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Vacina a conta-gotas: panorama de vacinação em Palmas segue lento e deixa a desejar

Imagem: Raiza Milhomem/Prefeitura de Palmas

Por João Pedro Gomes

Diante dos quase 500 mil mortos pelo coronavírus em terras brasileiras, o cenário ainda não é otimista: o processo de vacinação no país ainda é considerado lento, visto que até o início do mês de junho, quando esta matéria foi produzida, apenas 22 milhões de brasileiros estavam totalmente imunizados contra a Covid-19. Em um pronunciamento feito no segundo dia deste mês pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a promessa é que até o fim do ano todos os brasileiros estarão protegidos contra a doença: “neste ano, todos os brasileiros, que assim o desejarem, serão vacinados”, declarou.

Análises dos levantamentos das Secretarias Estaduais de Saúde datadas do dia 1º de junho mostram que mais de 22% da população brasileira tomou ao menos a primeira dose da vacina contra o coronavírus, o que não garante a imunização completa. Foram 47.026.256 vacinas aplicadas na primeira dose, o que corresponde a 22,21% dos brasileiros, e a segunda em 22.631.020 pessoas, o que equivale a 10,69% da sociedade brasileira. A soma da primeira e a segunda doses resulta em 69.657.276 vacinas aplicadas.

Consequentemente, a situação de demora não é diferente no Tocantins. O Estado até chegou a fazer parte do consórcio que compraria cerca de 4 milhões de doses da Sputnik V, mas teve o pedido negado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com o Vacinômetro, ferramenta que aponta o número de pessoas imunizadas no Estado, mais de 8 mil profissionais tocantinenses da área da saúde estão 100% imunizados. No grupo dos idosos, o número é superior a 10 mil. A maioria dos profissionais da Força de Salvamento e Segurança; pessoas com comorbidades e/ou fatores de risco; profissionais do setor aéreo e da educação ainda estão tomando a 1ª dose e em breve tomarão a 2ª. Confira o número e porcentagem das doses recebidas no Tocantins:

1ª dose2ª dose
269.749 (16,96%)128.988 (8,11%)

Dados do dia 2 de junho. Tabela elaborada com base no número de doses recebidas informado pela SES. 

No início deste mês, o presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins (ALETO), deputado Antônio Andrade (PTB), participou de uma reunião online com o Comitê de Combate a Covid-19, realizada pelo Governo do Estado, e fez questionamentos sobre os motivos que fazem com que o Tocantins esteja entre os últimos lugares no percentual de vacinação do país. Na ocasião, ele pontuou: “Sou sempre questionado por onde passo sobre o andamento da vacinação, os tocantinenses reclamam por ocuparmos as últimas posições do ranking nacional de imunização”, relatou.

A explicação do até então secretário de saúde de Palmas, Edgar Tollini, é que o Estado apenas distribui as doses, a aplicação é de responsabilidade dos municípios por meio de suas respectivas secretarias de saúde. O ex-gestor afirmou que o Estado tem cobrado e incentivado a aplicação por meio de contato direto com os prefeitos. Na ocasião, Antônio Andrade chegou a reiterar que a vacinação da classe da educação só acontece após a aprovação do Projeto de Lei que tornou uma atividade de serviço essencial por parte dos deputados. 

Vacinação de profissionais da saúde

Ao anunciar a possibilidade de retorno das aulas presenciais no Diário Oficial no dia 14 de maio, o governador do Tocantins, Mauro Carlesse (PSL) foi criticado, pois até então os professores e profissionais da educação ainda não eram considerados como prioridade para a vacinação na prática. Mesmo com as medidas de flexibilização para a retomada das atividades do serviço público e das aulas presenciais nas redes públicas e privadas, a decisão não agradou os profissionais da área.

De acordo com o governador, as medidas de flexibilização tornariam possível o retorno presencial já que, até a época, uma redução maior que 30% das internações em leitos clínicos e UTI Covid-19 havia sido registrada desde março no Tocantins.  Além disso, as escolas deveriam seguir uma série de regras sanitárias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e elaboradas pelo Governo do Estado para garantir que o SARS-CoV-2 não se propagasse. 

Dentre as medidas, destacavam-se o retorno de forma gradual das atividades presenciais, com apenas 50% da capacidade das salas de aula.  E para os servidores, medidas de distanciamento, higiene e proteção, com divisão de equipes para evitar aglomerações deveriam ser tomadas. Além disso, a jornada de 6 horas de trabalho seria mantida, todavia, as secretarias também poderiam adotar a estratégia de revezamento, dividindo os serviços e os grupos em dois turnos. Vale reiterar que a vacinação dos profissionais desta área começou no início deste mês.

Uma semana após a publicação do decreto, a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Tocantins (SINTET-TO) se reuniu para discutir sobre uma liminar contra o decreto que autorizava o retorno das aulas presenciais. O sindicato alegava que o direito à vida e o resguardo da saúde era o propósito da medida, que cobra a vacinação dos profissionais envolvidos antes do retorno presencial das aulas. “Zelando pela vida dos profissionais da educação e cobrando a inclusão da categoria nos grupos prioritários de imunização […] sem a vida, sem o direito à saúde a quem vamos garantir o direito à educação? Essencial é a vida, queremos que as pessoas tenham a garantia da vacina para que possam retornar com segurança às aulas presenciais”, pontuaram. 

Já no fim do mês de maio, dia 31, Tollini confirmou durante a reunião do Comitê de Crise de Combate e Prevenção à Covid-19 que, ainda naquela semana, a vacinação dos profissionais da saúde teria início. “Em reunião com a equipe da Seduc (Secretaria de Estado da Educação, Juventude e Esportes), com a secretária Adriana Aguiar, avaliamos que o ideal é que a vacinação obedeça a idade dos profissionais, assim todos, tanto das creches quanto do ensino superior, poderão receber as doses ao mesmo tempo. A Educação está fazendo um levantamento rigoroso de quais profissionais já foram vacinados e o Estado começa a vacinar assim que chegar o quantitativo de doses”, enfatizou.

Apesar disso, informações da Associação Tocantinense de Municípios (ATM) e da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime/TO) apontaram que 111 cidades tocantinenses estavam com decretos que suspendiam as aulas presenciais. Os prefeitos se reuniram na sede da associação e, em conjunto, entenderam que o momento ainda não era de retorno às aulas, principalmente porque os profissionais da Educação só começaram a ser imunizados na semana em questão. 

Parte dos municípios já tinham decretado a suspensão das aulas, outros expediram recentemente. O presidente da ATM e prefeito de Talismã, Diogo Borges, chegou a pontuar: “Já prevíamos que uma grande quantidade de municípios iria acompanhar nosso raciocínio de que não temos condições favoráveis para o retorno das aulas presenciais neste momento de pandemia […] temos a esperança de que com o início da campanha de vacinação em profissionais da Educação, associada com as medidas de biossegurança preconizadas pelo Ministério da Educação, as aulas poderão retornar na modalidade presencial, de preferência no segundo semestre”, especulou.

Sistema de agendamento para vacinas

Um sistema de agendamento para a vacinação contra o coronavírus foi lançado pela Prefeitura de Palmas na segunda quinzena de maio, dia 21. O cadastro inicial era voltado para as pessoas com mais de 18 anos que possuíssem alguma comorbidade ou fizessem parte de algum grupo prioritário especificado no Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério de Saúde. A iniciativa surgiu depois que pessoas fora da faixa etária estabelecida foram imunizadas, visto que a vacina Pfizer possui um prazo de vencimento curtíssimo após aberta, ou seja, o caso ocorreu numa tentativa que doses não fossem perdidas.

O atual secretário de saúde de Palmas, Thiago Marconi, pontuou: “O agendamento permitirá maior organização e comodidade para o usuário, já que ele terá um horário específico para ser atendido. Será uma espécie de atendimento individualizado ideal, principalmente, para os que possuem mobilidade reduzida ou alguma patologia mais séria”. O agendamento pode ser realizado por meio do site Vacina Já, onde também é possível acompanhar o avanço da vacinação no município. 

A Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) de Palmas informa que apenas pessoas que estiverem nos grupos de prioridade poderão realizar o cadastro, sendo eles, atualmente:

  • Idosos acima de 60 anos;
  • Profissionais aeroportuários;
  • Profissionais da educação (Trabalhadores de berçários, creches e pré-escolas). Somente nas Unidades de Saúde;
  • Pessoas com comorbidades com 18 anos ou mais;
  • Grávidas e puérperas com comorbidades a partir de 18 anos;
  • Pessoas imunossuprimidas a partir de 18 anos;
  • Pessoas com deficiência permanente a partir de 18 anos.

Para se cadastrar, a pessoa deve acessar o link e informar o nome completo, CPF, data de nascimento, endereço e telefone para contato. É necessário informar também se pretende receber a primeira ou a segunda dose. Após isto, o morador deve se apresentar ao local de vacinação com toda a documentação pessoal (RG e cartão de vacina), além dos documentos comprobatórios do grupo prioritário da pessoa que está sendo vacinado, como é o caso dos laudos médicos para comorbidades. Segundo o município, a vacinação seguirá o calendário já adotado pela com base no Plano Nacional de Imunização. 

Revisão por Ivan Trindade

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