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Melhores álbuns nacionais de 2021

Divulgação

Por Luiz Filho

Assim como no ano anterior, 2021 ainda foi ano de pandemia, e isso rendeu muitos e muitos projetos musicais. Vários artistas que decidiram bebericar em outras fontes, diferentes das que já estavam acostumados, e isso resultou em diversas obras musicais inigualáveis e incrivelmente muito boas

Num ano em que foi meio pandemia e meio a liberação de eventos, a quantidade de álbuns muito bem produzidos superou o imaginável e ficou difícil até para a produção dessa lista, que em determinado momento chegou a ser somente 10, como foi em 2020, teve que se flexibilizar e aceitar um número maior, para não ser injusto com nenhum.

A lista é organizada de forma alfabética, neste sentido, não estamos colocando um parâmetro entre o melhor e o pior. Abaixo você acompanha os 15 melhores álbuns nacionais.  

Batidão Tropical – Pabllo Vittar

Batidão Tropical foi um grande feito de Pabllo Vittar em 2021. A artista conseguiu, finalmente, fazer o que já vinha tentando nos seus outros álbuns, levar os ritmos do norte e nordeste a nível nacional, e em Batidão Tropical ela conseguiu. A obra conta com três canções originais e outras seis regravações de grandes sucessos do forró, brega e tecnobrega, tão conhecidos pela região norte e nordeste do país.

O que faz de Batidão Tropical um dos melhores álbuns do ano, é a forma como Pabllo conseguiu fazer com que seis regravações presentes no projeto soassem não como regravação, mas como canções inéditas. Quer seja quando ela faz uma adaptação em Ultrassom, e diz “Alô, eu sou a Pabllo, quem é que liga”, ou na sua interpretação, com vocais poderosos e bem incorporados a alguns arranjos novos incluídos. Ao mesmo tempo, as três canções originais, Ama Sofre Chora, Triste com T e A Lua, conversam perfeitamente com o restante das faixas, tornando o álbum coeso e entregando justamente o que se pretendia, uma grande homenagem à música nacional.  

Chegamos Sozinhos Em Casa – Tuyo

O trio curitibano Tuyo, formado pelas irmãs Layane Soares, Lilian Soares e Jean Machado, desde seu surgimento, ainda em 2016, sempre trouxeram composições profundas. Mas em Chegamos Sozinhos Em Casa, é possível notar nitidamente o processo de amadurecimento do grupo em relação aos conflitos de sentimentos e angústias que o caminho até aqui provocou em cada membro do trio. E é justamente isso que torna o álbum tão próximo do ouvinte, criando uma conexão tão íntima, que você se enxerga nas composições.

A obra ainda conseguiu reunir grandes artistas da música brasileira de diversos gêneros e vertentes, com suas singularidades, mas ainda assim coerentes com a proposta intimista das composições e melodias. As parcerias são tão ecléticas, que enquanto temos o pianista Jonathan Ferr em uma canção, temos Drik Barbosa ali juntinho também. Outros nomes que fazem parte do projeto são: Jaloo, Lenine, Lucas Silveira, RDD, Shuna, Kamau, entre outros. O álbum possui uma maestria tão grandiosa, que foi indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro.

COR – Anavitória

Ana Caetano e Vitória Falcão, Anavitória, lançaram COR, justamente no primeiro dia do ano, em 1 de janeiro de 2021, um álbum forte, singelo, romântico, dolorido, intimista e, sobretudo, do mundo. A obra é um deleite musical, e já começa com Amarelo, azul e branco, composição das cantoras, que é uma verdadeira homenagem ao Tocantins, estado de origem da dupla, com a participação de Rita Lee, que narra de forma poderosa, um trecho do texto de Simone de Beauvoir. A segunda participação do álbum é Lenine, na canção Lisboa, uma canção significativa, que representa onde a obra começou a ser produzida e teve sua conclusão.

Ao longo das 14 faixas de COR, percebemos que ainda mais maduras, as tocantinenses agora cantam músicas que não são só para histórias românticas e doloridas, mas também que tem mágoas direcionadas, mas retratadas de uma forma tão bela, que nem mesmo parece ser uma canção que nasceu com essa proposta. O álbum ainda tem o ponto positivo de fugir das normalidades atuais de lançamentos de canções tão curtas, que são divulgadas de forma fatiadas no formato de singles e EPs. Neste ano, a obra que foi indicada ao Grammy Latino, ganhou na categoria Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, fazendo com que o duo, tenha pelo menos um gramofone por cada álbum de inéditas. Além disso, elas ganharam também o prêmio de Melhor Canção Em Língua Portuguesa pela canção Lisboa.

De Primeira – Marina Sena

Marina Sena já era um nome conhecido no meio alternativo/indie, uma vez que ela era integrante do Rosa Neon. Mas foi após o fim dos trabalhos do grupo que ela lançou De Primeira, o álbum que viria a ser um dos mais escutados e aclamados no ano de 2021. O projeto chegou já sendo um suprassumo da música brasileira, conseguindo unir de forma perfeita o pop nacional, com samba, MPB, axé e até um pouco de reggae. E já no seu álbum de estreia, a cantora conseguiu ser uma das mais indicadas no Prêmio Multishow, inclusive nas categorias do super júri, que não são abertas ao voto popular.

Natural de Taiombeiras, Minas Gerais, Marina é um grande nome da música nacional, mesmo sendo uma estreante em carreira solo. Ela conquistou esse posto, devido ao modo que conseguiu lançar uma obra, como De Primeira, de forma tão brasileira, ultrapassando bolhas nacionais e alcançando estados com predominâncias de gêneros bem diferentes. Outra conquista do projeto, devido a quantidade de referências de ritmos, proporcionando uma conexão com diversos públicos, porém ainda assim conseguindo manter as faixas conversando entre si, sem parecer um acúmulo de músicas avulsas.

Doce 22 – Luísa Sonza

Após um ano de produção, Luísa Sonza chegou no álbum Doce 22, que acabou sendo, de uma forma contraditória, o projeto mais pessoal que ela já tenha lançado, mas ao mesmo tempo bastante comercial. Isso porque enquanto as canções retratam situações e experiências pessoais como sua separação, a quantidade de insultos que recebeu, que a fez sair das redes sociais, a disseminação de diversas fake news, mas o apelo comercial em torno da obra é gigantesco, o que não diminui em nada a qualidade da obra.

Apesar da confusão, que vai dos nomes das faixas que incluem caracteres e símbolos, até os ritmos das músicas, que saí de um verdadeiro pop como em INTERE$$EIRA, mas chega na influência da “sofrência” em melhor sozinha :-)-:, ao rap em VIP *-*, e a outros gêneros. É possível compreender e enxergar a proposta, que é justamente a grande bagunça que sua vida se tornou nos últimos anos. Doce 22 conta com as participações de Anitta, Pabllo Vittar, Lulu Santos, 6LACK, Jão, além das canções ainda não divulgadas com a participação de Ludmilla e Mariah Angeliq.

Dolores Dala Guardião do Alívio – Rico Dalasam

É uma história sendo contada, é assim que Dolores Dala Guardião do Alívio, álbum de Rico Dalasam soa. A obra conta com interludes que são fundamentais para a construção de uma narrativa que é notada da primeira até a última canção do projeto. É como se cada faixa desse uma abertura para a seguinte, de uma forma graciosa e forte. Graciosa, pela forma como o rapper faz suas rimas serem ricas, e nada piegas. Forte pelos temas, uma vez que o álbum é fruto dos conflitos da realidade, de relacionamentos instáveis, e muita dor. Apesar de deixar claro que não está debatendo a vida do negro, o artista fala de um local que cria uma correlação direta com ouvinte.

De acordo que se vai ouvindo o projeto, mais se mergulha na melancolia, nas dores e reflexões propostas pelo artista, ficando em evidência o processo de amadurecimento que ainda tem passado. Esse amadurecimento, não está ligado somente a pessoa, mas também a sua música. Isso fica ainda mais claro quando fazemos uma retrospectiva de outros trabalhos de Dalasam. Dolores Dala Guardião do Alívio conta com algumas participações especiais, como Chibatinha, do grupo ÀTTØØXXÁ, DDG, Netto Galdino, Mahal Pita, do coletivo BaianaSystem, entre outros, tanto na produção quanto no vocal, que permitiu que a obra pudesse transitar entre alguns gêneros de uma maneira leve e quase imperceptível.

Nu – Djonga

Em Nu, o rapper Djonga consegue trazer uma junção entre os excessos, as conquistas,  histórias fortes e de superação, de forma que foge completamente do piegas, que já ouvimos rotineiramente em algumas rimas e canções por aí. E se na faixa Xapralá, o rapper canta “O disco anterior sempre vai ser o melhor. O Djonga de ontem era melhor também!”, a contradição chega pelo fato de que o ‘Djonga’ de hoje, assim como álbum é o “chegou lá”, num patamar que não se faz mais trabalhos pobres e rasos. Enquanto parte dos artistas estão em um processo de amadurecimento na música, o rapper com esse projeto, prova que sua estrada agora segue um caminho constante de crescimento, para o melhor.

Retrospectivamente falando, Nu tem a menor tracklist. Enquanto os demais álbuns da carreira contam com 10 faixas, o atual chega com oito, e foi aqui que ele conseguiu, na verdade, um acerto perfeito. O número reduzido de canções proporcionou que cada faixa ficasse ainda mais na mente, além de ter feito com que o projeto seja redondinho na sua proposta, evidenciando ainda mais o domínio do artista com sua obra.

Ojunifé – Majur

Majur é uma artista que já tem anos de carreira, mas apenas em 2021 lançou seu primeiro álbum, Ojunifé. O nome do álbum, vem do conceito “amor dos olhos” na língua iorubá, e também o nome religioso da cantora. A obra é um acerto perfeito para ser seu primeiro projeto de estúdio inédito. Majur lança um afropop, que conversa diretamente com a MPB e com forte influência da música baiana, como o axé. Apesar de ser um projeto intimista e completamente biográfico, uma vez que suas canções são sobre si e suas experiências. E é  por isso que conversa tão bem com o ouvinte, de tal forma a pegar emprestado as histórias cantadas pela artista, para si mesmo, tamanha a proximidade.

Para deixar essa proximidade ainda mais forte, a participação de Liniker na canção Rainha de Copas e de Luedji Luna em Ogunté, faz toda a diferença para a construção da tracklist. De forma bem clara, que vai muito além do título do projeto, Ojunifé, é recheado de simbolismo. Desde os nomes das canções até as composições, e a própria capa do álbum carrega significados que remete a uma parte da cultura negra do país.

Olho de Vidro – Jadsa

Se Olho de Vidro, álbum de estreia de Jadsa, fosse uma forma, claramente seria de ondas. O projeto chegou recheado de guitarras e baixos que criam um laço entre si, abraçando de forma carinhosa as vozes da intérprete baiana, que ecoam, de uma forma, que criam um frenesi transcendente. Apesar de soar calmo, as canções são na verdade um turbilhão de instrumentos, que faz de Olho de Vidro uma obra docemente libertária e poética. O álbum por vezes soa extremamente experimental, devido a forma que a artista conduz sua voz entre os sons dos instrumentos.

E se enquanto o álbum se concentra em ser estridente, Olho de Vidro, traz temas como amadurecimento pessoal, dores, relacionamentos e muitas histórias, que por vezes pedem melodias mais melancólicas e lentas, mas não é esse o caso aqui. A obra conta com composições antigas de 2016 e 2017, mas que são atemporais. O álbum é um mergulho profundo na mente de Jadsa, que nos guia por músicas que passeiam entre o rock, alternativo e reggae.

Os Amantes – Os Amantes

Os Amantes é um grupo formado pela banda de rock alternativo Strobo e o cantor Jaloo. O grupo, que se reuniu oficialmente para uma música em 2019, só voltou a lançar material inédito em 2021, com o álbum de mesmo nome, Os Amantes. E se ambos artistas já são tão elogiados pela crítica e reconhecidos no meio alternativo, eles juntos, não tinham como dar errado. Apesar de ter referências dos próprios artistas e de suas obras em carreira solo, a união trouxe algo completamente novo e brasileiro. Com fortes ritmos paraenses, como o carimbó e o calipso, mas com pitadas da lambada e até mesmo da música baiana.

O álbum é animado, e nos remete a diversas fases da cultura musical do Brasil. É possível se lembrar de Os Mutantes, Caetano Veloso e Gilberto Gil no auge do movimento da Tropicália, e até mesmo Maria Bethânia. Mesmo com fortes referências já citadas, o Os Amantes é uma experiência, pois você sabe que já ouviu algo assim, mas que agora está diferente. Algo único e experimental.

OxeAxeExu – BaianaSystem

O álbum OxaAxeExu de BaianaSystem era o que estávamos precisando em um ano ainda sem carnaval. Em 21 faixas e com um tempo de uma hora de duração, o coletivo nos apresenta uma controvérsia fuga da atual realidade que estamos vivendo. Se enquanto temos músicas altas, com muitos instrumentos de percussão, que soam à primeira vista alegres e divertidos, temos letras e interludes que nos remetem direto a pandemia, crises políticas e sociais do país. Mas mesmo assim, recebemos um convite para uma profunda imersão na obra que é riquíssima de referências nordestinas.

Originalmente o projeto chegou dividido em três atos, e no final resultou no álbum que temos conhecimento hoje. Essa é uma prova de que BaianaSystem, tem um controle criativo e coeso muito grande de suas obras, uma vez que mesmo enquanto dividido em três álbuns distintos ou unido, existe uma narrativa coerente do início ao fim, que inclui as músicas, as interludes e até mesmo as colaborações. Inclusive, falando em colaborações, as participações especiais nos álbuns já são algo tradicional e em OxeAxeExu, não poderia ser diferente. Fazem parte do projeto BNegão, Chico César, Claudia Manzo, Céu, entre outros, que fazem do álbum algo único e memorável.

Patroas 35% – Marília Mendonça e Maiara & Maraisa

Desde o início de sua carreira que Marília Mendonça tem composições emblemáticas, poderosas, e claro, com muita sofrência. Maiara e Maraisa, também não ficam atrás nesse quesito. E se as participações especiais que uma e outra faziam nos álbuns, já eram um grande sucesso, não tinha como dar errado a união das três para um álbum. Foi justamente o que aconteceu em 2020, recebendo indicação ao Grammy Latino, e se repetiu em 2021. O grande diferencial de Patroas 35% é a sofrência, algo que podemos dizer que foi criado por Marília, mudou. Se antes tínhamos letras sobre ser a outra, sobre a dor da saudade, nessa nova parceria o trio deixa claro em suas composições que sofrer é inevitável, porém é optativo a humilhação por alguém que não te trata como deveria.

A união dessas três mulheres proporcionou composições que emponderam mulheres, que se espelham nelas, em locais que o discurso feminista teórico, não chega com o mesmo impacto que em outros círculos. A mudança de tom, fica em evidência em faixas como Presepada e Motel Afrodite. Deixando claro que o amadurecimento, não veio só nas músicas, mas também no dia a dia das artistas. Principalmente de Marília, que ainda tinha apenas 26 anos, e com um filho de dois anos. Patroas 35% é um marco na música sertaneja atual, não só pelas artistas envolvidas, mas pela mudança que provocará no cenário de um gênero que ainda é bem machista e sexista, para além disso, ele moldará o modo de composição de músicas no futuro, e aí não estamos falando só no sertanejo.

Purakê – Gaby Amarantos

Depois de longos nove anos, desde o seu primeiro álbum de estúdio, Gaby Amarantos lançou Purakê, um álbum recheado de brasilidade, simbologia e temas sociopolíticos e ambientais. Começando pelo próprio nome da obra, que se trata de um peixe pré-histórico, tipo uma enguia, que tem uma voltagem que pode chegar até 860 volts. Gaby nunca deixou suas raízes paraenses, e dessa forma, não tinha como o projeto vir sem os ritmos do estado, como o tecnobrega e aparelhagem, mas ainda é possível identificar influência da MPB, o pop brasileiro, mas tem também muitas batidas novas e que ainda não ouvimos. Isso é algo muito legítimo de Gaby, mas também de Jaloo, que é o produtor do álbum.

Purakê tem um quê muito forte de vanguardista, que está muito à frente do seu tempo. Algo que Gaby fez quando colocou uma música típica de aparelhagem, como Ex Mai Love, tocando nas rádios de todo o Brasil. Além dos ritmos, gêneros e melodias experimentais, o que transforma o álbum tão único, são suas participações. Por exemplo em Última Lágrima, que reúne Elza Soares, Alcione e Dona Onete em uma canção de composição forte e inspiradora. Porém ainda estão presentes em Purakê, Ney Matogrosso, Liniker, Luedji Luna, Potyguara Bardo, Leona Vingativa, Viviane Batidão e Jaloo, que além da produção contribuiu com os vocais em Tchau.

Te Amo Lá Fora – Duda Beat

Duda Beat vinha de um primeiro álbum, Sinto Muito de 2018, consolidada com a proeza de ter tido um dos melhores álbuns lançados naquele ano. Isso coloca uma responsabilidade muito grande nos projetos que virão depois, porém Te amo Lá Fora, não decepcionou em nada. Segundo a própria artista, é uma continuação do primeiro álbum. Assim como Marília Mendonça, Duda beberica na fonte da sofrência. Aqui ela chega com outros gêneros e ritmos, como o tecnobrega, trap, maracatu, brega, sythpop e o próprio pop. A pluralidade musical, mostra um domínio da cantora, que consegue passear entre um gênero e outro, sem perder sua essência, tão pouco a estética criada para o projeto.

E se a narrativa de um projeto para o outro foi construída de forma perfeita, não tinha como esse álbum não ser coeso e coerente a sua proposta. As composições surgem mais maduras, bem como a própria intérprete. Mas a obra em si, diferente da anterior, não chega com elementos experimentais, mas com uma produção bem elaborada. Embora Te Amo Lá Fora possa soar como uma mesmice, provocado por essa narrativa, a abordagem escolhida para os mesmos temas faz toda a diferença. É isso que nos leva a entender que enquanto em Sinto Muito, as feridas estavam recém feitas e expostas, em Te Amo Lá Fora, as feridas estão começando a cicatrizar, mostrando que uma nova pele nascerá, e mesmo que ali fique marcas, dará para continuar a seguir o caminho com elas e até mesmo ter outras.

Vou Ter Que Me Virar – Fresno

Rock, eletrônico, samba e diversos outros gêneros e ritmos juntos, poderiam dar certo?A banda Fresno lançou o álbum Vou Ter Que Me Virar, provando que dá muito certo. O projeto mostra que mesmo com anos desde o surgimento do grupo, parcerias, hiato e outros trabalhos paralelos, a banda ainda segue fiel às suas raízes. Para a música mundial, o punk rock e o emocore voltaram com uma grande força, e nessa obra, Fresno mostra a razão de serem um grande nome da cultura emo no Brasil. Porém aqui Lucas Silveira, Gustavo Mantovani e Thiago Guerra, mostram como suas parcerias com outros artistas ao longo dos 20 anos de carreira, influenciaram suas referências e o som, propriamente dito, da banda.

Ao todo a obra conta com 11 faixas, sendo oito inéditas e outras três que já tinham sido apresentadas no projeto INVentário, também de 2021, completamente autoral e com toque experimental, que reuniu diversas composições da banda, algumas de até 10 anos atrás. Até chegar ao modo como conhecemos hoje, Vou Ter Que Me Virar teve ao todo 42 versões, que foram consideradas para ser lançadas. Apesar de respeitar suas raízes, não tem como não perceber como a obra chega experimentando novas formas, sons e parcerias, como em Já Faz Tanto Tempo, que conta com a participação de Lulu Santos, e em Tell Me Lover, um dos pontos altos do álbum, que conta com a participação internacional dos artistas Scarypoolparty e Yvette Young, uma canção interpretada em português e inglês.

A pandemia como um todo, criou certas barreiras que nos obrigou a olhar mais para dentro, isso proporcionou que muitos artistas nacionais voltassem a ter o mesmo brilho para os brasileiros, tal como os artistas internacionais. Sempre soa piegas quando falamos do “espírito de vira-lata” do brasileiro, porém não tem como não comentar da grande valorização da arte e cultura que vem de fora, comparada ao que temos aqui no Brasil.

Já faz alguns anos que esse sentimento de olhar e valorizar mais os nossos artistas locais, voltou para os meios que consomem essas obras. Isso se dá até pelo modo como os próprios artistas começaram também a valorizar ainda mais os gêneros e ritmos brasileiros. Mas com a pandemia pudemos notar que a relação entre os artistas brasileiros e o público, ficou mais próxima, talvez por conta de diversas lives que foram realizadas devido ao isolamento social. O resultado estamos colhendo agora, um ano que pudemos desfrutar de grandes lançamentos em diversos gêneros da música nacional. 

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