa além de mexer no jogo, tudo através de limites que garantiriam seu lucro e a continuidade do programa. Utilizando-se de aparatos que incentivariam o conflito e certa reflexão nos participantes, ou mesmo dos discursos do apresentador quando se fazia necessário uma interferência ainda maior, foi possível despertar algumas peças chave que vem garantindo o entretenimento e aparentam ser a salvação desta edição tão tóxica e problemática.

Ao mesmo tempo que alguns problemas e o peso que pairava na atração e dificultava a assistência da mesma foi aos poucos sendo atrofiado, também se definhou em muito o entretenimento. Este que deveria ser, e em tese é um reality show que muda a cada semana, vem apontando caminhar para o caminho contrário. As grandes emoções e a previsibilidade parecem ter tomado conta desta edição em poucas semanas, levando-nos a questionar existirão ainda reviravoltas ou devemos esperar até a final com o G3 formado por Juliete, Gil e Sarah? Vejamos tal questão.

O BRASIL UNIDO NOVAMENTE

O Brasil nunca esteve tão divido como nos últimos anos. Já faz algum tempo que a polarização no país vem se intensificando cada vez mais. Os motivos que levam à tais discordâncias são diversos e se fazem presentes em inúmeros assuntos, porém não parece ser o caso da vigésima primeira edição do Big Brother Brasil. Em contrapartida ao que víamos nos últimos anos, podemos afirmar que os brasileiros tem agora um motivo para se unir: o ranço pelo gabinete do ódio.

O BBB21 trouxe algumas das personagens mais detestáveis de todas as edições, sujeitos que vem dia a pós dia produzindo mais e mais repulsa em todos os telespectadores e pessoas que cheguem a tomar nota de suas ações na casa. De tortura psicológica, assédio, exclusão à piadas de cunho racista, machistas, além de toda uma articulação desleal e deveras questionável para eliminar concorrentes carismáticos e que se opõe ao grupão hegemônico apelidado não tão carinhosamente de gabinete do ódio.

Máscaras foram aos poucos caindo, sujeitos que em princípio tinham seu lugar dentre os favoritos da atração aos poucos foram demonstrando em suas ações serem completamente egocêntricos, antipáticos e maldosos. Carreiras começaram a ser abaladas, contratos, propagandas e seguidores faram aos poucos sendo perdidos por alguns dos participantes do Camarote em vista da exposição na casa.

A cantora famosa por sua imagem ativista e empoderada, Karol Conká, aos poucos se tornou o objeto de maior desprezo por parte da audiência em vista de seu comportamento autoritário e perseguição gratuita aos seus concorrentes, além é claro dos absurdos que saem de sua boca sobre diversas questões. Da mesma forma outros cantores como Fiuk, Pocah e Projota que também entraram com uma imagem positiva tiveram fã clubes, seguidores e a percepção do público sobre eles abalada, e assim tornaram-se outras das personalidades mais detestadas dessa edição.

No início da atração podíamos rir, debochar e principalmente criar memes sobre todas as situações absurdas que vinham ocorrendo na casa. Não que os memes e a graça tenha se esgotado, mas uma coisa podemos perceber ainda faltando mais de setenta dias para o fim do programa: a crise só aumenta.

DESGASTE E UM FUTURO INCERTO

As primeiras semanas foram marcadas por reviravoltas, altos e baixos, participantes odiados sendo amados, depois odiados, ou então aclamados de início e depois desprezados, o “vilão” se tornando “vitima” e as “fadas sensatas” e “príncipes” se tornando vilões da edição. Essa imprevisibilidade, quando excluímos o peso da tortura psicológica e da militância vazia e autoritária, é exatamente o que torna um reality show um entretenimento de qualidade. Afinal, quem gostaria de assistir uma atração de 100 episódios onde já sabemos tudo o que vai acontecer? Onde não temos surpresas, nem acontecimentos que nos fazem ficar ainda mais curiosos pelo desenrolar das tramas?

Em três semanas de programa tudo parece estar muito bem posicionado e óbvio. Não precisamos nem refletir muito para saber quais os futuros de Karol, Pocah, Lumena, Nego Di, Projota. As narrativas do BBB21 parecem ter se esgotado, os vilões que outrora foram queridos pelo público carecem de carisma e aparentam não terem possibilidades de redenção, ou sequer voltar a ter uma base de fãs capaz de leva-los longe no jogo. A única coisa que mantém os já citados sujeitos na casa é a fuga do paredão, o que por sua vez não irá se prolongar por tanto tempo.

Além de os finalistas praticamente já poderem ser vislumbrados e assim o impacto dos paredões, os grupos e o jogo em si se empobrecer, a dinâmica de misturar famosos e anônimos que reestruturou o BBB que já vinha em desgaste ao completar duas décadas no ar, também aparenta estar em perigo. Após a vigésima primeira edição possivelmente Boninho terá dificuldades em encontrar um casting de pessoas públicas dispostas a arriscarem suas carreiras, tendo em vista as consequências da atual edição para a maioria do Camarote.

EXISTEM ESPERANÇAS E/OU UMA SALVAÇÃO PARA A ATRAÇÃO?

Em 2022 a produção que lute, e muito, para dar conta das marcas deixadas por essa edição caótica de 2021. Mas até lá esperemos que também que ao longo das semanas que faltam para o fim do programa, que ela se reinvente para dar conta das expectativas e não desperdiçar o potencial latente que vem apresentando.

Precisamos de mudanças no jogo, que o jardim do éden composto por participantes em inercia seja podado e que ocorra a dissolução dos grupos já bem estruturados. Mais que o tombo dos prepotentes do gabinete do ódio, necessitamos de acontecimentos e brigas inesperadas e para isso que os jogos da discórdia possam ser mais instigantes e menos reciclados da edição anterior, além de que as dinâmicas semanais deem conta de acordar alguns sujeitos e criar novas narrativas e inimizades.

Por mais que o Brasil esteja unido novamente, por mais que aclamar o G3 (Gil, Sarah e Juliete) esteja sendo extremamente divertido e o trio apresentem um carisma absurdo, tem muito programa pela frente, monotonia e previsibilidade, não são bem vindos, reviravoltas e surpresas sim. Se iremos ser abençoados por um entretenimento de qualidade isso vai depender em muito do desenrolar dos próximos capítulos e da ação da produção. Aguardemos.



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