fbpx

O que a leitura te provoca?

Coluna por Francisca Layla

A primeira vez que eu li um livro por vontade própria foi aos 13 anos. Eu não sabia explicar em palavras o que acontecia comigo durante a leitura de “O meu amigo pintor” da Lygia Bojunga, mas eu sentia. Desde então, a leitura acompanha os meus passos. Eu sou um vespeiro e a literatura é o pedaço de madeira que me atiça. 

“A literatura não permite caminhar, mas permite respirar” – Roland Barthes

Ainda que não saibamos exatamente o que a leitura de determinado livro nos provoca, conseguimos perceber que algo acontece. De acordo com os estudos literários, foram atribuídas cinco funções à literatura: catártica, político-social, cognitiva, estética e lúdica.

A literatura apresenta a função catártica quando uma obra provoca sensações e faz aflorar do interior sentimentos profundos. Os exemplos são particulares de cada indivíduo, já que o sentir não é uma experiência compartilhada, o livro que me provoca sentimentos profundos pode não ser o mesmo para você. 

Se você já leu “O cortiço” de Luisio Azevedo, “O quinze”, de Rachel de Queiroz ou “Vidas secas” de Graciliano Ramos, percebeu que essas obras apresentam um recorte da realidade. São obras que acabam provocando a conscientização em algum nível. Essa função é chamada de político-social, também chamada de literatura engajada, pois descrevem, ironizam, criticam ou até mesmo satirizam problemas sociais (seca, corrupção, racismo, pobreza, ditaduras, machismo, etc.). 

Já a função cognitiva é a capacidade de transmitir informações. Há obras que nos passam conhecimento por meio da descrição do período histórico, costumes de uma época, características culturais, dentre outros. Essa função não depende do gênero ou estilo do escritor. Vários romances da escritora Nora Roberts, por exemplo, apresentam ao leitor costumes irlandeses, descrevem paisagens de cidades e um pouco da cultura do país.

Literatura também é estética quando a função predominante do texto literário é despertar os nossos sentidos de belo e bonito, um prazer agradável. Esse aspecto do “belo” na literatura pode estar ligado ao jogo de palavras e imagens criados pelo escritor, pela perfeição da escrita, pela capacidade criativa, dentre outros recursos. O texto causa uma admiração no leitor, como os textos de Olavo Bilac que são compostos por poemas com rima, ritmo e métricas perfeitos.

É importante lembrar que a literatura também entretém. A função lúdica aparece quando o seu principal objetivo é proporcionar algum tipo de prazer, como relaxamento e diversão. Essa é a função mais básica da literatura, pois, na realidade, o leitor está em busca de textos literários que possam envolvê-lo. Aqui entra o mesmo preceito da função catártica, os exemplos são particulares, pois somente nós mesmos podemos dizer o que nos provoca alegria e prazer.

A leitura é uma atividade que só possui benefícios. Para criar o hábito da leitura, comece por livros do seu interesse, temas ou gênero que gosta. A função lúdica é uma excelente aliada. Leitura boa é leitura livre.

Francisca Laylla. Foto: Acervo Pessoal

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *