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Vale gás: auxílio deve começar sua distribuição ainda em outubro

Imagem: Pedro Ventura/Agência Brasilia – Divulgação

Por Luiz Filho

Não é de hoje que os preços dos produtos de cozinha tem aumentado, neste cenário estamos falando da maneira mais ampla possível, desde o quilo do arroz, aos eletrodomésticos como geladeira e fogão, até ao gás de cozinha.

Bom, não é todo dia que você compra uma geladeira ou um fogão, mas os alimentos e o gás são essenciais para o preparo da alimentação do dia a dia, não tem como esperar ou fazer adaptações no cardápio absurdas, como alguns veículos de comunicação têm divulgado. 

O aumento no preço do gás de cozinha tem sido constante nos últimos anos, em 2021 a alta tem disparado bastante. Só neste ano o preço passou por reajuste de aumento nove vezes. No último dia 8 de agosto, a Petrobras anunciou um novo reajuste no valor de 7,2%. Ou seja, o preço do gás que estava de R$ 3,60 subiu para R$ 3,86 por kg. Vale destacar que em Palmas, o botijão de 13 kg, tem saído em torno de R$120,00, antes deste último reajuste. 

E como de costume, as pessoas mais atingidas por esses aumentos, são sempre as famílias mais carentes, que têm buscado alternativas para poder cozinhar, utilizando fogueiras e fogões a lenha improvisados, colocando sério risco a saúde e a segurança. 

No intuito de atender essa população foi criado o auxílio vale gás, que destinará o valor de R$ 100,00, divididos em três etapas (meses), para a compra do botijão de gás. Para ser beneficiado as famílias têm que se enquadrar em três critérios: núcleo familiar residente e domiciliado no estado do Tocantins; estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), administrado pelo Governo Federal, desde que não beneficiado pelo Bolsa Família; e possuir uma renda per capita de até R$ 178,00. Ao todo 28 mil famílias do estado Tocantins serão atendidas pelo auxílio. 

De acordo com o governo do estado cerca de R$ 9,3 milhões, vindouros do Fundo Social de Solidariedade do Estado do Tocantins (FUST), será destinado para o programa, que diferente de outros auxílios, não será repassado para os beneficiados, mas para as próprias empresas distribuidoras de gás. Ainda de acordo com o Governo Estadual, ainda está em desenvolvimento o cadastro para que as revendedoras possam participar do processo de licitação. 

Mas tudo ainda está em fase de elaboração. Enquanto isso, o grupo alvo do auxílio ainda não sabe como vai funcionar o projeto. Como se cadastrar, se serão ou não beneficiadas, são diversas as dúvidas. Dona Socorro, moradora do Aureny II,diz ter ouvido falar do auxílio, mas que não sabe nem onde recorrer para poder fazer parte. “A vizinha aqui até me falou sobre esse tal vale, no início achei que era até invenção, mas sentamos juntas para procurar e descobrimos que é verdade, mas não achamos nenhum lugar para fazer o cadastro ainda”. 

Já uma fonte que preferiu não se identificar, por medo de que quando o programa esteja valendo sofra retaliação, falou como o auxílio ajudaria muito em casa. “Aqui em casa, sou eu, minha mãe e minhas duas filhas. Minha mãe não consegue mais trabalhar fora, eu perdi o emprego e para nos manter, minha ideia foi vender marmita para os funcionários de uma obra que fica aqui na frente de casa. Inicialmente, estava ótimo, eu conseguia arcar com as despesas, pois tinha um tanto de dinheiro guardado, porém com o aumento dos alimentos e todo dia o gás parece que fica mais caro, não sei como que faço. Soube do vale gás? Soube! Se poderei receber? Aí já não sei”. 

De acordo com o secretário de Assistência Social, José Messias Araújo, que está responsável pelo programa, informou no último dia 8 de outubro, através de comunicado, que a distribuição do vale gás deve começar em menos de 30 dias, e que deverá funcionar através de uma plataforma digital. O secretário ainda informou, que caso as famílias não tenham acesso a internet, poderão buscar informações no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). 

Ainda em Agosto, o Governador do Estado, Mauro Carlesse, deu uma declaração inconformado com a situação de algumas famílias do Estado. Na situação ele afirmou ser muito triste para um pai ou uma mãe não poder suprir as necessidades básicas de seus filhos. “Já distribuímos milhares de cestas básicas garantindo que não falte o alimento, mas a situação é difícil, por isso entendemos a necessidade do Vale Gás. É um produto essencial no preparo do alimento e que sofreu alta de preços, dificultando que os mais humildes possam comprá-lo”. 

Segundo Dona Socorro a situação é muito mais complicada do que imaginamos. “Às vezes as pessoas até pensam ‘tem gente passando por necessidade’, mas não sabe como realmente é. É dolorido viu? Eu não consigo comprar uma bolacha para minha neta comer de tarde, e agora nem mesmo o mingau que fazia, não podendo fazer sempre, para economizar no gás. Esse que tá aí mesmo, nem fui eu que comprei, que já nem tinha como, foi pessoal da rua que juntou e me deu. Fogão aqui a gente só usa na hora do almoço e na janta, e já chegou vez da gente comer frio para economizar. E dói mais saber que tem gente de um jeito muito mais ruim que nós aqui”. 

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