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Fim do auxílio emergencial versus alto índice de desemprego: como o brasileiro vai se manter?

Imagem: José Cruz/Agência Brasil

Por João Pedro Gomes

Desde quando o fim do Auxílio Emergencial disponibilizado pelo Governo Federal era apenas um vislumbre no horizonte, ainda no ano passado, economistas já previam que esse momento não seria positivo: o desemprego de milhões de pessoas que necessitam desse auxílio financeiro em meio à pandemia de COVID-19 já mostrava a face. Dito e feito: os impactos negativos da doença atingiram uma multidão de brasileiros que atuam de maneira independente ou estão desempregados. 

Essa assistência financeira foi instituída no mês de abril do ano passado, e teve a finalidade de abranger e ajudar cidadãos que estivessem em situação de vulnerabilidade econômica em meio ao caos alarmante do novo coronavírus (SARS-CoV-2) durante o ano passado. Sem dúvida alguma as cinco parcelas de R$ 600,00 (R$ 1.200,00 no caso de mães de família) e quatro no valor de R$ 300,00 ajudaram (e muito) quem as recebeu. A grande dúvida que ecoava para os especialistas da área econômica era: Qual será a situação dos brasileiros após o final desse auxílio emergencial? E a situação de pobreza e miséria? E a situação de desemprego? Eram muitos questionamentos que apontavam para uma resposta: as coisas não vão bem.

Pouco menos de 60% da população contou com essa assistência financeira e teve como “se virar” em meio ao caos instaurado no país. No mês de junho, quando o isolamento social estava sendo mais respeitado que os dias atuais, economistas estimavam queda de 6,5% do Produto Interno Bruno (PIB) em 2020. Já a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que a retração seja de 5,0%. Entretanto, ambas as previsões concordam: o impacto só não foi maior por conta deste amparo econômico. Como disse Sérgio Vale, economista-chefe e sócio da MB Associados: “Sem o auxílio emergencial, o PIB teria caído muito mais”.

Pesquisas do mês de dezembro publicadas pelo Datafolha apontam que, no país, cerca de 36% das famílias que recebiam o auxílio emergencial não possuíam outra fonte de renda. Ao passo disso, o Economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), Daniel Duque, em entrevista, calcula que a extrema pobreza, que já alcançava 13,6 milhões de brasileiros, cresceria consideravelmente. “O fim do auxílio emergencial vai colocar mais cinco milhões de pessoas na pobreza e na extrema pobreza em relação ao período anterior da pandemia, porque o mercado de trabalho ainda está longe de se recuperar, principalmente para a população informal”, afirmou.

O advogado e economista Alessandro Azzoni também não possuía boas expectativas ao analisar o caso: “Com o fim do auxílio emergencial, teremos uma queda acentuada no poder de compra das famílias, o que irá provocar uma natural retração da demanda. Essa ajuda deveria continuar, pois as famílias poderiam equilibrar a renda e sobreviver, pois não têm de onde tirar recursos. E se você partir para um novo isolamento social horizontal, como foi feito em algumas cidades, isso neutraliza alguns setores empresariais e causa um impacto na economia”, explicou.

Imagem: Agencia Brasil

Situação nacional de desemprego 

Dados da Agência Brasil mostram que o desemprego no último trimestre do ano passado já atingia a marca de 14,6% em todo o país, o que representa 1,3 ponto percentual de aumento comparado ao semestre anterior, que ficou em 13,3%. Na época, o número representava mais de 14 milhões de profissionais sem renda fixa. 

A geração de emprego e a vacina são os dois maiores desejos dos brasileiros, de acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL). Quando questionada sobre o que é necessário para a melhoria de vida dos brasileiros, a população opta por saúde pública (38%) em primeiro lugar, geração de emprego (36%) em segundo e, em terceiro, educação (com 34%).

Karen Barbosa, 23, fez parte desse índice: é mãe de família e esteve desempregada por mais de dois anos. Em meio às dificuldades para encontrar um sustento em meio à pandemia, o auxílio emergencial a ajudou bastante: “Sou mãe, casada, e moro de aluguel. O auxílio me ajudou bastante, mas ainda levei um mês após o fim dele para conseguir outro emprego. Por sorte, meu marido trabalha”, relatou. 

A situação de Carlos Eduardo Rocha, 21, também não é fácil: sua mãe perdeu o emprego ainda no começo da pandemia, em decorrência da mesma. “Houveram cortes de gastos onde ela trabalhava, que era no (setor) administrativo (da empresa), mais de 90% dos funcionários daquele setor tiveram seus contratos encerrados. Ela não recebeu o auxílio (emergencial) porque estava recebendo o seguro desemprego, e depois que acabou a gente viveu do FGTS dela, já que ela tinha mais de 10 anos que trabalhava na antiga empresa e dava pra sustentar nós dois até que um de nós começasse a trabalhar”, relata. Todavia, sua mãe encontrou um emprego recentemente, mas ele ainda segue na busca da remuneração formal.

Um índice divulgado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do mercado formal, referentes ao ano de 2020 (entre os meses de janeiro e dezembro), aponta que o quadro de desemprego no país é alarmante. As regiões sul, sudeste e centro-oeste são as mais afetadas pela pandemia. Já as regiões norte e nordeste deixaram o ano com saldo relativamente positivo na geração de emprego. 

A pesquisa aponta que, entre os meses citados, no Tocantins, foram registradas 67.147 admissões e 59.876 desligamentos, o que resultou em 7.271 trabalhos formais gerados, o que é positivo, dada a situação e o momento. A averiguação aponta, também, uma tendência de recuperação do emprego, o que é mais difícil nas grandes metrópoles do país. Diante disso, o Estado do Tocantins acabou o ano de 2020 entre os cinco estados da região norte que mais geraram empregos formais.

Em recente entrevista, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou: “Esperamos que o Congresso retorne [ao trabalho, em fevereiro], que o governo possa avançar com as reformas. Há uma série de propostas aprovada na Câmara, mas paradas no Senado, e aprovadas no Senado e paradas na Câmara. Temos condições de atacar saúde, emprego e renda, que são nossas prioridades em 2021”.  

A população brasileira precisa de suporte em diversos sentidos, mas principalmente em saúde, educação e emprego. Em um momento tão devastador como a pandemia, é de extrema necessidade que os cidadãos se sintam seguros com maneiras de evitar e futuramente erradicar esta doença que tirou a vida de milhares de pessoas no mundo afora, mas, além disso, que também tenham como manter a si, à suas famílias e pessoas próximas. A volta de oportunidades de emprego no país irá proporcionar não apenas bem-estar na vida de todos os brasileiros, mas irá melhorar também o PIB do país e trará melhorias para todos. 

Revisão por Ivan Trindade

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