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Retrospectiva 2020: PMW lista os maiores acontecimentos a nível mundial

Imagem: Abdullah Dhiaa al-Deen

Por João Pedro Gomes

Sobre o ano de 2020, apenas uma coisa é certa: Ao final de 2019, ninguém esperava tudo que tornaria este ano histórico. Sem dúvida, foi um período marcante para diversos segmentos: da saúde, político, sociocultural, econômico, ambiental, dentre muitos outros. O mundo sofreu incontáveis alterações, e não é errôneo afirmar que, após tudo isso, as coisas, num parâmetro geral, são vistas de outra forma. 

Em meio a tantas ocorrências, alguns destaques foram separados para serem pontuados nesta matéria que abre o ano de 2021. Entretanto, em respeito ao mundo, é quase obrigatório destacar as vítimas de uma doença que surgiu ao final de 2019: a COVID-19, proveniente do novo coronavírus (SarS-CoV-2). Mais de 1,5 milhão de pessoas — sendo mais de 180 mil apenas no Brasil — perderam a batalha pela vida, e deixaram histórias, famílias e amigos.

1- JANEIRO 

Incêndios florestais na Austrália

Iniciados em setembro de 2019, os fogos, que surgiram por causas naturais, causaram pânico nas costas leste e sul do país, onde uma população vasta de pessoas e animais habitavam. Classificada como “uma das piores catástrofes naturais da modernidade”, pesquisas apontam que mais de 3 bilhões de animais morreram ou precisaram fugir das chamas. 

Os incêndios já eram comuns na Austrália ao fim da primavera e início do verão, que ocorrem nos meses de novembro e dezembro: a combinação de temperaturas maiores que 40ºC, falta de chuvas e qualquer faísca que apareça na vegetação seca é a responsável pelo início dos fogos. Há ainda o agravante de fortes ventos que espalham as chamas e aumentam o perigo da situação de maneira assustadora. Entretanto, a situação se agravou em 2019: o fenômeno se iniciou mais cedo que o normal, o que resultou em um dos maiores desastres de 2020.

A situação foi tão grave que as fumaças dos incêndios chegaram a alcançar o Brasil.

Imagem: Lukas Coch

466 anos de SP: Músicos da Cia-K Aerogroove tocaram pendurados por cordas

Durante a programação de comemoração dos 466 anos de São Paulo ao final de janeiro, uma multidão se fez presente no evento, que teve um grande diferencial: Com apresentações de Elba Ramalho, Skank e Karol Conká na lista, o destaque ficou por conta dos músicos da Cia-K Aerogroove, que se apresentaram pendurados por cabos de aço na Praça do Patriarca, centro da cidade, enquanto o Balé da Cidade performava.

Imagem: Fabio Tito/G1

2- FEVEREIRO

‘Parasita’ faz história no Oscar 

Lançado em 2019, o filme de comédia e suspense sul-coreano dirigido por Bong Joon Ho ganhava cada vez mais destaque pela crítica especializada e público antes da temporada de premiações, e como esperado, levou diversas categorias dos títulos mais importantes do cinema.  

O longa fez história ao ser o primeiro da história a sair vencedor da Palma de Ouro e do Festival de Cannes, e ainda levar quatro das principais categorias do Oscar — Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Roteiro Original, Melhor direção e Melhor Filme —, sendo que este último também é um marco, por ser a primeira obra cinematográfica de idioma não-inglês a ganhar a categoria principal.

A trama do filme se desenvolve quando uma família pobre invade a mansão de uma família rica de maneira organizada para que todos atuassem como trabalhadores da casa, todavia, nem tudo saiu como o esperado.  

Imagem: Eric Gaillard/Reuters.

Viradouro é a campeã do carnaval do Rio de Janeiro 

Após 23 anos desde o seu último (e primeiro) título de campeã, a Viradouro foi a grande vencedora do carnaval 2020, no Rio de Janeiro. Foi contada a história  “Viradouro de alma lavada”, que abordava o grupo das Ganhadeiras de Itapuã, quinta geração de mulheres de Salvador que realizavam diversos serviços, como lavar roupa na Lagoa do Abaeté, com finalidade de comprar sua alforria.

A apresentação contou com a atleta Anna Giulia, da seleção brasileira de nado sincronizado, vestida de sereia. Ela mergulhava por até um minuto em um aquário com 7 mil litros de água mineral, representando a Lagoa do Abaeté. Além disso, teve até a distribuição de cocadas para o público, realizada pelas baianas, que representaram as quituteiras. 

Imagem: Mauro Pimentel/Getty Imagens

3- MARÇO

Ruas vazias ao redor do mundo em decorrência da COVID-19

No mês em que as primeiras mortes começaram a ser confirmadas em diversos estados do Brasil e a evolução em escala global apenas se alavancava, os casos já ultrapassavam a marca de 169 mil infecções ao redor do mundo — e ao seu findar, mais de 858 mil casos já estavam registrados —. Em decorrência deste surto em que a contaminação apenas acelerava, os países adotaram diversas medidas de segurança sanitária para contenção da contaminação, e dentre elas, se encontrava o isolamento social. Todos deveriam estar em suas casas para que não adquirissem contato com o vírus, que era novidade para o mundo. Diversos registros de ruas e cidades ‘vazias’ foram feitos e divulgados.

4- ABRIL

Os casos de COVID-19 só aumentavam

No Brasil, assim como no mundo, a situação apenas se agravou. No mês em que as mortes começaram em 203 e terminou com 5.513 casos de óbitos, o país entrou em pânico. Superlotação em hospitais, cansaço físico e mental de médicos, desespero da população: o clima era de completo caos. 500 mil testes rápidos foram distribuídos pelo Ministério da Saúde apenas no dia 01, e até estudantes da área da saúde eram convocados para atuarem na linha de frente contra a doença.

Além disso, o presidente da república, Jair Messias Bolsonaro (sem partido), decide  exonerar o, até então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Quem assumiu o ministério foi o médico oncologista e empresário Nelson Teich, que, menos de um mês depois (15 de maio), pediu demissão do cargo.
Já em escala global, 185 países possuíam mais de 3 milhões de casos de infecção. Os EUA acumulavam mais de 983 mil confirmações e, ao menos, 55 mil mortes. A Espanha mais de 200 mil, e a Itália estava quase acompanhando, com quase 200 mil. Este era o top 3 do ranking de países mais afetados pelo novo coronavírus.

Imagem: Emilio Morenatt & AP

Apoiadores de Donald Trump pedem fim do isolamento social nos EUA e profissionais da saúde reagem

O dia 19 do mês de abril foi marcado por protestos de apoiadores do até então presidente dos EUA, Donald Trump. A ação foi realizada em carreatas em várias cidades do país, e os manifestantes pediam o fim do isolamento social, que era (e ainda é) uma medida protetiva aconselhada pela Organização Mundial de Saúde – OMS. Na época, o país norte-americano era o que mais possuía casos do novo coronavírus.

Então, profissionais da saúde de Denver, no Colorado, resolveram se manifestar também. Uniformizados, eles invadiram as passeatas e se colocaram em frente aos apoiadores de Trump. Enfermeiros e Médicos pediam por respeito e para que as pessoas ficassem em casa. As imagens viralizaram nas redes sociais.

Imagem: Alysson McClaran

5- MAIO 

Um avião cai e deixa dezenas de mortos no Paquistão

Entre as cidades de Lahore e Karachi, um Airbus A320 da Pakistan International Airlines (PIA) fazia um vôo interno quando uma distração dos pilotos causada por uma conversa a respeito da COVID-19 ocasionou um acidente durante a tentativa de um pouso forçado em 22 de maio. O avião caiu em Karachi, e o acidente deixou 97 mortos. Moradores fizeram diversas capturas fotográficas do local.

Ghulam Sarwar Khan, ministro de aviação do país, apontou que os pilotos e oficiais de tráfego aéreo não seguiram os devidos procedimentos de segurança, que foi o motivo da queda da aeronave. A investigação informou que o avião estava voando a uma altura de 2.200 metros quando a pista se localizava a 16 quilômetro, o que era absurdo, pois deveria estar muito mais próximo, a 762 metros. O controle de tráfego aéreo contatou a aeronave e recomendou que mais uma volta antes do pouso, o que foi completamente ignorado pelo piloto.

Imagem: Fareed Khan

Caso George Floyd 

25 de maio de 2020: George Floyd, um homem negro de 46 anos, é morto durante uma abordagem policial em Minnesota, EUA. Darnella Frazier, passante no local e momento do incidente, gravou todo o ocorrido com o celular enquanto se horrorizava com a cena. No vídeo, que possui mais de 10 minutos, é possível assistir o caso. O homem implorava pela vida e chegou a pedir “Não me mate”, quando, na verdade, foi asfixiado por 7 minutos e 46 segundos.

Antes do ocorrido, a polícia foi acionada por funcionários de uma loja de conveniência, que alegavam que Floyd tentava utilizar cartões falsos para realizar um pagamento. Ao chegarem no local, encontraram o homem em seu carro, e ordenaram que ele saísse de seu veículo. Segundo a polícia, ele “parecia estar intoxicado e resistiu ao pedido dos agentes”. 

Durante a abordagem, George, deitado no chão, tem seu pescoço esmagado pelo joelho de Derek Chauvin, um policial branco, e chegou a implorar diversas vezes: “Não consigo respirar”, porém, foi ignorado pelos agentes. Testemunhas que passavam pelo local diziam ao agente: “Tire seu joelho do pescoço dele”. Após alguns minutos, Floyd perde os sentidos e fica inconsciente. Uma ambulância é chamada, mas ele logo é dado como morto. 

Os quatro policiais acusados de envolvimento na morte de George — Derek Chauvin, Tou Thao, J. Alexander Kueng e Thomas Lane — foram expulsos da polícia e presos. Com fiança de  US$ 1 milhão fixada, Derek conseguiu pagar o valor e foi libertado, mas ainda responde por homicídio culposo e assassinato em terceiro grau.

A morte de Floyd levantou protestos por todo o mundo. 

Divulgação/Internet

6- JUNHO

Black Lives Matter

Em português, ‘Vidas Negras Importam’. A morte de George Floyd trouxe visibilidade a uma grande discussão sobre o racismo explícito que os negros sofrem nos EUA e por todo o mundo. Milhares de manifestantes tomaram as ruas de diversos países durante dias para pedir o fim da violência policial e da descriminação racial. 

O movimento também ganhou força nas redes sociais, onde a hashtag #BlackLivesMatter foi levantada. A onda de protestos foi uma das maiores já vistas nos EUA, mesmo com a pandemia de COVID-19, multidões se reuniram para reivindicar o direito das minorias. O, até então, presidente norte-americano Donald Trump, inclusive, criticou os protestos. Por medo de repressão, ele, inclusive, reforçou a segurança da Casa Branca.

Imagem: Andrees Latif

Estátua de Edward Colston 

Durante os protestos, manifestantes em Bristol, na Inglaterra, derrubaram a estátua de Edward Colston, comerciante local que se tornou rico traficando africanos para realizar trabalho escravo nas Américas. Após isto, os manifestantes se ajoelharam por oito minutos no pescoço da escultura, que, em seguida, foi jogada no Rio Avon, canal que corta a cidade. No pedestal vazio, cartazes com mensagem antirracistas foram deixados, substituindo a imagem do local.

A estátua era feita de bronze e foi erguida em 1895. Colston era sócio da Royal African Company, que traficou mais de 84 mil africanos para as Américas, sendo que desses, mais de 19 mil perderam as vidas durante a travessia dos continentes. Há anos, a representação dele causava protestos no município inglês, e os cidadãos chegaram a reunir 11 mil assinaturas numa petição que pedia a remoção do monumento. 

Imagem: Ben Birchall

7- JULHO

Reabertura do Museu do Louvre

Fechado desde 13 de março, o Museu do Louvre, em Paris, reabriu suas portas em 06 de julho. O país, que passava por um processo de retorno às atividades gradual, tomou medidas para evitar a proliferação do novo coronavírus, como agendamento prévio de visita pela internet e uso de máscara obrigatório no interior do prédio. 

Durante os 3 meses que o museu esteve fechado — o maior período desde a Segunda Guerra Mundial — US$ 45 milhões de receita perdida foram contabilizados. 

Foto: Charles Platiau

Bolsonaro, COVID-19 e ema

Diagnosticado com COVID-19 no dia 06, o presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido) se isolou no Palácio da Alvorada, em Brasília. Sete dias depois, na segunda-feira do dia 13, ele interagia com as emas quando foi bicado por uma delas. Fotógrafos conseguiram capturar as cenas, que viralizaram nas redes sociais.

Já no dia 23, mais uma cena protagonizada por Bolsonaro e emas foi clicada por repórteres que estavam no local: o presidente exibia uma caixa de cloroquina (fármaco defendido pelo governante para combate do novo coronavírus – SarS-CoV-2, sem eficácia comprovada cientificamente para este caso) para o animal. Outra vez, esse tipo de imagem viralizou na internet e virou até meme.

Os animais são uma atração da parte externa do palácio, que é um dos pontos turísticos do Distrito Federal. As emas ficam no gramado em frente ao Alvorada, protegidas por um fosso que as separa área a que visitantes possuem acesso.

Foto: Adriano Machado

8- AGOSTO

Mega explosão em Beirute

Uma explosão gigantesca em um porto de Beirute, no Líbano, causou a morte de mais de 150 pessoas, deixou mais de 6 mil cidadãos feridos e mais 300 mil moradores desabrigados. A detonação, que se sucedeu numa terça-feira, 4, aconteceu num armazém que continha 2.750 toneladas de nitrato de amônio, armazenadas há seis anos e sem nenhuma medida preventiva contra acidentes. A substância não entra em combustão sozinha, mas sim quando exposta a altas temperaturas (algo comum no clima libanês). 

O USGS, Serviço Geológico dos Estados Unidos, apontou que a intensidade da explosão correspondeu a um terremoto de magnitude 3,3. Além disso, o incidente resultou também numa cratera de 43 metros de profundidade e na devastação completa de vários bairros. Diversos internautas filmaram e divulgaram imagens do momento exato da explosão, registrando o seu impacto. Momentos antecedentes e após o acidente também foram divulgados e ganharam notoriedade pelo mundo todo. 

Porto de Bairute um dia após a explosão – AFP

Avião se parte em pouso, na Índia

Durante o pouso no aeroporto de Calicute, na Índia, um Boeing 737 da Air India Express ultrapassou a pista, derrapou e se partiu em dois. O acidente aconteceu no dia 7, e 18 pessoas morreram, além disso, 40 ficaram gravemente feridas. 

De acordo com o chefe da Comissão de Planejamento, Amitabh Kant, o acontecido é decorrente da pouca visibilidade causada pelas fortes chuvas; além disso, o aeroporto fica em uma região de difícil acesso. No instante da tragédia, o local foi fechado e todos os outros voos foram transferidos para o aeroporto de Kannur, a 100 km do local. Ambos os pilotos do avião faleceram. 

A aeronave vinha do aeroporto de Dubai e transportava 190 pessoas. O voo tinha a missão governamental de repatriação de indianos decorrente das restrições de viagens internacionais, provocadas pela pandemia de COVID-19.

Porto de Bairute um dia após a explosão – AFP

9- SETEMBRO

Caminhão carregado de carnes tomba e é saqueado 

Durante a manhã da terça-feira do dia 08, um caminhão de carnes tombou na Rodovia Régis Bittencourt, Itapecerica da Serra, município de São Paulo. O caso ganhou notoriedade em decorrência de um grande saqueamento por parte da população local, que levaram a carne pelo acostamento.

O caminhão frigorífico transportava mais de 25 toneladas de carne, que eram levadas até a cidade de Leme, SP. A motorista afirma que tombou o caminhão para evitar um acidente. O tumulto só se encerrou após a chegada da polícia, minutos depois. 

Foto: Everaldo Silva

Incêndios na natureza brasileira

Ao final de setembro, 2020 já era o pior ano para a natureza brasileira: do início de janeiro até o findar o mês em questão, 18.259 focos de queimada no pantanal foram registrados. Este é o mês com mais focos de incêndio — 8.106 — desde 1998, ano em que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) foi criado. 

Quem também esteve em alta em focos de chamas foi a Amazônia: foram 19.925 focos de incêndio em setembro de 2019, enquanto neste ano, apenas no período em questão, foram 32.017 pontos de queimada, o aumento foi de 61%. Apesar disso, a média mensal, de acordo com pesquisas, é de 32.812, e a maior alta foi registrada em 2007, com 73.141.

Dados do INPE apontam que até 31 de agosto, o país já havia perdido 53.019 km² de mata nativa da Amazônia e do Pantanal juntos. A informação é ainda mais assustadora quando é feito um comparativo: A área é equivalente a 34 cidades de São Paulo.

Algo que também foi muito marcante foram os discursos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que chegou a afirmar — sem prova alguma — em um discurso na cúpula sobre biodiversidade da Organização das Nações Unidas – ONU, que “ONGs” e “algumas organizações” comandavam crimes ambientais no Brasil e no exterior.

Foto: Jorge Salomão Junior

10 – OUTUBRO

Retomada de atividades 

Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul e Paraná decidiram reabrir as portas de suas escolas no mês de outubro, mesmo que os sete estivessem entre os dez com mais mortes decorrentes do novo coronavírus. A decisão não agradou os professores e nem muitos pais, que temiam por suas saúdes, mesmo com todos os critérios sanitários e de distanciamento social. 

Além disso, as coisas voltaram a funcionar de forma gradual, de uma maneira generalizada. Neste mês, o comércio voltou a acelerar e as vendas no varejo, inclusive, tiveram aumento de 0,9%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Foto: Marcos Serra Lima

Armênia e Azerbaijão concordam em tranquilizar conflito Nagorno-Karabakh

No fim de outubro, os países Armênia e Azerbaijão concordaram em não alvejar civis no combate de Nagorno-Karabakh. Neste enclave montanhoso, centenas de pessoas inocentes foram mortas durante mais de um mês de combates. 

O acordo foi firmado durante negociações entre os ministros de relações exteriores dos países enviados: França, Rússia e Estados Unidos, co-líderes do grupo criado para mediar o conflito, em Genebra. Os países também concordaram em trocar corpos de combatentes e fornecer listas de prisioneiros de guerra detidos, para eventual troca.

Mais de 30 mil pessoas já morreram em combates de 1991 a 1994 na região de Nagorno-Karabakh, território reconhecido internacionalmente como parte do Azerbaijão, mas é povoado e controlado por armênios étnicos. Desde 94, há um cessar-fogo que constantemente é suspenso.

Foto: Aris Messinis

11- NOVEMBRO

Eleição norte-americana histórica

Joe Biden venceu as eleições presidenciais dos EUA este ano após três tentativas para o cargo. A vitória, apesar de apertada em colégios eleitorais, é gritante nos votos da população: antes do fim da contagem, a marca de 74 milhões de cédulas já era ultrapassada, tornando o democrata o candidato com o maior número de votos recebidos na história, recorde que era do ex-presidente Barack Obama

Como o ato de votar não é obrigatório no país, este ano, o recorde de maior participação popular nas eleições em 120 anos (cerca de 77% do eleitorado compareceu, em meio à pandemia). Além disso, Biden é o homem mais velho a ocupar o cargo, com 78 anos, e sua vice, Kamala Harris, é a primeira mulher a ser vice-presidente da nação norte-americana. 

Já o ex-presidente Donald Trump recebeu mais de 70 milhões de votos populares, número ainda maior do que os recebidos na última eleição (a qual venceu). O republicano quebrou o recorde negativo de ser o primeiro candidato na história a se declarar vencedor, antes mesmo da apuração, e, ao perder, chamou o processo eleitoral de fraudulento sem prova alguma. O, agora, ex-presidente, se nega a fazer uma passagem de poder pacífica, atacando o sistema de eleições e Biden. Além disso, ele é o 4º ex-presidente em 100 anos a perder a reeleição. Historiadores classificam o clima do país como tenso.  

Foto: Evan Vucci

Amapá fica no escuro

Após forte chuva, uma explosão seguida de incêndio comprometeu os três principais transformadores na maior subestação do Amapá, que fica localizada no município de Macapá. Em decorrência disso, 13 das 16 cidades do estado ficaram sem energia: e por consequência, também faltou água, internet e alimentos. Aproximadamente 765 mil pessoas foram afetadas.

As cidades ficaram dias na escuridão, o que gerou uma onda de protestos por todo o estado. Dia 8, a eletricidade voltou a funcionar em forma de rodízio, onde cada região a tinha por 6 horas, até que o serviço fosse normalizado. Em meio a isso, as eleições municipais deste ano em Macapá foram adiadas e ocorreram posteriormente a data de todos os outros municípios do país. 

Só após 22 dias o fornecimento de energia elétrica voltou ao normal.

Foto: Maksuel Martins

Assassinato de João Alberto no Carrefour

Na véspera do Dia da Consciência Negra, 19, João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, foi espancado e asfixiado até a morte por seguranças brancos no estacionamento do hipermercado Carrefour, em Porto Alegre. O inquérito médico apontou a causa da morte de João Alberto: asfixia. 

Freitas fazia compras com sua esposa, quando discutiu com uma funcionária que atuava como caixa e foi encaminhado pelos seguranças para o estacionamento, no andar inferior; logo em seguida, a sequência brutal de espancamentos teve início. O pescoço de Silveira foi esmagado pelo joelho de um dos seguranças, que inclusive, disse que, quando a vítima perdeu os sentidos, acreditavam que ele estava fingindo. O homem morreu no local, e um policial militar temporário e um segurança do mercado foram presos em flagrante.

A Polícia Militar que esteve presente no local após o incidente e realizou o atendimento, afirmou que a vítima discutiu com os funcionários e não aceitou abandonar o supermercado. Em contrapartida, testemunhas informam que o homem foi seguido e agredido na saída. Uma equipe do SAMU tentou reanimar a vítima no local, mas não obteve sucesso e ele veio a óbito no estacionamento. Os dois funcionários que agrediram o homem foram presos em flagrante. 

Ao todo, seis funcionários foram indiciados, dentre eles, a fiscal do estabelecimento, Adriana Alves Dutra, que filmou todo o ocorrido mas não fez nada para impedir o espancamento e morte de Freitas. 

Uma onda de protestos contra o racismo do hipermercado se iniciou pelo país. O Carrefour perdeu mais de R$ 2 bilhões em valor de mercado na B3. A empresa afirma que vai treinar os funcionários quanto ao conhecimento sobre pautas raciais, além de criar um fundo de R$ 25 milhões para promover a inclusão social e combater o racismo. Também foi informado que a empresa terceirizada responsável pela segurança foi desvinculada do hipermercado.

Foto: Nelson Almeida

Maradona, o ídolo do futebol, faleceu 

Diego Armando Maradona, ídolo do futebol argentino, morreu aos 60 anos de parada cardiorrespiratória. Ele havia feito uma cirurgia no cérebro duas semanas antes de seu falecimento, que aconteceu dia 25, por causa de uma pequena hemorragia. A Argentina declarou luto oficial de três dias no país. 

Maradona era conhecido por seu grande talento em campo e por polêmicas em sua vida pessoal, onde lutou contra uma dependência química por cocaína. O camisa 10 era famoso por sua genialidade e por este ser o número de sua camisa, como uma alusão. Ele jogou em Copas do Mundo: 1982, 1986, 1990 e 1994. Venceu a Copa do Mundo de 1986 e o Mundial sub-29, em 1979, defendendo sua tão querida Argentina. Além disso, conquistou diversos outros títulos. 

Argentinos e fãs do mundo inteiro prestaram suas homenagens ao ídolo. O nome de Maradona esteve entre os mais comentados do Twitter, e no intervalo de duas horas após a confirmação de sua morte, mais de 3 milhões de tweets foram registrados. “Perdi um grande amigo, e o mundo perdeu uma lenda”, disparou Pelé, craque do futebol e amigo do jogador.

Foto: Carlo Fumagalli

12- DEZEMBRO

Ônibus cai de viaduto em MG

Um ônibus despencou de um viaduto conhecido como “Ponte Torta”, na BR-381, entre os municípios João Monlevade e Nova Era, no interior de Minas Gerais. O veículo de viagem (que não possuía autorização para transportar passageiros) saiu de Mata Grande, Alagoas, e ia para São Paulo, quando aconteceu o acidente. De 48 passageiros, 19 vieram a óbito e 29 ficaram feridos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o motorista perdeu o controle do veículo, que bateu no retrovisor de um caminhão que também atravessava a ponte. Então, o ônibus começou a voltar em marcha ré, quando, segundo testemunhas, o motorista teria gritado que o ônibus estava sem freios. Ao bater na lateral da ponte, o ônibus despencou de uma altura de 35 metros. O motorista pulou do veículo antes da queda, fugiu do local e não se apresentou à polícia. Outras seis pessoas também conseguiram saltar do veículo antes da queda. Doze passageiros faleceram no local, enquanto três vieram a óbito a caminho do hospital. 

Imagem: Internet/Divulgação.

1000 dias. Quem mandou matar Marielle Franco?

08 de dezembro de 2020… desde o dia 14 de março de 2018, mil dias já se passaram, e ainda não se possui informações sobre quem foi o mandante e as razões pela execução a queima roupa da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. A família, amigos e admiradores do trabalho desempenhado pela socióloga pedem respostas para questionamentos que ainda não foram solucionados.

As investigações seguem sob sigilo, mas até o momento, sabe-se que dois suspeitos das execuções —  o PM reformado Ronnie Lessa e o PM expulso Elcio de Queiroz — foram presos há quase um ano e nove meses. Uma operação intitulada Submersus foi desenvolvida, e um pescador que se diz cúmplice de Ronnie Lessa afirma que as armas foram atiradas ao mar. Não se sabe se a arma utilizada no assassinato foi jogada no oceano, mas é uma hipótese que a polícia acredita estar correta.

A mulher de Ronnie e o seu cunhado, Elaine Lessa e Bruno Figueiredo também foram presos. A Polícia Civil pediu auxílio da Marinha nas buscas em alto mar, e uma sonda foi utilizada no local suspeito. A sonda aponta que, numa profundidade de 15 a 30 metros, estão nove objetos, que possuem tamanho entre 50 centímetros e dois metros. 

Mais detalhes do caso devem ser divulgados aos poucos.

Imagem: Marcos de Paula

Governo apresenta plano de vacinação contra COVID-19 ao STF

O “Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19” foi entregue pela Advocacia-Geral da União – AGU para o Supremo Tribunal Federal – STF no dia 12 do último mês do ano. O documento é uma proposta a nível nacional de imunização contra o novo coronavírus (SarS-CoV-2), e é estruturado em dez partes, que vão desde a definição do público-alvo, vacinas que serão aplicadas e operacionalização das campanhas até a comunicação que será utilizada.

Segundo o governo federal, o Brasil, por meio de acordos, já possui 300 milhões de doses de vacinas garantidas. São 100,4 milhões fornecidos pela Fiocruz/AstraZeneca, mais 30 milhões de doses por mês no segundo semestre de 2021; a Covax Facility providenciará 42,5 milhões e a Pfizer negociará 70 milhões. 
Vale ressaltar que, até o momento, as vacinas se encontram na fase 3 de teste. Entre as fases de vacinação, quatro etapas prioritárias já tiveram definição: Trabalhadores da saúde e idosos em primeiro lugar, pessoas com comorbidades na terceira fase e professores junto a funcionários do sistema prisional e forças de segurança na última etapa.

Foto: Ueslei Marcelino

Revisão por Ivan Trindade

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