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É FOGO NO PARQUINHO! DE OLHO NA CASA MAIS VIGIADA DO BRASIL

COMENTÁRIOS SEMANAIS SOBRE O BIG BROTHER BRASIL 21
QUE CHEIRINHO DE CHERNOBYL: A EDIÇÃO MAIS TÓXICA E TAMBÉM MAIS NECESSÁRIA DO BIG BROTHER BRASIL!


Participantes da vigésima primeira edição do Big Brother Brasil. Foto: Divulgação/Internet

Coluna por Nathan Scano

A vigésima primeira edição do Big Brother Brasil chegou com expectativas altíssimas, e até o presente momento vem entregando o que prometeu. Se esta será a melhor edição ou não do programa ainda é cedo para afirmar, entretanto os números vêm demonstrando que a popularidade e o impacto do reality não estão nem um pouco fatigados, ao contrário. Os índices de audiência, o número exorbitante de seguidores que alguns participantes vêm conquistando, além é claro, da repercussão do programa em solo nacional.

O BBB está mais vivo que nunca. Seja amado ou odiado, uma coisa é certa, ele ainda exerce uma influência enorme no dia a dia do povo brasileiro. Comovendo ou gerando repulsa, mesmo quem não acompanha o programa acaba por ser notificado dos acontecimentos da casa mais vigiada do país, seja nas redes sociais, no dia a dia, ou até mesmo nos noticiários e em outras emissoras que acabam por comentar sobre o reality.

Mais de duas décadas se passaram e a atração continua reverberando nos quatro cantos do país. Todavia, a segunda semana do reality demonstrou algo diferente. Parece quase que um consenso dos telespectadores que é necessário uma interferência na atração, uma vez que esta vem demonstrando ser talvez a mais problemática de todas as edições. A questão que fica é: cancelemos esse Big Brother ou coloquemos nossas máscaras de gás e a roupa anti-radiação, e assim continuemos a assistir tal programa?

ATENÇÃO: CUIDADO COM A RADIAÇÃO!

Antes de adentrarmos na questão central, posta na introdução desta coluna, a priori faz-se necessário compreender o que tem tornado essa edição tão questionável. Precisamos ter em mente que desde os primeiros dias de programa o público já manifestava certo desconforto na assistência da atração em vista do peso das discussões e dos eventos que marcaram a primeira semana do reality, e a partir disto houveram inúmeros pedidos de encerramento da atração.

Os níveis de toxidade nunca estiveram tão altos, nunca na história deste programa vimos tantos participantes problemáticos e situações tão incômodas de se assistir. Se existiam motivos evidentes para que um certo cuidado seja tomado com o programa, na segunda semana não restaram dúvidas que algo deveria ser feito em relação ao que se vinha acontecendo na casa mais vigiada do Brasil.

A produção do Programa, em poucos dias, se viu questionada e as demandas do público foram de certa forma atendidas, contudo, não exatamente da forma que fora exigido: Ninguém foi expulso, nem muito menos a edição foi cancelada. Ao invés de tomar medidas radicais para intervir na tortura psicológica e na perseguição que alguns participantes vinham enfrentando, Boninho optou por utilizar dos mecanismos próprios da atração: o jogo da discórdia e a o bigfone.

O primeiro meio usado pela produção do programa foi tentar produzir o entendimento do elenco sobre o exagero nas sanções de alguns deles para com alguns participantes, através de uma dinâmica que exigia o posicionamento de cada um sobre quem seriam os dois “canceladores” da edição. A grande maioria dos sujeitos, mesmo com uma explicação extremamente didática do apresentador do reality, acabou por não se comprometer ao distorcer o conceito de cancelamento e assim gerar o oposto do que se pretendia: um ataque coletivo ao mesmos sujeitos (Lucas Penteado e Juliete Freire).

Em paralelo, o jogo da discórdia também rendeu surpresas positivas em meio ao linchamento de Penteado e Freire, uma voz não se silenciou e se opôs ao discurso dominante. Sarah Andrade se posicionou, mesmo estando no paredão e tendo a possibilidade de ser eliminada por isso e caso não o fosse, acabaria por se tornar um dos alvos de seus rivais ao defender que o tratamento destes em relação ao erro de Lucas.

Andrade fez o que o público queria, teve empatia e expôs o show de hipocrisias da militância canceladora ao vivo e em rede nacional, gerando com isso uma aclamação instantânea, milhões de seguidores, sua permanência mais uma semana na casa, além também de a tornar uma das grandes favoritas ao prêmio de um milhão e meio.

Em pouco tempo outros brothers também começaram a entender o verdadeiro objetivo do jogo realizado na segunda-feira, entretanto nem todos com a coragem da consultora de marketing de enfrentar o resto da casa em prol dos cancelados. Apenas o economista e maior alívio cômico da edição, Gilberto Nogueira, o fez e assim tornou-se também mais um alvo da casa.

Os quatro rejeitados se encontraram formaram uma resistência (G4) ao grupo hegemônico (Grupão) que correlatamente se formou com os outros quinze participantes. O público também se posicionou e o apoio ao G4 se fez quase unânime e assim na quinta-feira foi anunciado mais uma interferência para garantir o entretenimento e criar formas de tal coletivo ter chances frente a maioria: O bigfone iria tocar três vezes, na primeira e segunda dando duas imunidades e colocando duas pessoas na berlinda, bem como uma terceira que garantiria mais emoções ainda ao subverter uma imunidade e uma indicação ao paredão.

As decisões de Boninho foram uma solução bem elaborada e inteligente, uma vez que além de movimentarem peças apagadas no jogo e garantirem novos conflitos, geraram também ainda mais engajamento dos telespectadores, records de audiência e a manutenção do reality como um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e canais de notícias.
A globo de certa forma acalmou uma parte do público que estava preocupada, garantindo que a atração não chegasse ao fim, porém o linchamento e a tortura psicológica que fizeram com que a produção agisse, em momento algum cessou, ao contrário, só se intensificou levando o debate sobre saúde mental dos participantes perseguidos dentro da casa e a espetacularização da tortura psicológica promovida pela Globo.

PROBLEMÁTICO, DESCONFORTÁVEL E CHEIO DE GATILHOS? SIM, PORÉM AINDA NECESSÁRIO

Chegamos a grande questão: o BBB21 precisa chegar ao fim? ano que vem tentamos novamente ou será que o desgaste desta edição problemática ainda pode ser superado? Vale tudo pela audiência? A saúde mental dos participantes e do público são menos importantes que o lucro? Estas são questões complexas, as quais não sei responder com exatidão, algo que nem sei se é possível de alguma forma, porém que ainda assim precisa ser debatido.

Se resta alguma dúvida acerca do quão controversa está sendo a vigésima primeira edição do Big Brother Brasil, o desconforto de praticamente todos os telespectadores só aponta ao mesmo tempo a importância deste programa. Pode e é importante que as pessoas se incomodem com o que está acontecendo na casa, que possamos refletir sobre o ativismo narcisista, a xenofobia, racismo, as pré-noções baseadas em estereótipos, sexualidade, saúde mental e principalmente a ressocialização.

Compreendo aqueles que se negam a continuar acompanhando o reality, que problematizam o tratamento da questão por parte da Rede Globo e que deixaram de assistir a atração justamente pelos gatilhos que lhes causam toda a violência simbólica, exclusão e tortura que se fizeram presentes e ainda mais intensas nessa última semana da atração. Entretanto, como dito no começo desta coluna, quer goste ou não do BBB ele existe e parece quase impossível, ainda mais na era das mídias digitais, fugir dos acontecimentos da casa mais vigiada do Brasil.

Ao invés de pedir o fim do programa, continuemos a exigir a correção de seus defeitos, demandemos ainda maior transparência do programa televisionado e principalmente que tiremos dessa experiência audiovisual, mais que um pequeno momento de descontração e entretenimento inocente. Olhemos para os outros ao nosso redor e principalmente para nós mesmos e possamos compreender a partir das situações que nos geram tanta indignação que se faz necessário para toda vida um pensamento crítico, uma autonomia intelectual e maturidade para não se submeter aos discursos hegemônicos ou ser conivente com quaisquer tipos de violência.

Os acontecimentos das duas semanas do BBB21 são extremamente graves, isso é evidente, assim como o desânimo em relação a nossa sociedade e uma certa angústia manifesta em quem assiste o programa. Porém, também devemos perceber as positividades em relação a tudo que ocorreu essa semana na casa. Vendo o reality este ano, percebi que Foucault nunca esteve tão certo: onde há poder há resistência.

Tenhamos esperanças de que, assim como em nossa sociedade existem muitas Lumenas, Karols, Projotas pessoas que não se questionam sobre suas ações e os impactos dela no outro. Apesar disto, também existem Sarahs e Gilbertos, sujeitos que conseguem enxergar a injustiça e possuem a coragem de se levantar contra os Grupos Hegemônicos, mesmo que isso possa lhes causar perigo. Ter autenticidade, coragem e empatia são as lições que devemos extrair deste programa, que a partir deste programa possamos ter mais cuidado ao lidar com o outro, seus erros e sua forma de ser.

5 thoughts on “É FOGO NO PARQUINHO! DE OLHO NA CASA MAIS VIGIADA DO BRASIL

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