fbpx

Oscar de 2021: como a pandemia afetou a premiação

Por Luiz Filho

O Oscar marca o fim da saga da temporada de premiações de televisão e cinema, porém este ano devido a pandemia causada pela Covid-19, todas as cerimônias sofreram, de alguma maneira, grandes alterações, não só nas datas como também em seus formatos e regras das obras elegíveis para concorrer. As adaptações que estão ocorrendo é uma forma de manter a tradição das premiações, mesmo durante a pandemia. 

As premiações que antecedem o Oscar, por exemplo, Globo de Ouro e Emmy, aconteceram totalmente de forma remota e virtual. No Globo de Ouro as apresentadoras Tina Fey e Amy Poehler, amigas de longa data e responsáveis por comandar a premiação, apresentaram-se presencialmente, mas uma em Nova York e a outra em Los Angeles. 

Já no Emmy, o apresentador Jimmy Kimmel deu um jeito de fazer com que a pandemia se tornasse algo presente e real, e ainda brincou com a situação da premiação ser por ‘vídeochamada’ dizendo “o que pode dar certo?”, devido ao fato que todos os concorrentes estariam ao vivo sendo transmitidos quer seja por videochamada ou por transmissões via satélite. 

Porém, naturalmente, o formato não agradou, e isso foi mostrado na audiência das premiações que caíram drasticamente nestas edições. Isso se deu, pois ainda que a intenção fosse manter a premiação, o que se espera desses eventos é justamente a espontaneidade dos concorrentes, que já vivem de atuação, logo, querem a naturalidade da emoção quando recebem o prêmio. Isso ficou um pouco impossível, uma vez que todos os concorrentes receberam o troféu em casa para poder segurar na hora que seu nome fosse anunciado, quebrando totalmente a surpresa do momento. 

É justamente isso que o Oscar quer assegurar para sua edição durante a pandemia. Neste sentido, eles querem manter não só a audiência, mas também a experiência da surpresa tanto para quem recebe o prêmio, quanto para quem está assistindo de casa. Pensando nisso a cerimônia passou por alguns ajustes, tanto da lista de convidados quanto na data do evento. Que você pode conferir abaixo: 

Formato

O formato ainda é incerto. Porém o que já foi confirmado é que durante a cerimônia presencial, só poderão comparecer apenas aqueles que foram indicados, e irão apresentar a cerimônia, bem como seus acompanhantes. Ou seja, a tradicional loteria que distribui convites para associados, realizada todo ano, não irá acontecer nesta edição. 

Além disso, a premiação será dividida em dois locais. A casa da cerimônia do Oscar em Hollywood é o Dolby Theater, e ainda será mantida, mas a estação de trem no centro de Los Angeles, Union Station, será também palco da premiação. O local que é maior, possibilitará receber mais convidados respeitando o distanciamento. A intenção é justamente conseguir colocar o máximo possível dos indicados em um só lugar, mais ainda respeitar as normas sanitárias e assim fugir do formato virtual de outras premiações 

Data

Tradicionalmente a premiação acontece em fevereiro, porém a 93ª Cerimônia do Oscar foi adiada para o dia 25 de abril. Essa é a quarta vez na história que a cerimônia tem a data alterada. As outras alterações em anos anteriores aconteceram por conta da inundação em Los Angeles em 1938; pelo assassinato de Martin Luther King em 1968; e pela tentativa de assassinato do Presidente Ronald Reagan em 1981. 

Período de lançamento

Por consequência da alteração da data da cerimônia, essa é a primeira vez, desde a 6ª edição da premiação, que as regras para obras elegíveis tiveram mudança, neste caso estavam elegíveis para a esta edição filmes que foram lançados em dois anos diferentes, 2020 e 2021. 

Tradicionalmente as obras que podem concorrer precisam ter sido lançadas no período de 1º de janeiro até 31 de dezembro. Com a alteração, filmes que foram lançados até 28 de fevereiro de 2021 puderam concorrer na 93ª edição do Oscar. 

Obras elegíveis 

Para poder participar do Oscar, as obras cinematográficas precisam ter sido exibidas em salas de cinemas de Los Angeles, porém por conta do fechamento dos cinemas, nesta edição, em especial, estavam elegíveis para concorrer produções que iriam ser lançados nos cinemas, mas precisaram ser disponibilizados somente no formato digital em plataformas de streaming. Estavam também elegíveis filmes que tiveram suas estreias em drive-ins.

Essas duas alterações tanto na data de filmes lançados aptos para concorrer, quanto no modo de estreia do filme, são mudanças temporárias, ou seja, só foram implementadas por conta do agravamento da pandemia. Porém elas abrem uma discussão já antiga da premiação a respeito de uma das principais regras da premiação: só podem ser submetidos obras que ficaram em cartaz em cinemas de Los Angeles. 

Para muitos essa regra é essencial para não matar a história e tradição dos cinemas, porém outros profissionais acredita que essa regra é o que barra obras que tem pouco orçamento de poderem ser elegíveis para o Oscar, uma vez que os gastos de uma exibição de um filme em cinemas, principalmente em Hollywood, é muito caro.

A queda dessa regra neste momento, proporcionou uma maior certa democratização e variedade de projetos, no quesito filmes independentes e com poucos recursos, podendo concorrer de igual para igual com grandes estúdios. Além disso as plataformas de streamings, grandes inimigas de premiações com regras como a do Oscar, podem concorrer de forma mais forte. 

Por exemplo, nesta edição a Netflix é a recordista de indicações com 18 títulos originais que concorrem. Mank, um dos destaques desta edição, está indicada em 10 categorias. No passado, para poder ter seus títulos originais na premiação a empresa precisava desembolsar altos valores de investimento para poder custear a exibição de filmes em salas de cinema em Los Angeles, por no mínimo uma semana. 

E não foi só a Netflix que conseguiu tirar proveito desse momento. A Amazon Prime Video, que apesar de ter só quatro produções originais concorrendo, recebeu 13 indicações, sendo que O Som do Silêncio, concorre nas principais categorias. Até a recém chegada Disney+, conseguiu indicação com a animação Soul, que era para ter sido lançada no cinema, mas diferente de outras obras que tiveram as estreias adiadas, a produção virou conteúdo exclusivo da plataforma. 

Abaixo você pode acompanhar a lista completa dos indicados ao Oscar de 2021:

MELHOR FILME

Meu Pai
Judas e o Messias Negro
Mank
Minari
Nomadland
Bela Vingança
O Som do Silêncio
Os 7 de Chicago

MELHOR DIREÇÃO

Thomas Vinterberg – Druk: Mais uma Rodada
David Fincher – Mank
Lee Isaac Chung – Minari
Chloé Zhao – Nomadland
Emerald Fennell – Bela Vingança

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Collective
Crip Camp: Revolução pela Inclusão
The Mole Agent
Professor Polvo
Time

MELHOR ATOR

Riz Ahmed – O Som do Silêncio
Chadwick Boseman – A Voz Suprema do Blues
Anthony Hopkins – Meu Pai
Gary Oldman – Mank
Steven Yeun – Minari

MELHOR ATRIZ

Viola Davis – A Voz Suprema do Blues
Andra Day – The United States vs. Billie Holiday
Vanessa Kirby – Pieces of a Woman
Frances McDormand – Nomadland
Carey Mulligan – Bela Vingança

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Maria Bakalova – Borat: Fita de Cinema Seguinte
Glenn Close – Era uma Vez um Sonho
Olivia Colman – Meu Pai
Amanda Seyfried – Mank
Yuh-Jung Youn – Minari

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Sacha Baron Cohen – Os 7 de Chicago
Daniel Kaluuya – Judas e o Messias Negro
Leslie Odom Jr. – Uma Noite em Miami
Paul Raci – O Som do Silêncio
Lakeith Stanfield – Judas e o Messias Negro

MELHOR FOTOGRAFIA

Judas e o Messias Negro
Mank
Relatos do Mundo
Nomadland
Os 7 de Chicago

MELHOR FIGURINO

Emma
A Voz Suprema do Blues
Mank
Mulan
Pinóquio

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM

Collete
A Concerto is a Conversation
Do Not Split
Hunger Ward
A Love Song for Latasha

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Judas e o Messias Negro
Minari
Bela Vingança
O Som do Silêncio
Os 7 de Chicago

MELHOR MONTAGEM

Meu Pai
Nomadland
Bela Vingança
O Som do Silêncio
Os 7 de Chicago

MELHOR FILME INTERNACIONAL

Druk: Mais uma Rodada (Dinamarca)
Better Days (Hong Kong)
Collective (Romênia)
O Homem que Vendeu Sua Pele (Tunísia)
Quo Vadis, Aida? (Bósnia)

MELHOR ANIMAÇÃO

Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica
A Caminho da Lua
Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca
Soul
Wolfwalkers

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM

Emma
Era uma Vez um Sonho
A Voz Suprema do Blues
Mank
Pinóquio

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

Terence Blanchard – Destacamento Blood
Trent Reznor e Atticus Ross – Mank
Emile Mosseri – Minari
James Newton Howard – Relatos do Mundo
Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste – Soul

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Fight for You” – Judas e o Messias Negro
“Hear my Voice” – Os 7 de Chicago
“Husavik” – Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars
“Io Sí” – Rosa e Momo
“Speak Now” – Uma Noite em Miami

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

Meu Pai
A Voz Suprema do Blues
Mank
Relatos do Mundo
Tenet

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

Burrow
Genius Loci
If Anything Happens I Love You
Opera
Yes-People

MELHOR CURTA-METRAGEM

Feeling Through
The Letter Room
The Present
Two Distant Strangers
White Eye

MELHOR SOM

Greyhound
Mank
Relatos do Mundo
Soul
O Som do Silêncio

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Love and Monsters
O Céu da Meia-Noite
Mulan
O Grande Ivan
Tenet

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Borat: Fita de Cinema Seguinte
Meu Pai
Nomadland
Uma Noite em Miami
O Tigre Branco

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *