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Para maior proteção, mais uma injeção: terceira dose da vacina contra Covid-19 é aplicada no Brasil; Tocantins já iniciou o processo

Imagem – Raiza Milhomem & Prefeitura de Palmas

Por João Pedro Gomes

O que as pessoas acreditavam que duraria duas semanas se perdura até hoje: a pandemia de Covid-19, apesar de mais branda se comparada a alguns meses atrás, ainda é uma realidade e vidas continuam sendo ceifadas por essa doença. Contudo, graças à ciência, a população hoje pode se imunizar contra o coronavírus — o que, infelizmente, mais de 580 mil brasileiros e, em escala global, 4,5 milhões de pessoas, não puderam fazer —. Após meses de medo, incertezas e cuidados constantes, as vacinas trazem uma sensação de alívio para a sociedade brasileira, que em maior parte já tomou ao menos a primeira dose.

Durante toda a campanha de vacinação, que teve início no dia 17 de janeiro deste ano, o Ministério de Saúde e os profissionais da área reiteraram a importância de se completar o ciclo vacinal, tomando as duas doses (com exceção apenas para o caso da Janssen, imunizante de aplicação única) para garantir a eficácia completa do imunizante e maior proteção contra o vírus. Apesar de muitos brasileiros ignorarem esta recomendação e não tomarem a D2, o efeito da imunização em massa já pôde ser visto e os resultados são positivos: queda no número de contaminações, de internações e, consequentemente, de mortes. 

Vinicius Nascimento é da área da saúde e pode se vacinar nos primeiros meses de campanha por estar na linha de frente contra o coronavírus. Ele afirma que encontrou esperança ao sentir a segunda dose sendo aplicada: “Completar o ciclo vacinal ao tomar a segunda dose da vacina foi como uma injeção de vida. Eu me senti tão esperançoso e consegui vislumbrar um futuro feliz onde meus parentes, amigos, pacientes e todo mundo não precisassem se preocupar com essa doença. Fui do primeiro grupo a se vacinar por ser da linha de frente, mas mesmo com a vacina, continuo me cuidando e orientando as pessoas a continuarem seguindo os protocolos de segurança, coisa que sempre aconselho a todos que também tomam o imunizante”, disse.

Já Gabriela Rossi, 23, precisou esperar mais de sete meses desde o início da vacinação para ser imunizada. Após mais de um ano e meio isolada, a jornalista conseguiu a tão sonhada primeira dose do imunizante, e pontuou que o tempo de espera foi agoniante: “Aqui em Palmas demorou muito para isso [a vacinação] acontecer, isso me deixou muito triste, mas consegui me cuidar e durante todo esse tempo não peguei a doença. Ter que esperar tanto foi frustrante”, comentou. Apesar disso, ela celebrou sua primeira dose: “A sensação é de alívio, ansiedade e esperança. Eu não senti a agulha, nem senti nada, fiquei muito feliz de ter tomado [a primeira dose]. Sei que não acabou ainda, mas a gente tá avançando”, comemorou. 

Terceira dose: por que? Quando? Qual? 

No dia 25 de agosto deste ano, o Ministério da Saúde anunciou a aplicação da terceira dose das vacinas na população com o intuito de prolongar a proteção contra os efeitos do vírus. De início, dois públicos serão o foco principal: idosos e pessoas imunossuprimidas (com baixa imunidade). A ação já foi adotada também em outros países, como Estados Unidos e Israel. A necessidade de um reforço entrou em pauta após os surtos de casos da variante Delta da Covid-19, que é mais transmissível e possivelmente mais mortal, além de ser um pouco menos vulnerável às vacinas.

Antes que conspiradores e negacionistas questionem, é importante inteirar que a terceira dose da vacina contra a Covid-19 não significa que as duas primeiras são ineficazes, mas que um reforço maior é necessário. Estudos britânicos recentes apontam que a imunização fornecida por duas doses das vacinas Pfizer e AstraZeneca começa a diminuir após seis meses, o que ressalta a importância de doses de reforço. 

Dados do estudo ZOE Covid, que se baseou em mais de 1 milhão de usuários, apontam que apenas no caso da vacina Pfizer/BioNTech, a eficácia cai de 88% para 74% em cinco ou seis meses após a aplicação da segunda dose. Quase no mesmo período de tempo, a AstraZeneca cai de 77% para 67% em sua proteção. 

Porém, quem indicou outra via foi a Organização Mundial da Saúde (OMS), que aconselha que primeiro se aplique as doses no maior número de pessoas possível, para posteriormente se discutir uma terceira dose, visto que grande parte da população mundial ainda não teve acesso nem à primeira injeção. A instituição defende que ainda não é o momento de discutir mais uma dose para quem já completou o ciclo vacinal, mas sim completá-lo pelo mundo, para evitar o surgimento de novas cepas.

O aconselhamento não foi adotado e alguns países iniciaram a aplicação da dose de reforço. No Brasil, a terceira dose é indicada, inicialmente, para idosos que já completaram o esquema vacinal há mais de seis meses, e para os imunossuprimidos, a terceira agulhada deve ser feita 28 dias após a segunda. Mas você deve estar se perguntando: quem se encaixa nos imunossuprimidos? Confira abaixo:

Pessoas imunossuprimidas não possuem o sistema imunológico em perfeito estado, exercitando a função de proteger o indivíduo de “corpos estranhos”, como vírus. Os casos podem ser de nascença em decorrência de doenças congênitas — intituladas imunodeficiências primárias —; as imunodeficiências secundárias, como pacientes com HIV ou em tratamento de câncer que realizou algum transplante e precise dos imunossupressores pelo resto da vida; e os idosos, que normalmente não são tão imunes quanto os indivíduos mais jovens e saudáveis. Quem deve tomar a terceira dose são:

  • Pessoas com imunodeficiência primária grave;
  • Pacientes de quimioterapia para câncer;
  • Transplantados de órgãos sólidos ou células troncos hematopoiéticas (TCTH) em uso de medicamentos imunossupressores;
  • Soropositivos com CD4;
  • Pessoas utilizando corticoides em doses maiores ou iguais a 20 mg/dia de prednisona, ou equivalente;
  • Pessoas que utilizam drogas modificadoras da resposta imune;
  • Pacientes em hemodiálise;
  • Pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas (auto inflamatórias, reumatológicas, doenças intestinais e inflamatórias). 

Para a aplicação da terceira dose, serão utilizadas as vacinas de RNA mensageiro (Pfizer), ou de vetor viral (AstraZeneca/Pfizer). Vale ressaltar que a farmacêutica AstraZeneca desenvolveu uma nova versão do imunizante que já está sendo utilizado no Brasil, visando maior proteção contra a variante Beta. 

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que a instituição está preparada para a aplicação da dose de reforço em todo o Brasil, visto que além das 54 milhões de doses que estão sendo produzidas mediante contrato com o Ministério da Saúde, há mais de 26 milhões em processamento. “Os casos no Brasil ainda continuam caindo, as internações caindo, e os óbitos mais ou menos estáveis nesta última semana. Se eventualmente vier a prevalecer a variante Delta, essa situação terá que ser enfrentada”, justificou a aplicação da 3ª dose.

Situação no Tocantins

Em uma Nota Técnica emitida no último sábado do mês de agosto, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) orientou aos gestores municipais que, assim que possível, já iniciassem a aplicação das doses de reforço de vacinas contra a Covid-19. A recomendação veio do Plano Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, que estabeleceu a aplicação da 3ª dose para seis meses após a aplicação da segunda. 

A SES orientou que as cidades que tiverem estoques dos imunizantes já podem administrar a terceira dose nos primeiros públicos-alvo: idosos acima de 70 anos de idade e portadores de doenças com alto grau de imunossupressão. Os primeiros municípios tocantinenses a aplicarem a terceira dose foram Cristalândia e Araguaína, que iniciaram o processo no dia 31 de agosto.

Diandra Sena, gerente de Imunização da SES, orienta “que os municípios que possuem doses excedentes da vacina PFIZER já podem dar início ao esquema vacinal de reforço para os idosos acima de 70 anos – que vacinaram nos meses de janeiro e fevereiro – com segunda dose da vacina CoronaVac – e os Portadores de doenças com alto grau de imunossupressão, estes após 28 dias da última dose do esquema básico”, escreveu em nota. 

Revisão por Ivan Trindade

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