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Estágio durante a graduação: uma das maiores dificuldades dos acadêmicos

Imagem: Divulgação/CIEE

Por João Pedro Gomes

A graduação a nível superior é o sonho de muitos, um dos momentos mais importantes na vida de quem visa se tornar um profissional em alguma área. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, datados do ano de 2018, o Brasil possuía mais de 8,4 milhões de estudantes matriculados em instituições de graduação superior, sendo que destes, 24,6% frequentavam institutos públicos. Devido ao ano conturbado que foi 2020, este número, bem provavelmente, sofreu alterações. 

Todo o processo para ingressar em uma instituição de ensino superior é longo: a intensa preparação desde o ensino médio, prestação de vestibulares, realização da matrícula… entretanto, depois de todos esses trâmites é que o trabalho mais árduo se inicia. As dificuldades da vida acadêmica variam entre pessoas pelos mais diversos fatores: classe econômica, raça, dentre outros. “É difícil a vida do estudante. Quem tem pais que sustentam é ótimo, perfeito. Mas para quem não tem, é complicado porque, às vezes, a pessoa tem que escolher entre estudar e trabalhar”, pontua Mikaella Ronald, 22, aluna do curso de enfermagem na Universidade Federal do Tocantins e moradora do Jardim Aureny I. 

O que é pontuado por Ronald é bem recorrente, tendo em vista as estatísticas do Ministério da Educação e Cultura – MEC, e do INEP do ano de 2018, que relatam: 58,6% dos alunos de nível superior estudam durante o período noturno, enquanto 41,4% são do período matutino. Além disso, dados atualizados do Mapa do Ensino Superior no Brasil de 2020 apontam que, tanto no ensino superior privado quanto no público, a maioria  dos acadêmicos provém de escolas públicas e precisa trabalhar.

Dentre várias adversidades, uma delas é comum na vida de muitos jovens: encontrar estágios. Algumas instituições de ensino providenciam esse momento de aprendizado para os alunos em sua grade acadêmica, enquanto em outras, é preciso que eles busquem por sua própria conta. O que é complicado para alguns acadêmicos, que afirmam que é difícil encontrar algo em sua área. 

O Instituto Euvaldo Lodi – IEL/TO, é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que desenvolve a integração entre indústria, empresa e universitário. Ela surgiu no mês de Abril do ano de 2000, por meio de iniciativa do Sistema FIETO – Federação das Indústrias do Estado do Tocantins. Em resumo, essa entidade auxilia jovens alunos do ensino superior a encontrar estágio nas mais diversas áreas. 

Informações fornecidas pela entidade apontam que as áreas que possuem menos ofertas de estágios são dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Tecnologia da Informação (como Sistemas para internet, Ciências da Computação e Engenharia de Software). Dito isto, a Revista PMW entrou em contato com alguns acadêmicos da área para averiguação se, de fato, os alunos estavam tranquilos quanto a isso. Muitos não quiseram se manifestar, mas quem se prontificou para fornecer uma fala foi Emanuel Bruno Batista, 22, estudante do curso de Contábeis.

“Eu não fiz estágio, mas cheguei a pegar a matéria. Consegui arranjar um emprego na área fácil porque já havia conversado com uma amiga que trabalhava em um escritório, então ela me garantiu uma vaga. Entretanto, diversos alunos da minha turma não encontraram, e passaram meses procurando algo”, pontua o jovem. Hoje, com experiência no currículo, as coisas ficam mais fáceis na hora de buscar uma outra vaga, mas reconhece que teve facilidade: “Eu sou uma exceção. É difícil”, finaliza. 

Se, mesmo nos cursos que mais oferecem vagas já é difícil, imagine os que possuem demanda menor: Segundo o IEL, Engenharia de Produção, Enfermagem e Nutrição carecem de vagas durante o decorrer do ano. A já citada estudante Mikaela Ronald, informa que realizou três estágios no último semestre, porém, todos eram temporários e unicamente faziam parte de matérias: “Semestre passado peguei três: Em saúde da mulher, em uma Unidade Básica de Saúde; em saúde infantil, no Hospital Infantil; e no Hospital Geral de Palmas.”, afirma.

Quando questionada sobre as circunstâncias fora da universidade, ela responde: “Então, fora do ambiente de ensino é meio complicado, porque acaba chocando muito com os horários da faculdade, eu mesma já perdi oportunidades por conta disso”, relata. Cursos da área da saúde possuem matérias em período integral, o que dificulta o processo de contratação fora da instituição de ensino.

A dificuldade também se faz presente na vida de outro estudante, João Marcos Lobato, 23. O aluno do curso de Arquitetura e Urbanismo relata que, além das vagas serem escassas, quando surge alguma, exige uma carga de conhecimento absurda para universitários: “No geral, é bem complicado de encontrar (oportunidades), diferente de jornalismo, por exemplo. E quando saem, os requisitos são vários, como dominar vários programas, que alguns a gente nem tem contato na grade curricular. E a maioria dos casos que a gente consegue, é mais por recomendações de amigos que já estagiam, por exemplo. Em quase 100% das ocasiões, nos é exigido que a gente utilize os próprios computadores”, relata a complicação. 

Em contrapartida, em alguns cursos, como Jornalismo, é bem comum encontrar vagas durante os 365 dias. De acordo com o IEL, as chances aparecem sempre, mas se destacam ainda mais em alguns momentos específicos: “Há vagas disponíveis durante todo o ano. O que geralmente acontece é que nos meses de julho e dezembro, as ofertas de vagas continuam ocorrendo, porém, os alunos reduzem a procura pelas vagas em função das férias escolares.”, afirma a instituição por meio de nota. 

Em meio a apertos para a conquista de um estágio, a entidade deixa um recado com o intuito de auxiliar os acadêmicos: “O Estudante deve estar atento durante todo o período acadêmico, pois as vagas têm características distintas e geralmente exigem um determinado período, ou um determinado atributo que o estudante deve ter para preencher a oportunidade. Mas de antemão, o mais importante é que o aluno tenha disponibilidade para exercer a função e disposição em aprender as atividades práticas que lhe forem propostas. É importante frisar que quanto mais tempo o discente tiver para estágio, a empresa terá maior interesse. Então, nos períodos iniciais do curso o aluno terá maior tempo para realizar o estágio.”, finaliza.
Revisão por Ivan Trindade

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