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Secretário de Saúde do Tocantins presta contas sobre demora no processo de vacinação

Imagem: André Araújo/Governo do Tocantins

Por João Pedro Gomes

O secretário de saúde do Tocantins, Edgar Tollini, prestou conta das ações tomadas no combate à pandemia de Covid-19 até o momento. A reunião ocorreu na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto), nesta quinta-feira (29), onde ele falou sobre os gastos realizados e tentou justificar a lentidão no processo de vacinação da população, visto que o Tocantins levou mais de três meses para vacinar 10% da população.

Na ocasião, Tollini apresentou um balanço e respondeu questionamentos dos deputados estaduais a respeito da crise. O evento ocorreu na Comissão de Finanças da Aleto e durou mais de três horas. O secretário afirma que acredita que o Tocantins é um alvo pouco provável para as apurações da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, o que investigará a crise da Covid-19 do Governo Federal e os repasses para os estados e municípios.

Demora no processo de imunização

O secretário classificou a lentidão como resultado de diversos fatores. A falta de doses disponíveis no mercado, o desinteresse de alguns públicos prioritários e a demora de algumas prefeituras a realizar as aplicações das doses foram os principais fatores citados por ele, que evitou citar diretamente as cidades as quais se referia durante sua fala, mas também relatou que houve duas cidades que ficaram duas semanas sem enviar nenhum representante para buscar as doses nas centrais. 

Falou também sobre problemas com as doses indígenas: “Eu cito aqui o problema dos indígenas. Nós recebemos 7,5 mil doses para os grupos aldeados, acima de 80 anos. Na primeira leva de vacinas, o indígena entrou. Até hoje nós conseguimos vacinar 4,3 mil somente de primeira dose e somente três mil indígenas de segunda dose. Quer dizer, eu tenho, teoricamente, 15 mil vacinas que eu recebi para indígenas, entre primeira e segunda dose, que elas chegaram exatamente no dia correto e nós não conseguimos atingir nem 7,5 mil, nem a metade disso”.

Outro impasse atual, de acordo com o secretário, é o obstáculo com a localização dos indígenas. Ele relata que municípios informavam que as equipes iam até as aldeias, onde deveria haver dezenas de moradores, e localizaram apenas três pessoas. Por ordem do Ministério de Saúde, as doses não podem ser aplicadas em outros públicos.

Críticas ao Governo Federal

Tollini afirma ter avisado, ainda em 2020, ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde que havia a possibilidade da falta de kits de intubação, o que ocorreu. Hoje, dezenas de leitos de UTI estão bloqueados pela falta destes produtos no Tocantins. “Não tem jeito da gente não falar que não houve alguns equívocos, mas eu não sou… eu tô com um deles aqui, que é a questão dos kits de intubação. Eu chamei a atenção do Conass em 14 de agosto, ‘vai faltar kit de intubação’, seis meses depois… grave, severo”, relatou.

De acordo com Edgar Tollini, a maioria dos municípios tocantinenses não possuem condições de receber grandes remessas de vacina, por falta de capacidade de armazenamento. Ainda segundo o secretário, apenas Palmas, Araguaína e Gurupi são capazes de receber grandes lotes dos imunizantes, e apenas 20 das 139 cidades possuem refrigerador específico para guardar as vacinas (o equipamento é avaliado em R$ 40 mil).

Revisão por Ivan Trindade

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