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Primeira audiência pública para tratar concessão do Jalapão à iniciativa foi marcada por protestos e discussões calorosas

Imagem: Silvio Santos/Assembleia Legislativa do Tocantins

Por João Pedro Gomes

Ocorreu nesta quinta-feira (19), na Assembleia Legislativa, uma audiência pública com o objetivo de debater o projeto do Estado para privatizar os parques do Jalapão, Cantão, Lajeado e do Monumento das Árvores Fossilizadas. Estiveram presentes representantes de vários segmentos: prefeitos, vereadores, empresários do setor turístico de Mateiros, Ponte Alta e São Félix, além de comunidades quilombolas. O momento foi marcado por protestos e discussões calorosas.

O deputado Professor Júnior Geo (PROS) cobrou por transparência no processo, o qual ele julga como obscuro: “Quem vai ganhar com essa privatização? É isso mesmo que os jalapeiros querem e precisam? Precisamos conhecer esse plano e suas particularidades para analisar o conteúdo para discutirmos com os verdadeiros impactados que é a população do Jalapão”, discursou o deputado.

Entrando no momento mais tenso da audiência, Tom Lyra discursava quando chamou os moradores que protestavam contra a fala dele de “Talibãs”: “Você me respeite, você me respeite, eu estou falando […] Eu não aceito você vir nesse debate… Afeganistão, isso aí. Isso é Talibã, rapaz. Você respeite, eu sou um secretário de Estado. Fui secretário do Turismo”, gritou. 

Alguns integrantes da comunidade se manifestaram contra o projeto. Em sua fala, a quilombola Elzita Evangelista desabafou sobre a situação dos moradores da comunidade Rios: “O que precisamos é de estrada para trafegar. Enfrentamos nove horas de viagem de puro buraco para chegar aqui e isso é muito sofrido para todos nós […] É uma concessão desrespeitosa, sem transparência e que vai explorar ainda mais as comunidades quilombolas e nós queremos é estrada e infraestrutura”. 

Já a presidente da Associação das Artesãs do Mumbuca, Railane Ribeiro, criticou a falta de diálogo com os moradores da região: “Por que não foram até a nossa comunidade perguntar pra gente o que a gente acha disso? Quem vai ser impactado não são vocês, somos nós […] E eu fico indignada com a falta de respeito. Somos esquecidos”, criticou, ressaltando também a preocupação com o meio-ambiente.

João Martins (DEM), prefeito de Mateiros, ressaltou que o investimento em infraestrutura é mais que essencial: “Não temos nada, nem estradas, nem sinalização ou qualquer infraestrutura que permita desenvolver a região, o que temos é um descaso para com a população do Jalapão”, enfatizou em sua fala. O gestor de Ponte Alta, Kleber Rodrigues de Sousa (PSD), afirmou ainda que “não precisamos de multinacionais para levarem nosso dinheiro, precisamos de investimentos e de capacitações. Queremos que o Estado faça a sua parte e reorganize conosco o Jalapão”, declarou.

Em defesa do governo, Claudinei Quaresmin afirmou que o objetivo da concessão é atrair turistas e desenvolver a região, e pontuou também que as empresas que eventualmente forem contratadas deverão investir nos atrativos, que retornarão posteriormente aos tocantinenses. Uma nova sessão para analisar o projeto foi convocada para a última terça-feira do mês, 31.

Revisão por Ivan Trindade

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