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Investigação de omissão por parte de SAMU para atender mulher que veio a óbito após bater a cabeça em calçada deve ser finalizada em dez dias, afirma delegado

Imagem: Divulgação

Por João Pedro Gomes

O delegado Pedro Henrique Félix Bernardes, titular da 66ª DP de Miranorte, informou que o inquérito que investiga a morte de Fernanda Dias de Sousa, de 33 anos, deve ser concluído em até dez dias. A vítima tinha nanismo e morreu após cair de uma calçada e bater a cabeça no chão. O Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) teria se recusado a prestar atendimento à moça, afirmando que ela queria apenas uma carona para casa, o que resultou no óbito de Fernanda.

“A vítima Fernanda se encontrava morta na residência sem sinais de agressão, sem sinais de homicídio, mas na data anterior a vítima ingeriu bebidas alcóolicas e em decorrência disso acabou caindo e bateu a cabeça. As investigações estão em andamento e o inquérito foi instaurado, com requisições e pessoas ouvidas”, declarou o titular da 66ª DP de Miranorte.

Em entrevista, a mulher que forneceu um local para Fernanda descansar afirmou que ligou para o SAMU e que a chamada durou mais de quatro minutos. Ela relata:  “Aí ele [atendente] foi dizer que que não podia mandar, que tinha que ter liberação. Eu falei ‘moço, a mulher não tá bem.’ Aí ele falou assim que o médico não ia liberar porque ela estava querendo era uma carona pra ir pra casa. Aí eu falei: Ela não tá querendo carona, ela caiu, a calçada é alta, então ela tá precisando de socorro”.

A Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) de Palmas é responsável pelos atendimentos de urgência e emergência de Miranorte. Apesar do município ter uma sede própria para Unidade de Suporte Básico, os atendimentos feitos no local são menos complexos. Ainda segundo a SEMUS, a informação fornecida na ligação é que Fernanda precisava de um transporte para sua residência, serviço que não é prestado pelas ambulâncias do SAMU, por isso o atendimento foi negado.

Nota da Semus

Sobre o caso ocorrido em Miranorte, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) de Palmas informa que está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários ao atendimento realizado.

Quanto ao serviço prestado pelo Samu, a Secretaria Municipal de Saúde informa que, atendendo pelo 192, desde 2011 o Samu da Capital passou a oferecer atendimento regionalizado de regulação médica a Lajeado, Tocantínia, Miranorte, Miracema, Novo Acordo, Porto Nacional e Paraíso.

Em Palmas, o Samu conta com seis ambulâncias, sendo duas unidades de suporte avançado, e quatro unidades de suporte básico. Esclarecemos que os municípios regulados têm suas próprias unidades de suporte básico e que somente o atendimento é regulado pelo Samu Palmas.

Os municípios de Lajeado, Miranorte, Porto Nacional, Paraíso, Novo Acordo possuem, cada um, uma unidade de suporte básico, que é de responsabilidade do município de origem. Ressaltamos que a unidade de suporte básico de Miranorte atende a própria cidade e também os municípios de Miracema, Lajeado e Tocantínia.

A unidade de suporte avançado conta com condutor (motorista), médico e enfermeiro. A unidade de suporte básico, por sua vez, conta com o condutor e técnico de enfermagem.

Entenda o caso

A morte de uma mulher de 33 anos está sendo investigada pela Polícia Civil, pois o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) supostamente negou atendimento à vítima. Identificada apenas como Fernanda, a mulher era uma anã que caiu da calçada na noite do último domingo (15), bateu a cabeça e foi abrigada por uma moradora, que a ofereceu um local para dormir. Porém, a mulher veio a óbito durante a noite.

A moradora, que pediu para não ser identificada, explicou que havia retornado da igreja e estava chegando em casa quando encontrou a mulher sentada numa calçada em frente a um bar, no setor Vila Mariana. Após alguns instantes, ela afirma que ouviu um grito de socorro, pois a vítima havia caído e batido a cabeça no chão. 

Ela relata: “Eu liguei no pessoal do Samu, tenho o registro aqui, durou quatro minutos e 18 segundos. Eu explicando e eles perguntando: ela é da onde, estava fazendo o quê? Eu disse: vou falar a verdade, ela passou a tarde no bar, só que caiu e está com a cabeça machucada. Aí foi dizer que não podia mandar que precisava de liberação e que o médico não ia liberar porque ela queria era uma carona para ir para casa”.

Segundo a moradora, ela chegou a ligar para a Polícia Militar, mas não havia nenhuma viatura na cidade. Ela contou que após isso, resolveu abrigar a vítima em sua casa, fornecendo um local para repousar em sua varanda: “Eu chamei ela e só da terceira vez que abriu o olho. Ela disse que estava com frio e eu fiquei com dó e perguntei se queria dormir aqui em casa. Arrumei uma rede para forrar o chão, dei travesseiro e embrulhei. Quando foi 6h30 eu olhei pela porta de vidro e vi tudo quieto. Por volta de 7h eu levantei, abri a porta e percebi que ela estava morta”. A Polícia Científica esteve no local e o corpo foi levado pelo IML.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) uma investigação para apurar o motivo da negação por parte do Samu em prestar atendimento foi aberta. O delegado Pedro Henrique Félix Bernardes, titular da 66ª DP de Miranorte, é o responsável pelas investigações. O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal em Paraíso, onde será feita uma necropsia.

A Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) de Palmas é responsável pelo atendimento do SAMU no município (que fica há mais de 100km de distância). O canal 192 afirma que, na data em questão, recebeu três chamadas de Miranorte, sendo que nas duas primeiras houve uma queda na ligação e na terceira, a informação era de que a mulher precisava de uma carona para sua casa, o que foi negado pelo motivo que o Samu atende apenas urgências e emergências.

“Eu acredito que se o pessoal do Samu tivesse socorrido ela não teria falecido. Eu achei muito desrespeito com o ser humano porque pode estar bêbado, mas é um ser humano. Se aconteceu algo a obrigação é socorrer”, finalizou a mulher que ajudou a vítima.

Revisão por Ivan Trindade

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